A infraestrutura necessária para suportar aplicações de IA passou a ocupar posição de destaque nas estratégias de investimento voltadas ao setor de tecnologia. O aumento da demanda por capacidade computacional, armazenamento de dados, conectividade e infraestrutura energética tem impulsionado investimentos em data centers e em empresas ligadas à infraestrutura digital.

Esse movimento também se reflete no mercado de fusões e aquisições (M&A). Levantamento da S&P Global Market Intelligence indica que o segmento de data centers movimentou mais de US$ 69 bilhões em operações de M&A em 2025, distribuídas em 113 transações concluídas.

Para Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, a mudança reflete uma alteração nas prioridades dos investidores. “O movimento já altera o mapa global de fusões e aquisições. Data centers, fabricantes de componentes, fornecedores de conectividade, tecnologia de refrigeração, infraestrutura elétrica e sistemas de energia passaram a ocupar posição prioritária nas teses de investimento de fundos, grupos estratégicos e grandes corporações.”

Energia acompanha expansão da IA

A expansão da infraestrutura de IA também amplia a demanda por energia elétrica. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo de eletricidade dos data centers deverá alcançar cerca de 945 TWh em 2030 no cenário-base da entidade. Em outra projeção, a agência estima que a geração elétrica destinada ao abastecimento desses empreendimentos ultrapassará 1.000 TWh até o fim da década, ante aproximadamente 460 TWh registrados em 2024.

As projeções da IEA indicam que a disponibilidade de infraestrutura energética tende a ganhar importância na implantação e expansão de data centers.

Brasil entre os mercados de expansão

Na América Latina, estudo da White & Case identifica Brasil e México como os principais mercados para expansão da infraestrutura de data centers, impulsionados pelo crescimento da computação em nuvem, das aplicações de IA e dos serviços digitais.

Segundo a Arizton Advisory & Intelligence, o mercado brasileiro de data centers movimentou aproximadamente US$ 6,7 bilhões em 2025. O levantamento projeta continuidade da expansão do setor nos próximos anos.

Grandes operações marcam o mercado

Entre as maiores transações recentes está a venda da Aligned Data Centers, avaliada em cerca de US$ 40 bilhões, conforme comunicado. Outra operação de destaque foi a aquisição da AirTrunk pela Blackstone e parceiros, por aproximadamente US$ 16,1 bilhões, uma das maiores negociações já realizadas no segmento de infraestrutura para data centers.

Em maio de 2026, a I Squared Capital anunciou a aquisição de dez data centers da Cogent Communications, nos Estados Unidos, por US$ 225 milhões, acompanhada do compromisso de investir mais US$ 1 bilhão na expansão da plataforma e em novas aquisições.

Na avaliação de Nesello, o interesse dos investidores não se limita aos operadores de data centers. “A lógica é semelhante à corrida do ouro do século XIX. Nem sempre quem enriqueceu foi quem procurou ouro. Muitas vezes foram os fornecedores de ferramentas e infraestrutura para exploração.”

Consultoria aponta mudanças de investimento

Segundo a Zaxo M&A Partners, a expansão da IA vem ampliando o interesse por empresas ligadas à infraestrutura crítica, incluindo conectividade, energia, climatização, automação e eficiência energética.

Para Leonardo Grisotto, sócio da consultoria, a mudança altera o perfil dos ativos considerados estratégicos pelos investidores. “Estamos vendo uma mudança estrutural nas teses de investimento. Durante muitos anos, o valor estava concentrado no software. Agora, o mercado passou a olhar para a infraestrutura que sustenta esse software. Data centers, conectividade, energia e todos os seus adjacentes se tornaram ativos estratégicos.”

O post Infraestrutura de IA impulsiona M&A em data centers apareceu primeiro em TeleSíntese.

Por Jefferson Nesello, Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas a pedido do canal Conversas Sustentáveis

Recentemente, em uma reportagem sobre o avanço das fusões e aquisições no Brasil, destaquei que o movimento de M&A no middle market é, em grande parte, uma forma de “comprar tempo e deixar de ser solitário”. Essa frase resume uma realidade que tenho acompanhado de perto: o empresário brasileiro constrói muito sozinho, mas cresce de forma exponencial quando estrutura sua empresa para atrair parceiros, investidores ou compradores estratégicos. E expande, mais ainda, quando percebe que as ferramentas de M&A, no buy side por exemplo, são formas extremamente relevantes de ganhar espaço e acelerar a execução da estratégia – qualquer que ela seja – por parte de quem compra.

E é justamente nesse ponto que a Governança Corporativa passa a ser prática.

O tripé formado por inovação, governança e resiliência tem se mostrado essencial para médias empresas que desejam atrair capital e crescer com consistência. Na prática, vejo esse tripé como um sistema interdependente, mas com um detalhe importante: a governança é a engrenagem que organiza e viabiliza os demais pilares.

No middle market, empresas com faturamento relevante e grande potencial de expansão, a governança ainda é, frequentemente, subestimada. Porém, quando analisamos os deals que avançam versus aqueles que travam na due diligence por exemplo, a diferença quase sempre está na qualidade da estrutura de gestão, nos controles, nos acordos societários pré-existentes (e não aqueles celebrados “na calada da noite”, simplesmente pra tentar viabilizar a transação), clareza estratégica e capacidade de reporte.

Governança não é burocracia, é previsibilidade. E previsibilidade reduz risco, e risco é o principal fator que impacta valuation.

Atuando há anos com assessoria em M&A para empresas do middle market, tenho observado um padrão muito claro: empresas que estruturam governança antes de ir ao mercado capturam mais valor, financeiro e estratégico. E, por vezes, não apenas aumentam o seu valuation, mas claramente a governança – muitas vezes –  simplesmente viabiliza que a transação aconteça.

Quando falamos em governança prática, estamos falando de colegiados ativos e realmente operantes no apoio à gestão: conselho consultivo ou de administração; comitês temáticos de acordo com o momento e a estratégia do negócio; acordo de sócios bem estruturado; separação clara entre patrimônio pessoal e empresarial; indicadores financeiros consistentes e auditáveis; planejamento estratégico formalizado; política clara de distribuição de resultados e reinvestimento, entre outros temas.

Uma base importante para estruturar este processo parte de John Davis (dos maiores especialistas mundiais em empresas familiares e governança, foi professor da Harvard Business School por mais de 30 anos), que criou um dos frameworks mais importantes para compreender a dinâmica de empresas familiares e sua governança:

No círculo da Família, navega-se em temas como: sucessão, valores e cultura familiar, educação das gerações, conflitos, legado e dividendos – podendo estabelecer um Protocolo de Família e muitas vezes um Conselho de Família também. No círculo da Propriedade, trabalha-se com os temas de: acordos societários, políticas de distribuição de lucro, estratégias de longo prazo, geração de liquidez e entrada e saída de acionistas, entre outros temas. Já no círculo Empresa, trata-se os assuntos da gestão & metas, time executivo, performance do negócio, compliance e a própria governança e constituição de conselho (consultivo ou de administração, por exemplo).

Em processos de venda parcial ou integral, esses elementos reduzem incertezas, encurtam negociações e ampliam o interesse de investidores financeiros e estratégicos, tanto nacionais quanto internacionais.

Sem governança, a empresa depende do fundador, com governança, a empresa passa a ser um ativo escalável.

Muito se fala sobre ESG, mas há uma inversão silenciosa acontecendo: o “G”, apesar de ser o último da sigla, é o primeiro na prática.

É a governança que define como métricas ambientais serão acompanhadas; como políticas sociais serão implementadas; como riscos reputacionais serão mitigados; e como decisões estratégicas serão tomadas com responsabilidade.

Sem estrutura decisória clara, sem prestação de contas e sem alinhamento entre sócios, qualquer agenda ambiental ou social se fragiliza.

No middle market, especialmente em empresas familiares ou de primeira geração, a profissionalização da governança é o divisor entre negócios que se perpetuam e negócios que se estagnam.

O mercado brasileiro de M&A demonstra que o movimento de consolidação é estrutural. Empresas médias estão sendo cada vez mais procuradas porque carregam conhecimento técnico, relevância regional e nichos consolidados. Porém, apenas aquelas que combinam inovação, governança e resiliência conseguem converter interesse em transação efetiva.

Governança, no fundo, é um exercício de visão de longo prazo. Ela permite atrair capital, preparar sucessão, reduzir dependência do(a) fundador(a), organizar crescimento não-orgânico e, principalmente, garantir continuidade.

Tenho defendido que o empresário brasileiro precisa deixar de ver governança como custo e passar a enxergá-la como investimento estratégico. Não apenas para vender — mas para valer mais, crescer melhor e durar mais.

E, para o middle market que deseja acelerar expansão, acessar novos sócios ou estruturar um futuro sustentável, ela é o ponto de partida.

A explosão da inteligência artificial criou uma das maiores corridas por infraestrutura desde a expansão global da internet. Se, nos últimos anos, investidores disputavam empresas de software, plataformas digitais e startups de tecnologia, em 2026 o foco mudou.

Agora, os ativos mais estratégicos passaram a ser aqueles capazes de sustentar a próxima fase da IA: energia, processamento e capacidade de armazenamento.

“O movimento já altera o mapa global de fusões e aquisições (M&A). Data centers, fabricantes de componentes, fornecedores de conectividade, tecnologia de refrigeração, infraestrutura elétrica e sistemas de energia passaram a ocupar posição prioritária nas teses de investimento de fundos, grupos estratégicos e grandes corporações”, afirma Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, boutique especializada em fusões e aquisições que já participou de mais de 140 projetos, acumulando mais de R$ 7,5 bilhões em transações estruturadas.

Desse modo, o interesse dos investidores não se restringe aos operadores de data centers, toda a cadeia produtiva associada à infraestrutura digital passou a ser alvo potencial de operações. Entram nessa lista fabricantes de painéis elétricos, empresas de cabeamento estruturado, fornecedores de sistemas de climatização, integradores de infraestrutura crítica, fabricantes de componentes eletrônicos, empresas de automação industrial, segurança física, monitoramento e eficiência energética.

“A lógica é semelhante à corrida do ouro do século XIX. Nem sempre quem enriqueceu foi quem procurou ouro. Muitas vezes foram os fornecedores ferramentas e infraestrutura para exploração”, compara Nesello.

Para se ter uma ideia, a corrida global por infraestrutura para inteligência artificial levou somente o mercado de data centers a registrar um recorde histórico de fusões e aquisições em 2025.

Segundo dados da S&P Global Market Intelligence, o setor movimentou mais de US$ 69 bilhões em operações de M&A ao longo do ano, distribuídas em 113 transações concluídas.

“Historicamente, os grandes ciclos de fusões e aquisições acompanham transformações estruturais da economia. Foi assim com telecomunicações, internet, e-commerce e computação em nuvem. A inteligência artificial parece estar inaugurando um novo capítulo. Para investidores, fundos e empresas em busca de crescimento, a pergunta já não é mais quem desenvolverá a próxima inteligência artificial, mas sim quem controlará a infraestrutura necessária para alimentá-la”, destaca Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners.

Análise da White & Case aponta que os data centers estão entre os ativos imobiliários e de infraestrutura que mais crescem no mundo, impulsionados pela expansão da computação em nuvem, da inteligência artificial e dos serviços digitais. A capacidade global do setor deve avançar em torno de 15% ao ano nos próximos anos, ritmo que, ainda assim, pode não ser suficiente para acompanhar a demanda crescente.

No Brasil, a transformação também é visível. Segundo estudo da consultoria Arizton Advisory & Intelligence, o mercado brasileiro de data centers movimentou aproximadamente US$ 6,7 bilhões em 2025, se consolidando como principal hub de infraestrutura digital da América Latina, pela presença de hyperscalers globais, expansão da computação em nuvem e crescimento das aplicações de inteligência artificial..

Para os especialistas em M&A, esse cenário cria uma nova dinâmica de mercado.

“Estamos vendo uma mudança estrutural nas teses de investimento. Durante muitos anos, o valor estava concentrado no software. Agora, o mercado passou a olhar para a infraestrutura que sustenta esse software. Data centers, conectividade, energia e todos os seus adjacentes se tornaram ativos estratégicos”, afirma Grisotto.

O apetite dos investidores pela infraestrutura que sustenta a inteligência artificial já produziu operações históricas. Em 2025, a Aligned Data Centers foi vendida por cerca de US$ 40 bilhões em uma transação considerada a maior da história do setor, reunindo investidores diretamente ligados ao ecossistema global de IA.

Outro marco foi a aquisição da plataforma asiática de data centers AirTrunk pela Blackstone e parceiros por cerca de US$ 16,1 bilhões, operação frequentemente citada como um divisor de águas para o mercado global de infraestrutura digital.

Em maio de 2026, a gestora I Squared Capital adquiriu dez data centers da Cogent nos Estados Unidos por US$ 225 milhões e anunciou mais US$ 1 bilhão para expansão e novas aquisições.

E para sustentar os Data Centers e toda a utilização da IA, precisa-se de energia. A Agência Internacional de Energia estima que a geração elétrica destinada a abastecer data centers deverá ultrapassar 1.000 TWh em 2030, contra cerca de 460 TWh registrados em 2024. Renováveis, gás natural e energia nuclear aparecem como as principais fontes para atender essa nova demanda.

Dados da IEA mostram que o consumo de energia dos data centers cresceu 17% apenas em 2025, enquanto a demanda dos centros dedicados à inteligência artificial avançou ainda mais rapidamente.

Apenas nos Estados Unidos, a Administração de Informação de Energia (EIA) projeta novos recordes de consumo elétrico em 2026 e 2027, impulsionados principalmente pela expansão de data centers voltados à inteligência artificial. Pela primeira vez na história, o consumo comercial de energia deve superar o residencial no país.

Segundo Jefferson Nesello, em várias regiões do mundo, a disponibilidade energética já se tornou fator decisivo para a escolha de novos investimentos.

No Brasil, o tema também ganha relevância, embora com características próprias. A matriz elétrica nacional, fortemente baseada em fontes renováveis, tornou-se um diferencial competitivo importante para atrair investimentos internacionais. Além disso, a abundância de recursos energéticos e a posição geográfica favorável colocam o país em destaque na América Latina.

“Quando falamos de energia, não estamos olhando apenas para as grandes geradoras. Existem oportunidades relevantes em eficiência energética, geração distribuída, infraestrutura elétrica e soluções que permitam suportar a expansão dos data centers. É um mercado que tende a ganhar cada vez mais protagonismo nas discussões de M&A”, avalia o diretor da Zaxo.

Gustavo Lorenci já integrava o time desde 2023

Executivo é formado em direito e engenharia civil

A Zaxo M&A Partners, de Curitiba, anunciou a entrada de Gustavo Lorenci como novo sócio da empresa. Com 12 anos de experiência no ambiente corporativo, o executivo construiu sua trajetória em posições de liderança em uma companhia de atuação nacional, na qual participou da operação de sua venda para uma multinacional, em uma transação superior a R$ 100 milhões. Lorenci também participa como acionista e conselheiro de uma holding com presença nos setores de agronegócio, energia, incluindo geração e transmissão, e real estate, com operações no Brasil e nos Estados Unidos.

Com formação em direito e engenharia civil, pós-graduação em ESG e atualmente cursando mestrado em economia pela FGV-EESP, o novo sócio combina repertório técnico e visão de mercado. A companhia atua assessorando empresas tanto no sell side, quando estão procurando uma oportunidade de venda, quanto no buy side, quando buscam ativos para adquirir ou investir.

A Zaxo M&A Partners, de Curitiba, anunciou a entrada de Gustavo Lorenci como novo sócio da empresa. Com 12 anos de experiência no ambiente corporativo, o executivo construiu sua trajetória em posições de liderança em uma companhia de atuação nacional, na qual participou da operação de sua venda para uma multinacional, em uma transação superior a R$ 100 milhões. Lorenci também participa como acionista e conselheiro de uma holding com presença nos setores de agronegócio, energia, incluindo geração e transmissão, e real estate, com operações no Brasil e nos Estados Unidos.

Com formação em direito e engenharia civil, pós-graduação em ESG e atualmente cursando mestrado em economia pela FGV-EESP, o novo sócio combina repertório técnico e visão de mercado. A companhia atua assessorando empresas tanto no sell side, quando estão procurando uma oportunidade de venda, quanto no buy side, quando buscam ativos para adquirir ou investir.

Infraestrutura para IA movimenta US$ 69 bilhões e lidera nova onda de aquisições. Expansão dos data centers no País e da demanda por energia limpa coloca ativos físicos no centro das estratégias globais de investimento.

Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, boutique especializada em fusões e aquisições que já participou de mais de 140 projetos, acumulando mais de R$ 7,5 bilhões em transações estruturadas, diz que o mercado percebeu que a inteligência artificial não depende apenas de algoritmos.

"Ela exige uma infraestrutura gigantesca para funcionar. Quem controla energia, processamento, conectividade e armazenamento passa a ocupar uma posição estratégica na nova economia digital”, afirmou.

Expansão dos data centers no País e da demanda por energia limpa coloca ativos físicos no centro das estratégias globais de investimento

Além dos data centers. toda a cadeia de fornecimento associada à infraestrutura digital se tornou alvo de aquisições

A inteligência artificial está promovendo uma mudança profunda no mercado global de fusões e aquisições. Depois de anos em que empresas de software, plataformas digitais e startups dominaram as atenções de investidores, o foco agora se desloca para os ativos responsáveis por sustentar a expansão da nova economia digital. Energia, capacidade computacional, conectividade e armazenamento passaram a ocupar posição central nas estratégias de crescimento de fundos, grupos estratégicos e grandes corporações.

A transformação reflete uma nova compreensão do mercado sobre onde estará a geração de valor nos próximos anos. Mais do que desenvolver algoritmos, a disputa passou a envolver o controle da infraestrutura necessária para operá-los em larga escala.

“O mercado percebeu que a inteligência artificial não depende apenas de algoritmos. Ela exige uma infraestrutura gigantesca para funcionar. Quem controla energia, processamento, conectividade e armazenamento passa a ocupar uma posição estratégica na nova economia digital”, afirma Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, boutique especializada em fusões e aquisições que já participou de mais de 140 projetos, acumulando mais de R$ 7,5 bilhões em transações estruturadas.

A mudança já altera o mapa global de M&A. Data centers, fabricantes de componentes eletrônicos, fornecedores de infraestrutura elétrica, empresas de conectividade, sistemas de refrigeração e soluções de automação passaram a integrar as principais teses de investimento ligadas ao crescimento da inteligência artificial.

Segundo Nesello, o interesse não está restrito aos operadores de data centers. Toda a cadeia de fornecimento associada à infraestrutura digital se tornou potencial alvo de aquisições.

“Hoje, um investidor interessado em IA não olha apenas para os operadores de data centers. Existe uma cadeia inteira de empresas que se beneficia desse crescimento, desde fabricantes de painéis elétricos e sistemas de climatização até soluções de automação, monitoramento e eficiência energética”, disse.

Para o executivo, o momento guarda semelhanças com a histórica corrida do ouro do século XIX.

“A lógica lembra a corrida do ouro do século XIX. Nem sempre quem mais ganhou foi quem encontrou ouro, mas quem vendeu as pás, as ferramentas e a infraestrutura necessária para a exploração. A inteligência artificial está criando um fenômeno semelhante”, afirmou.

Os números ajudam a dimensionar o movimento. Dados da S&P Global Market Intelligence mostram que o mercado de data centers registrou em 2025 o maior volume de fusões e aquisições de sua história. Foram mais de US$ 69 bilhões movimentados em 113 transações concluídas ao longo do ano.

Para Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners, a inteligência artificial inaugura um novo ciclo de consolidação empresarial semelhante aos observados anteriormente em setores como telecomunicações, internet, comércio eletrônico e computação em nuvem.

“Historicamente, os grandes ciclos de fusões e aquisições acompanham transformações estruturais da economia. Foi assim com telecomunicações, internet, e-commerce e computação em nuvem. A inteligência artificial parece estar inaugurando um novo capítulo. Para investidores, fundos e empresas em busca de crescimento, a pergunta já não é mais quem desenvolverá a próxima inteligência artificial, mas sim quem controlará a infraestrutura necessária para alimentá-la”, destacou.

Data centers se tornam ativos estratégicos

O avanço da inteligência artificial acelerou ainda mais a valorização dos data centers. Estudo da White & Case aponta que esses empreendimentos estão entre os ativos imobiliários e de infraestrutura de maior crescimento no mundo. Impulsionado pela computação em nuvem, pela IA e pela digitalização da economia, o setor deverá expandir sua capacidade global em cerca de 15% ao ano nos próximos anos.

Mesmo assim, especialistas avaliam que a oferta pode não acompanhar o ritmo de crescimento da demanda.

No Brasil, o cenário segue a mesma direção. Levantamento da consultoria Arizton Advisory & Intelligence estima que o mercado brasileiro de data centers movimentou aproximadamente US$ 6,7 bilhões em 2025. O país consolidou sua posição como principal polo de infraestrutura digital da América Latina, impulsionado pela presença de hyperscalers globais, pela expansão da computação em nuvem e pelo crescimento das aplicações de inteligência artificial.

“Estamos vendo uma mudança estrutural nas teses de investimento. Durante muitos anos, o valor estava concentrado no software. Agora, o mercado passou a olhar para a infraestrutura que sustenta esse software. Data centers, conectividade, energia e todos os seus adjacentes se tornaram ativos estratégicos”, afirmou Grisotto.

A corrida por ativos ligados à inteligência artificial já resultou em operações históricas. Em 2025, a Aligned Data Centers foi adquirida por cerca de US$ 40 bilhões em uma transação considerada a maior já realizada no setor. No mesmo período, a plataforma asiática AirTrunk foi comprada pela Blackstone e parceiros por aproximadamente US$ 16,1 bilhões, em um negócio frequentemente citado como um divisor de águas para o mercado global de infraestrutura digital.

Mais recentemente, em maio de 2026, a gestora I Squared Capital adquiriu dez data centers da Cogent nos Estados Unidos por US$ 225 milhões e anunciou um plano adicional de investimentos de US$ 1 bilhão para expansão e novas aquisições.

Energia ganha protagonismo

O crescimento acelerado dos data centers também elevou a importância do setor energético dentro das teses de investimento. Afinal, a expansão da inteligência artificial depende diretamente da disponibilidade de energia elétrica em larga escala.

Estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam que o consumo de eletricidade destinado aos data centers deverá superar 1.000 TWh em 2030, mais que o dobro dos cerca de 460 TWh registrados em 2024. Fontes renováveis, gás natural e energia nuclear aparecem como as principais alternativas para suprir essa demanda.

Segundo a agência, o consumo energético dos data centers cresceu 17% apenas em 2025, enquanto os centros dedicados à inteligência artificial avançaram em ritmo ainda mais acelerado.

Nos Estados Unidos, projeções da Administração de Informação de Energia (EIA) indicam novos recordes de consumo elétrico em 2026 e 2027. Pela primeira vez na história, a demanda comercial por eletricidade deverá superar a residencial, impulsionada principalmente pela expansão dos data centers voltados à IA.

“Em diversas regiões do mundo, a disponibilidade de energia já se tornou um fator decisivo para a instalação de novos data centers. Em alguns casos, a capacidade energética disponível vale tanto quanto a localização do empreendimento”, ressaltou Nesello.

No Brasil, a discussão ganha contornos particulares. A forte participação das fontes renováveis na matriz elétrica nacional passou a ser vista como um diferencial competitivo relevante para atrair investimentos internacionais ligados à infraestrutura digital.

“O Brasil reúne características muito atrativas para esse novo ciclo de investimentos. Temos uma matriz predominantemente renovável, oferta energética relevante e uma posição geográfica estratégica para atender a demanda da América Latina”, avaliou o executivo.

Além das grandes geradoras, especialistas identificam oportunidades em segmentos como eficiência energética, geração distribuída, infraestrutura elétrica e soluções voltadas à ampliação da capacidade operacional dos data centers.

Para Nesello, o movimento ainda está em seus estágios iniciais e deverá continuar alimentando uma intensa atividade de fusões e aquisições nos próximos anos.

“Estamos observando uma mudança estrutural nas teses de investimento. Durante décadas, o valor esteve concentrado no software. Agora, o mercado passou a enxergar que a infraestrutura é tão importante quanto a aplicação. Esse movimento deve continuar impulsionando operações de M&A nos próximos anos”, acrescentou.

Com a inteligência artificial avançando rapidamente para aplicações comerciais em larga escala, a infraestrutura necessária para mantê-la operando tornou-se um dos ativos mais valiosos da economia global. Na nova corrida tecnológica, o prêmio já não está apenas nos algoritmos, mas na capacidade de fornecer energia, processamento e conectividade para alimentá-los.

Por Jefferson Nesello, Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners

Recentemente, em uma reportagem sobre o avanço das fusões e aquisições no Brasil, destaquei que o movimento de M&A no middle market é, em grande parte, uma forma de “comprar tempo e deixar de ser solitário”.

Essa frase resume uma realidade que tenho acompanhado de perto: o empresário brasileiro constrói muito sozinho, mas cresce de forma exponencial quando estrutura sua empresa para atrair parceiros, investidores ou compradores estratégicos.

E expande, mais ainda, quando percebe que as ferramentas de M&A, no buy side por exemplo, são formas extremamente relevantes de ganhar espaço e acelerar a execução da estratégia – qualquer que ela seja – por parte de quem compra.

E é justamente nesse ponto que a Governança Corporativa passa a ser prática.

O tripé formado por inovação, governança e resiliência tem se mostrado essencial para médias empresas que desejam atrair capital e crescer com consistência. Na prática, vejo esse tripé como um sistema interdependente, mas com um detalhe importante: a governança é a engrenagem que organiza e viabiliza os demais pilares.

No middle market, empresas com faturamento relevante e grande potencial de expansão, a governança ainda é, frequentemente, subestimada. Porém, quando analisamos os deals que avançam versus aqueles que travam na due diligence por exemplo, a diferença quase sempre está na qualidade da estrutura de gestão, nos controles, nos acordos societários pré-existentes (e não aqueles celebrados “na calada da noite”, simplesmente pra tentar viabilizar a transação), clareza estratégica e capacidade de reporte.

Governança não é burocracia, é previsibilidade. E previsibilidade reduz risco, e risco é o principal fator que impacta valuation.

Atuando há anos com assessoria em M&A para empresas do middle market, tenho observado um padrão muito claro: empresas que estruturam governança antes de ir ao mercado capturam mais valor, financeiro e estratégico. E, por vezes, não apenas aumentam o seu valuation, mas claramente a governança – muitas vezes –  simplesmente viabiliza que a transação aconteça.

Quando falamos em governança prática, estamos falando de colegiados ativos e realmente operantes no apoio à gestão: conselho consultivo ou de administração; comitês temáticos de acordo com o momento e a estratégia do negócio; acordo de sócios bem estruturado; separação clara entre patrimônio pessoal e empresarial; indicadores financeiros consistentes e auditáveis; planejamento estratégico formalizado; política clara de distribuição de resultados e reinvestimento, entre outros temas.

Uma base importante para estruturar este processo parte de John Davis (dos maiores especialistas mundiais em empresas familiares e governança, foi professor da Harvard Business School por mais de 30 anos), que criou um dos frameworks mais importantes para compreender a dinâmica de empresas familiares e sua governança:

No círculo da Família, navega-se em temas como: sucessão, valores e cultura familiar, educação das gerações, conflitos, legado e dividendos – podendo estabelecer um Protocolo de Família e muitas vezes um Conselho de Família também.

No círculo da Propriedade, trabalha-se com os temas de: acordos societários, políticas de distribuição de lucro, estratégias de longo prazo, geração de liquidez e entrada e saída de acionistas, entre outros temas.

Já no círculo Empresa, trata-se os assuntos da gestão & metas, time executivo, performance do negócio, compliance e a própria governança e constituição de conselho (consultivo ou de administração, por exemplo).

Em processos de venda parcial ou integral, esses elementos reduzem incertezas, encurtam negociações e ampliam o interesse de investidores financeiros e estratégicos, tanto nacionais quanto internacionais.

Sem governança, a empresa depende do fundador, com governança, a empresa passa a ser um ativo escalável.

Muito se fala sobre ESG, mas há uma inversão silenciosa acontecendo: o “G”, apesar de ser o último da sigla, é o primeiro na prática.

É a governança que define como métricas ambientais serão acompanhadas; como políticas sociais serão implementadas; como riscos reputacionais serão mitigados; e como decisões estratégicas serão tomadas com responsabilidade.

Sem estrutura decisória clara, sem prestação de contas e sem alinhamento entre sócios, qualquer agenda ambiental ou social se fragiliza.

No middle market, especialmente em empresas familiares ou de primeira geração, a profissionalização da governança é o divisor entre negócios que se perpetuam e negócios que se estagnam.

O mercado brasileiro de M&A demonstra que o movimento de consolidação é estrutural. Empresas médias estão sendo cada vez mais procuradas porque carregam conhecimento técnico, relevância regional e nichos consolidados. Porém, apenas aquelas que combinam inovação, governança e resiliência conseguem converter interesse em transação efetiva.

Governança, no fundo, é um exercício de visão de longo prazo. Ela permite atrair capital, preparar sucessão, reduzir dependência do(a) fundador(a), organizar crescimento não-orgânico e, principalmente, garantir continuidade.

Tenho defendido que o empresário brasileiro precisa deixar de ver governança como custo e passar a enxergá-la como investimento estratégico. Não apenas para vender — mas para valer mais, crescer melhor e durar mais.

E, para o middle market que deseja acelerar expansão, acessar novos sócios ou estruturar um futuro sustentável, ela é o ponto de partida.

Por Jefferson Nesello, Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas a pedido do canal Conversas Sustentáveis

Recentemente, em uma reportagem sobre o avanço das fusões e aquisições no Brasil, destaquei que o movimento de M&A no middle market é, em grande parte, uma forma de “comprar tempo e deixar de ser solitário”. Essa frase resume uma realidade que tenho acompanhado de perto: o empresário brasileiro constrói muito sozinho, mas cresce de forma exponencial quando estrutura sua empresa para atrair parceiros, investidores ou compradores estratégicos. E expande, mais ainda, quando percebe que as ferramentas de M&A, no buy side por exemplo, são formas extremamente relevantes de ganhar espaço e acelerar a execução da estratégia – qualquer que ela seja – por parte de quem compra.

E é justamente nesse ponto que a Governança Corporativa passa a ser prática.

O tripé formado por inovação, governança e resiliência tem se mostrado essencial para médias empresas que desejam atrair capital e crescer com consistência. Na prática, vejo esse tripé como um sistema interdependente, mas com um detalhe importante: a governança é a engrenagem que organiza e viabiliza os demais pilares.

No middle market, empresas com faturamento relevante e grande potencial de expansão, a governança ainda é, frequentemente, subestimada. Porém, quando analisamos os deals que avançam versus aqueles que travam na due diligence por exemplo, a diferença quase sempre está na qualidade da estrutura de gestão, nos controles, nos acordos societários pré-existentes (e não aqueles celebrados “na calada da noite”, simplesmente pra tentar viabilizar a transação), clareza estratégica e capacidade de reporte.

Governança não é burocracia, é previsibilidade. E previsibilidade reduz risco, e risco é o principal fator que impacta valuation.

Atuando há anos com assessoria em M&A para empresas do middle market, tenho observado um padrão muito claro: empresas que estruturam governança antes de ir ao mercado capturam mais valor, financeiro e estratégico. E, por vezes, não apenas aumentam o seu valuation, mas claramente a governança – muitas vezes –  simplesmente viabiliza que a transação aconteça.

Quando falamos em governança prática, estamos falando de colegiados ativos e realmente operantes no apoio à gestão: conselho consultivo ou de administração; comitês temáticos de acordo com o momento e a estratégia do negócio; acordo de sócios bem estruturado; separação clara entre patrimônio pessoal e empresarial; indicadores financeiros consistentes e auditáveis; planejamento estratégico formalizado; política clara de distribuição de resultados e reinvestimento, entre outros temas.

Uma base importante para estruturar este processo parte de John Davis (dos maiores especialistas mundiais em empresas familiares e governança, foi professor da Harvard Business School por mais de 30 anos), que criou um dos frameworks mais importantes para compreender a dinâmica de empresas familiares e sua governança:

No círculo da Família, navega-se em temas como: sucessão, valores e cultura familiar, educação das gerações, conflitos, legado e dividendos – podendo estabelecer um Protocolo de Família e muitas vezes um Conselho de Família também. No círculo da Propriedade, trabalha-se com os temas de: acordos societários, políticas de distribuição de lucro, estratégias de longo prazo, geração de liquidez e entrada e saída de acionistas, entre outros temas. Já no círculo Empresa, trata-se os assuntos da gestão & metas, time executivo, performance do negócio, compliance e a própria governança e constituição de conselho (consultivo ou de administração, por exemplo).

Em processos de venda parcial ou integral, esses elementos reduzem incertezas, encurtam negociações e ampliam o interesse de investidores financeiros e estratégicos, tanto nacionais quanto internacionais.

Sem governança, a empresa depende do fundador, com governança, a empresa passa a ser um ativo escalável.

Muito se fala sobre ESG, mas há uma inversão silenciosa acontecendo: o “G”, apesar de ser o último da sigla, é o primeiro na prática.

É a governança que define como métricas ambientais serão acompanhadas; como políticas sociais serão implementadas; como riscos reputacionais serão mitigados; e como decisões estratégicas serão tomadas com responsabilidade.

Sem estrutura decisória clara, sem prestação de contas e sem alinhamento entre sócios, qualquer agenda ambiental ou social se fragiliza.

No middle market, especialmente em empresas familiares ou de primeira geração, a profissionalização da governança é o divisor entre negócios que se perpetuam e negócios que se estagnam.

O mercado brasileiro de M&A demonstra que o movimento de consolidação é estrutural. Empresas médias estão sendo cada vez mais procuradas porque carregam conhecimento técnico, relevância regional e nichos consolidados. Porém, apenas aquelas que combinam inovação, governança e resiliência conseguem converter interesse em transação efetiva.

Governança, no fundo, é um exercício de visão de longo prazo. Ela permite atrair capital, preparar sucessão, reduzir dependência do(a) fundador(a), organizar crescimento não-orgânico e, principalmente, garantir continuidade.

Tenho defendido que o empresário brasileiro precisa deixar de ver governança como custo e passar a enxergá-la como investimento estratégico. Não apenas para vender — mas para valer mais, crescer melhor e durar mais.

E, para o middle market que deseja acelerar expansão, acessar novos sócios ou estruturar um futuro sustentável, ela é o ponto de partida.

Depois da compra da chinesa Manus pelo grupo Meta, movimento de M&A envolvendo players do setor passa a ser observado com mais atenção pelo mercado; especialista explica

WhatsApp, Instagram e Facebook consolidaram-se como uma das negociações mais relevantes do mercado global de fusões e aquisições (M&A) no ano. Para analistas, no entanto, o movimento está longe de ser um caso isolado e reflete uma tendência mais ampla de consolidação estratégica no setor de tecnologia.

“Há um movimento de fusões e aquisições no mercado de tecnologia como estratégia para alavancar negócios. Empresas que partem para a compra, como a Meta, objetivam adquirir algoritmos, talentos e competências, que se tornam ativos importantes, acelerando seus departamentos de inovação sem desenvolver do zero”, observa o administrador Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo, boutique de M&A.

Ou seja, o movimento de M&A passa a se configurar como ferramenta para agregar competências e funcionalidades tecnológicas que a empresa não dispõe internamente, mas que são vistas como impulsionadoras. Segundo o especialista, esse movimento se intensificou com a difusão de tecnologias de inteligência artificial.

Segundo um estudo da Bain & Company, o M&A em tecnologia atingiu crescimento superior a 76% no valor das transações, alcançando US$ 478 bilhões no acumulado do ano. Quase metade do valor estratégico de negócios acima de US$ 500 milhões envolveu empresas nativas de IA ou citou benefícios ligados à IA.

Ainda de acordo com o levantamento, no último ano houve forte mudança para “scope deals”, aquisições voltadas à expansão em novos mercados e segmentos de clientes, em vez de “scale deals”, focados apenas em ampliar operações existentes. Cerca de 60% das transações acima de US$ 1 bilhão foram classificadas como de escopo, o maior índice já registrado, refletindo foco em crescimento de receita e aquisição de novas capacidades.

Contudo, de acordo com Grisotto, não só grandes empresas, como também aquelas de médio porte, têm adotado essa estratégia. “Apesar de a maioria dos negócios envolver valores acima de US$ 5 bilhões, internamente, no Brasil, também temos exemplos, e o movimento se apresenta como tendência do mercado nacional de M&A”, frisa.

No país, as fusões e aquisições envolvendo players do setor de tecnologia abrangem principalmente desenvolvedoras de softwares como serviço, plataformas de gestão empresarial, inteligência artificial e organizações de cibersegurança. “Empresas que precisam intensificar e acelerar sua digitalização optam por adquirir soluções consolidadas, em vez de começar do zero nesse processo”, pontua o executivo da Zaxo M&A Partners.

A inovação proporcionada pelas novas tecnologias, competências e talentos incorporados com o processo de M&A, junto com governança e capacidade de resiliência, torna-se, na avaliação do especialista, alicerce para empresas que buscam expansão acelerada, mas sustentável.

“O M&A cada vez mais é entendido como um caminho estratégico para o crescimento de uma organização. Isso da perspectiva ‘buy’ (de quem deseja comprar). Do ponto de vista ‘build’, o M&A estimula o desenvolvimento interno de inovações, inclusive. Para médias empresas, isso é ainda mais relevante”, ilustra Grisotto.

Além disso, muitas vezes a aquisição tem caráter defensivo, ou seja, evitar que um concorrente incorpore determinada tecnologia, equipe ou base de clientes pode ser tão estratégico quanto expandir portfólio. “Nesses casos, comprar passa a ser uma forma de proteger posicionamento, garantir acesso à inovação e bloquear movimentos adversários. Na prática, isso torna o ambiente mais dinâmico e competitivo: empresas que não acompanham o ritmo de consolidação tendem a perder relevância, enquanto grupos capitalizados aceleram sua capacidade de entrega e de escala”, completa o executivo.

O mercado global de fusões e aquisições em tecnologia registrou crescimento superior a 70% no valor das transações neste ano, somando US$ 478 bilhões, segundo levantamento da consultoria Bain & Company.

O avanço acompanha o movimento de consolidação do setor após operações como a compra da chinesa Manus pelo grupo Meta, controlador de WhatsApp, Instagram e Facebook.

Conforme o estudo, quase metade do valor estratégico de negócios acima de US$ 500 milhões envolveu empresas nativas de inteligência artificial ou citou benefícios ligados à tecnologia. Para analistas, o caso da Meta está longe de ser isolado e reflete tendência mais ampla de consolidação estratégica no setor.

IndicadorNúmero em 2026Variação anual
Valor total de M&A globalUS$ 4,8 trilhões+36%
Valor de M&A em tecnologiaUS$ 478 bilhões+76%
Negócios acima de US$ 500 milhões ligados a IAQuase metade do valor estratégicoMaior índice já registrado
Transações acima de US$ 1 bilhão classificadas como scope deals60%Maior índice já registrado
M&A em infraestrutura de IA (data centers)US$ 69 bilhões em 113 transaçõesRecorde histórico em 2025

Fusões buscam talento e tecnologia pronta

Segundo o administrador Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo, boutique de M&A, o movimento de fusões e aquisições no mercado de tecnologia funciona como estratégia para alavancar negócios. Para ele, empresas compradoras buscam algoritmos, talentos e competências, ativos que aceleram departamentos de inovação sem a necessidade de desenvolvimento interno.

Grisotto afirma que esse comportamento se intensificou com a difusão de tecnologias de inteligência artificial, que passaram a ocupar papel central nas teses de aquisição em todo o mundo.

Negócios de escopo superam os de escala

O levantamento da Bain & Company aponta ainda mudança relevante no perfil das transações. No último ano, houve avanço dos chamados scope deals, voltados à expansão em novos mercados e segmentos de clientes, em detrimento dos scale deals, focados apenas em ampliar operações já existentes.

Cerca de 60% das transações acima de US$ 1 bilhão foram classificadas como de escopo, o maior índice já registrado pelo estudo. O resultado reflete o foco das empresas em crescimento de receita e aquisição de novas capacidades tecnológicas.

Movimento também avança entre médias empresas

De acordo com Grisotto, a estratégia não se limita a grandes corporações. Embora a maioria dos negócios envolva valores acima de US$ 5 bilhões, o especialista observa exemplos semelhantes também no Brasil, em operações de menor porte.

No país, as fusões e aquisições no setor de tecnologia abrangem principalmente desenvolvedoras de softwares como serviço, plataformas de gestão empresarial, soluções de inteligência artificial e empresas de cibersegurança.

Para Grisotto, organizações que precisam acelerar a digitalização tendem a optar por adquirir soluções já consolidadas, em vez de desenvolvê-las internamente.

Aquisições também têm caráter defensivo

Grisotto destaca que parte das operações tem motivação defensiva, voltada a evitar que concorrentes incorporem determinada tecnologia, equipe ou base de clientes. Segundo ele, comprar passa a ser uma forma de proteger posicionamento de mercado e bloquear movimentos de rivais.

Para o especialista, esse comportamento torna o ambiente competitivo mais dinâmico. Empresas que não acompanham o ritmo de consolidação tendem a perder espaço, enquanto grupos mais capitalizados ampliam capacidade de entrega e de escala no mercado global de tecnologia.

Por Leonardo Grisotto, Co-Fundador e Sócio da ZAXO M&A Partners

A sustentabilidade foi tratada por muito tempo como narrativa, algo importante para reputação, para marca, para relacionamento com o cliente. Em 2026, ela atravessa essa fronteira e passa a ocupar outro lugar: o da análise financeira. Não como conceito, mas como variável concreta que entra na conta, influencia o valuation e, em alguns casos, define se uma compra ou venda acontece ou não.

Não estamos falando mais de empresas “verdinhas” como uma categoria simpática ou alinhada com branding. Estamos falando de ativos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e, principalmente, sustentam valor no longo prazo. Em um ambiente de capital mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, isso muda completamente a lógica no mercado de M&A.

Os dados ajudam a tirar essa discussão do campo da percepção. Segundo levantamento da Intel Market Research, cerca de 62% das operações de M&A já incluem cláusulas de due diligence ESG, enquanto 78% das instituições financeiras exigem esses critérios para aprovação de investimentos, um indicativo da incorporação crescente desses critérios à estrutura das transações e que virou porta de entrada do capital.

Em 2026, cerca de um terço das transações globais de M&A já incorpora critérios ESG de forma estruturada, não como discurso, mas como determinante de valuation, da estrutura do deal e da decisão final. Em setores como energia, infraestrutura e indústria exportadora, isso já é praticamente regra.

E essa mudança não aconteceu porque o mercado “ficou mais consciente”. O capital ficou mais criterioso. Uma empresa que consome menos energia, que tem cadeia rastreável, que não carrega passivo ambiental oculto e que opera com governança consistente é, por definição, menos arriscada. E risco, em M&A, tem preço. Já vimos operações avançadas perderem tração por inconsistência em dados ambientais ou fragilidade de governança. Não porque o tema virou prioridade de discurso, mas porque passou a ser indicador de risco.

Empresas com práticas sustentáveis bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e, principalmente, avançar mais rápido nos processos. Quem já esteve em uma diligência sabe que tempo também é ativo. Quanto mais incerteza, mais perguntas. Quanto mais perguntas, mais demora. Sustentabilidade, quando bem estruturada, reduz esse atrito.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a penalizar, de forma direta, empresas que não conseguem comprovar suas práticas. Esse impacto nem sempre aparece de forma explícita, mas é facilmente percebido ao longo da negociação. Ele surge na revisão do valuation após a diligência, quando inconsistências reduzem o preço; aparece em contratos mais rígidos, com mais garantias e obrigações; nas exigências adicionais para mitigar riscos e, em alguns casos, leva simplesmente à desistência do investidor antes do fechamento.

Isso também explica por que ficou mais fácil separar quem faz de quem só comunica. Em 2026, não existe mais espaço para o chamado “ESG de PowerPoint”. O que sustenta uma negociação é dado consistente, histórico confiável e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera.

E a pressão não vem de um único lado. Existe uma leitura comum de que essa agenda é puxada pelo consumidor, mas o que temos observado é um movimento mais estrutural. Grandes empresas estão exigindo padrões mais elevados de seus fornecedores. Fundos estão condicionando a alocação de capital a critérios claros. Reguladores, no Brasil e fora, estão aumentando o nível de exigência. O resultado é um efeito cascata que reorganiza cadeias inteiras.

Alguns setores já operam sob essa lógica há mais tempo, especialmente aqueles com maior exposição internacional, como energia, infraestrutura e agronegócio exportador. Outros ainda estão em transição, mas a direção é a mesma. Não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

No Brasil, esse descompasso ainda é evidente. As empresas estão em estágios muito diferentes quando o assunto é estruturação e mensuração de práticas sustentáveis, pois faltam padrões claros, consistência de dados e integração com a estratégia do negócio. Mas é justamente aí que surge uma vantagem competitiva concreta. Quem consegue organizar essa agenda com método e evidência passa a se diferenciar rapidamente em processos de M&A, inclusive na disputa por capital estrangeiro. Para empresas menores, isso deixa de ser um obstáculo e passa a ser um vetor direto de valorização.

Quando eu digo que 2026 é o ano de caçar empresas sustentáveis, não estou falando de tendência. Estou falando de estratégia. Em um mercado mais seletivo, adquirir uma empresa com práticas ESG maduras significa incorporar eficiência, reduzir risco de integração e evitar passivos que só aparecem depois do fechamento. Isso tem impacto direto no retorno.

E talvez esse seja o ponto mais importante: sustentabilidade passou a ser sobre desempenho. Não é algo que entra depois, no pós-aquisição, como ajuste. Ela já entra na decisão, na modelagem do negócio e na forma como o crescimento é construído.

A pergunta que ainda aparece é se essa agenda resiste a ciclos  econômicos mais duros. A minha leitura é que sim. Porque, no fundo, ela já deixou de ser agenda. Virou critério. Estamos falando de eficiência, previsibilidade e sobrevivência no longo prazo.

Depois da compra da chinesa Manus pelo grupo Meta, movimento de M&A envolvendo players do setor passa a ser observado com mais atenção pelo mercado.

WhatsApp, Instagram e Facebook consolidaram-se “como uma das negociações mais relevantes do mercado global de fusões e aquisições (M&A) no ano”.

Para analistas, no entanto, o movimento está longe de ser um caso isolado e reflete uma tendência mais ampla de consolidação estratégica no setor de tecnologia.

“Há um movimento de fusões e aquisições no mercado de tecnologia como estratégia para alavancar negócios. Empresas que partem para a compra, como a Meta, objetivam adquirir algoritmos, talentos e competências, que se tornam ativos importantes, acelerando seus departamentos de inovação sem desenvolver do zero”, observa o administrador Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo, boutique de M&A.

Ou seja, o movimento de M&A passa a se configurar como ferramenta para agregar competências e funcionalidades tecnológicas que a empresa não dispõe internamente, mas que são vistas como impulsionadoras. Segundo o especialista, esse movimento se intensificou com a difusão de tecnologias de inteligência artificial.

Segundo um estudo da Bain & Company, o M&A em tecnologia atingiu crescimento superior a 76% no valor das transações, alcançando US$ 478 bilhões no acumulado do ano.

Quase metade do valor estratégico de negócios acima de US$ 500 milhões envolveu empresas nativas de IA ou citou benefícios ligados à IA.

Ainda de acordo com o levantamento, no último ano houve forte mudança para “scope deals”, aquisições voltadas à expansão em novos mercados e segmentos de clientes, em vez de “scale deals”, focados apenas em ampliar operações existentes. Cerca de 60% das transações acima de US$ 1 bilhão foram classificadas como de escopo, o maior índice já registrado, refletindo foco em crescimento de receita e aquisição de novas capacidades.

Contudo, de acordo com Grisotto, não só grandes empresas, como também aquelas de médio porte, têm adotado essa estratégia.

“Apesar de a maioria dos negócios envolver valores acima de US$ 5 bilhões, internamente, no Brasil, também temos exemplos, e o movimento se apresenta como tendência do mercado nacional de M&A”, frisa.

No país, as fusões e aquisições envolvendo players do setor de tecnologia abrangem principalmente desenvolvedoras de softwares como serviço, plataformas de gestão empresarial, inteligência artificial e organizações de cibersegurança.

“Empresas que precisam intensificar e acelerar sua digitalização optam por adquirir soluções consolidadas, em vez de começar do zero nesse processo”, pontua o executivo da Zaxo M&A Partners.

A inovação proporcionada pelas novas tecnologias, competências e talentos incorporados com o processo de M&A, junto com governança e capacidade de resiliência, torna-se, na avaliação do especialista, alicerce para empresas que buscam expansão acelerada, mas sustentável.

“O M&A cada vez mais é entendido como um caminho estratégico para o crescimento de uma organização. Isso da perspectiva ‘buy’ (de quem deseja comprar). Do ponto de vista ‘build’, o M&A estimula o desenvolvimento interno de inovações, inclusive. Para médias empresas, isso é ainda mais relevante”, ilustra Grisotto.

Além disso, muitas vezes a aquisição tem caráter defensivo, ou seja, evitar que um concorrente incorpore determinada tecnologia, equipe ou base de clientes pode ser tão estratégico quanto expandir portfólio.

“Nesses casos, comprar passa a ser uma forma de proteger posicionamento, garantir acesso à inovação e bloquear movimentos adversários. Na prática, isso torna o ambiente mais dinâmico e competitivo: empresas que não acompanham o ritmo de consolidação tendem a perder relevância, enquanto grupos capitalizados aceleram sua capacidade de entrega e de escala”, completa o executivo.

No mercado de  fusões e aquisições, o que sustenta uma negociação é histórico confiável, dado consistente e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera. As organizações com práticas de sustentabilidade bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e avançar mais rápido nos processos. Não se trata de discurso, mas sim de estratégia, especialmente útil em ciclos  econômicos mais duros

Por Leonardo Grisotto*

A sustentabilidade foi tratada por muito tempo como um discurso – algo importante para a reputação, a marca e o relacionamento com o cliente. Em 2026, ela atravessa essa fronteira e passa a ocupar outro lugar: o da análise financeira. Não como conceito, mas como variável concreta que entra na conta, influencia o valuation (a valoração) e, em alguns casos, define se uma compra ou venda acontece ou não.

Não estamos falando mais de empresas “verdinhas” como uma categoria simpática ou alinhada com branding. Estamos falando de ativos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e, principalmente, sustentam valor no longo prazo. Em um ambiente de capital mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, isso muda completamente a lógica no mercado de fusões e aquisições (M&A, no acrônimo em inglês).

Os dados ajudam a tirar essa discussão do campo da percepção. Segundo levantamento da Intel Market Research, cerca de 62% das operações de M&A já incluem cláusulas de due diligence ESG, enquanto 78% das instituições financeiras exigem esses critérios para aprovação de  investimentos, um indicativo da incorporação crescente desses critérios à estrutura das transações e que virou porta de entrada do capital. Due diligence é investigação aprofundada realizada antes de uma transação comercial ou investimento. Seu objetivo é identificar riscos, passivos e inconformidades legais.

Em 2026, cerca de um terço das transações globais de M&A já incorpora critérios ESG de forma estruturada, não como discurso, mas como determinante de valuation, da estrutura da negociação e da decisão final. Em setores como energia, infraestrutura e indústria exportadora, isso já é praticamente regra.

E essa mudança não aconteceu porque o mercado “ficou mais consciente”. O capital ficou mais criterioso. Uma empresa que consome menos energia, que tem cadeia rastreável, que não carrega passivo ambiental oculto e que opera com governança consistente é, por definição, menos arriscada. E risco, em M&A, tem preço. Já vimos operações avançadas perderem tração por inconsistência em dados ambientais ou fragilidade de governança. Não porque o tema virou prioridade de discurso, mas porque passou a ser indicador de risco.

Empresas com práticas de sustentabilidade bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e, principalmente, avançar mais rápido nos processos. Quem já esteve em uma diligência sabe que tempo também é ativo. Quanto mais incerteza, mais perguntas. Quanto mais perguntas, mais demora. Sustentabilidade, quando bem estruturada, reduz esse atrito.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a penalizar, de forma direta, empresas que não conseguem comprovar suas práticas. Esse impacto nem sempre aparece de forma explícita, mas é facilmente percebido ao longo da negociação. Ele surge na revisão do valuation após a diligência, quando inconsistências reduzem o preço; aparece em contratos mais rígidos, com mais garantias e obrigações; nas exigências adicionais para mitigar riscos e, em alguns casos, leva simplesmente à desistência do investidor antes do fechamento.

Isso também explica por que ficou mais fácil separar quem faz de quem só comunica. Em 2026, não existe mais espaço para o chamado “ESG de PowerPoint”. O que sustenta uma negociação é dado consistente, histórico confiável e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera.

E a pressão não vem de um único lado. Existe uma leitura comum de que essa agenda é puxada pelo consumidor, mas o que temos observado é um movimento mais estrutural. Grandes empresas estão exigindo padrões mais elevados de seus fornecedores. Fundos estão condicionando a alocação de capital a critérios claros. Reguladores, no Brasil e fora, estão aumentando o nível de exigência. O resultado é um efeito cascata que reorganiza cadeias inteiras.

Alguns setores já operam sob essa lógica há mais tempo, especialmente aqueles com maior exposição internacional, como energia, infraestrutura e agronegócio exportador. Outros ainda estão em transição, mas a direção é a mesma. Não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

No Brasil, esse descompasso ainda é evidente. As empresas estão em estágios muito diferentes quando o assunto é estruturação e mensuração de práticas sustentáveis, pois faltam padrões claros, consistência de dados e integração com a estratégia do negócio. 

Mas é justamente aí que surge uma vantagem competitiva concreta. Quem consegue organizar essa agenda com método e evidência passa a se diferenciar rapidamente em processos de M&A, inclusive na disputa por capital estrangeiro. Para empresas menores, isso deixa de ser um obstáculo e passa a ser um vetor direto de valorização.

Quando eu digo que 2026 é o ano de “caçar” empresas sustentáveis, não estou falando de tendência. Estou falando de estratégia. Em um mercado mais seletivo, adquirir uma empresa com práticas ESG maduras significa incorporar eficiência, reduzir risco de integração e evitar passivos que só aparecem depois do fechamento do negócio. Isso tem impacto direto no retorno.

E talvez esse seja o ponto mais importante: sustentabilidade passou a ser referente a desempenho. Não é algo que entra depois, no pós-aquisição, como ajuste. Ela já entra na decisão, na modelagem do negócio e na forma como o crescimento é construído.

A pergunta que ainda aparece é se essa agenda resiste a ciclos  econômicos mais duros. A minha leitura é que sim. Porque, no fundo, ela já deixou de ser agenda. Virou critério. Estamos falando de eficiência, previsibilidade e sobrevivência no longo prazo.

* Cofundador e sócio da ZAXO M&A Partners

WhatsApp, Instagram e Facebook consolidaram-se como uma das negociações mais relevantes do mercado global de fusões e aquisições (M&A) no ano. Para analistas, no entanto, o movimento está longe de ser um caso isolado e reflete uma tendência mais ampla de consolidação estratégica no setor de tecnologia.

“Há um movimento de fusões e aquisições no mercado de tecnologia como estratégia para alavancar negócios. Empresas que partem para a compra, como a Meta, objetivam adquirir algoritmos, talentos e competências, que se tornam ativos importantes, acelerando seus departamentos de inovação sem desenvolver do zero”, observa o administrador Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo, boutique de M&A.

Ou seja, o movimento de M&A passa a se configurar como ferramenta para agregar competências e funcionalidades tecnológicas que a empresa não dispõe internamente, mas que são vistas como impulsionadoras. Segundo o especialista, esse movimento se intensificou com a difusão de tecnologias de inteligência artificial.

Segundo um estudo da Bain & Company, o M&A em tecnologia atingiu crescimento superior a 76% no valor das transações, alcançando US$ 478 bilhões no acumulado do ano. Quase metade do valor estratégico de negócios acima de US$ 500 milhões envolveu empresas nativas de IA ou citou benefícios ligados à IA.

Ainda de acordo com o levantamento, no último ano houve forte mudança para “scope deals”, aquisições voltadas à expansão em novos mercados e segmentos de clientes, em vez de “scale deals”, focados apenas em ampliar operações existentes. Cerca de 60% das transações acima de US$ 1 bilhão foram classificadas como de escopo, o maior índice já registrado, refletindo foco em crescimento de receita e aquisição de novas capacidades.

Contudo, de acordo com Grisotto, não só grandes empresas, como também aquelas de médio porte, têm adotado essa estratégia. “Apesar de a maioria dos negócios envolver valores acima de US$ 5 bilhões, internamente, no Brasil, também temos exemplos, e o movimento se apresenta como tendência do mercado nacional de M&A”, frisa.

No país, as fusões e aquisições envolvendo players do setor de tecnologia abrangem principalmente desenvolvedoras de softwares como serviço, plataformas de gestão empresarial, inteligência artificial e organizações de cibersegurança. “Empresas que precisam intensificar e acelerar sua digitalização optam por adquirir soluções consolidadas, em vez de começar do zero nesse processo”, pontua o executivo da Zaxo M&A Partners.

A inovação proporcionada pelas novas tecnologias, competências e talentos incorporados com o processo de M&A, junto com governança e capacidade de resiliência, torna-se, na avaliação do especialista, alicerce para empresas que buscam expansão acelerada, mas sustentável.

“O M&A cada vez mais é entendido como um caminho estratégico para o crescimento de uma organização. Isso da perspectiva ‘buy’ (de quem deseja comprar). Do ponto de vista ‘build’, o M&A estimula o desenvolvimento interno de inovações, inclusive. Para médias empresas, isso é ainda mais relevante”, ilustra Grisotto.

Além disso, muitas vezes a aquisição tem caráter defensivo, ou seja, evitar que um concorrente incorpore determinada tecnologia, equipe ou base de clientes pode ser tão estratégico quanto expandir portfólio. “Nesses casos, comprar passa a ser uma forma de proteger posicionamento, garantir acesso à inovação e bloquear movimentos adversários. Na prática, isso torna o ambiente mais dinâmico e competitivo: empresas que não acompanham o ritmo de consolidação tendem a perder relevância, enquanto grupos capitalizados aceleram sua capacidade de entrega e de escala”, completa o executivo.

Depois da compra da chinesa Manus pelo grupo Meta, movimento de M&A envolvendo players do setor passa a ser observado com mais atenção pelo mercado

WhatsApp, Instagram e Facebook consolidaram-se como uma das negociações mais relevantes do mercado global de fusões e aquisições (M&A) no ano. Para analistas, no entanto, o movimento está longe de ser um caso isolado e reflete uma tendência mais ampla de consolidação estratégica no setor de tecnologia.

“Há um movimento de fusões e aquisições no mercado de tecnologia como estratégia para alavancar negócios. Empresas que partem para a compra, como a Meta, objetivam adquirir algoritmos, talentos e competências, que se tornam ativos importantes, acelerando seus departamentos de inovação sem desenvolver do zero”, observa o administrador Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo, boutique de M&A.

Ou seja, o movimento de M&A passa a se configurar como ferramenta para agregar competências e funcionalidades tecnológicas que a empresa não dispõe internamente, mas que são vistas como impulsionadoras. Segundo o especialista, esse movimento se intensificou com a difusão de tecnologias de inteligência artificial.

Segundo um estudo da Bain & Company, o M&A em tecnologia atingiu crescimento superior a 76% no valor das transações, alcançando US$ 478 bilhões no acumulado do ano. Quase metade do valor estratégico de negócios acima de US$ 500 milhões envolveu empresas nativas de IA ou citou benefícios ligados à IA.

Ainda de acordo com o levantamento, no último ano houve forte mudança para “scope deals”, aquisições voltadas à expansão em novos mercados e segmentos de clientes, em vez de “scale deals”, focados apenas em ampliar operações existentes. Cerca de 60% das transações acima de US$ 1 bilhão foram classificadas como de escopo, o maior índice já registrado, refletindo foco em crescimento de receita e aquisição de novas capacidades.

Contudo, de acordo com Grisotto, não só grandes empresas, como também aquelas de médio porte, têm adotado essa estratégia. “Apesar de a maioria dos negócios envolver valores acima de US$ 5 bilhões, internamente, no Brasil, também temos exemplos, e o movimento se apresenta como tendência do mercado nacional de M&A”, frisa.

No país, as fusões e aquisições envolvendo players do setor de tecnologia abrangem principalmente desenvolvedoras de softwares como serviço, plataformas de gestão empresarial, inteligência artificial e organizações de cibersegurança. “Empresas que precisam intensificar e acelerar sua digitalização optam por adquirir soluções consolidadas, em vez de começar do zero nesse processo”, pontua o executivo da Zaxo M&A Partners.

A inovação proporcionada pelas novas tecnologias, competências e talentos incorporados com o processo de M&A, junto com governança e capacidade de resiliência, torna-se, na avaliação do especialista, alicerce para empresas que buscam expansão acelerada, mas sustentável.

“O M&A cada vez mais é entendido como um caminho estratégico para o crescimento de uma organização. Isso da perspectiva ‘buy’ (de quem deseja comprar). Do ponto de vista ‘build’, o M&A estimula o desenvolvimento interno de inovações, inclusive. Para médias empresas, isso é ainda mais relevante”, ilustra Grisotto.

Além disso, muitas vezes a aquisição tem caráter defensivo, ou seja, evitar que um concorrente incorpore determinada tecnologia, equipe ou base de clientes pode ser tão estratégico quanto expandir portfólio. “Nesses casos, comprar passa a ser uma forma de proteger posicionamento, garantir acesso à inovação e bloquear movimentos adversários. Na prática, isso torna o ambiente mais dinâmico e competitivo: empresas que não acompanham o ritmo de consolidação tendem a perder relevância, enquanto grupos capitalizados aceleram sua capacidade de entrega e de escala”, completa o executivo.

Depois da compra da chinesa Manus pelo grupo Meta, movimento de M&A envolvendo players do setor passa a ser observado com mais atenção pelo mercado

WhatsApp, Instagram e Facebook consolidaram-se como uma das negociações mais relevantes do mercado global de fusões e aquisições (M&A) no ano. Para analistas, no entanto, o movimento está longe de ser um caso isolado e reflete uma tendência mais ampla de consolidação estratégica no setor de tecnologia.

“Há um movimento de fusões e aquisições no mercado de tecnologia como estratégia para alavancar negócios. Empresas que partem para a compra, como a Meta, objetivam adquirir algoritmos, talentos e competências, que se tornam ativos importantes, acelerando seus departamentos de inovação sem desenvolver do zero”, observa o administrador Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo, boutique de M&A.

Ou seja, o movimento de M&A passa a se configurar como ferramenta para agregar competências e funcionalidades tecnológicas que a empresa não dispõe internamente, mas que são vistas como impulsionadoras. Segundo o especialista, esse movimento se intensificou com a difusão de tecnologias de inteligência artificial.

Segundo um estudo da Bain & Company, o M&A em tecnologia atingiu crescimento superior a 76% no valor das transações, alcançando US$ 478 bilhões no acumulado do ano. Quase metade do valor estratégico de negócios acima de US$ 500 milhões envolveu empresas nativas de IA ou citou benefícios ligados à IA.

Ainda de acordo com o levantamento, no último ano houve forte mudança para “scope deals”, aquisições voltadas à expansão em novos mercados e segmentos de clientes, em vez de “scale deals”, focados apenas em ampliar operações existentes. Cerca de 60% das transações acima de US$ 1 bilhão foram classificadas como de escopo, o maior índice já registrado, refletindo foco em crescimento de receita e aquisição de novas capacidades.

Contudo, de acordo com Grisotto, não só grandes empresas, como também aquelas de médio porte, têm adotado essa estratégia. “Apesar de a maioria dos negócios envolver valores acima de US$ 5 bilhões, internamente, no Brasil, também temos exemplos, e o movimento se apresenta como tendência do mercado nacional de M&A”, frisa.

No país, as fusões e aquisições envolvendo players do setor de tecnologia abrangem principalmente desenvolvedoras de softwares como serviço, plataformas de gestão empresarial, inteligência artificial e organizações de cibersegurança. “Empresas que precisam intensificar e acelerar sua digitalização optam por adquirir soluções consolidadas, em vez de começar do zero nesse processo”, pontua o executivo da Zaxo M&A Partners.

A inovação proporcionada pelas novas tecnologias, competências e talentos incorporados com o processo de M&A, junto com governança e capacidade de resiliência, torna-se, na avaliação do especialista, alicerce para empresas que buscam expansão acelerada, mas sustentável.

“O M&A cada vez mais é entendido como um caminho estratégico para o crescimento de uma organização. Isso da perspectiva ‘buy’ (de quem deseja comprar). Do ponto de vista ‘build’, o M&A estimula o desenvolvimento interno de inovações, inclusive. Para médias empresas, isso é ainda mais relevante”, ilustra Grisotto.

Além disso, muitas vezes a aquisição tem caráter defensivo, ou seja, evitar que um concorrente incorpore determinada tecnologia, equipe ou base de clientes pode ser tão estratégico quanto expandir portfólio. “Nesses casos, comprar passa a ser uma forma de proteger posicionamento, garantir acesso à inovação e bloquear movimentos adversários. Na prática, isso torna o ambiente mais dinâmico e competitivo: empresas que não acompanham o ritmo de consolidação tendem a perder relevância, enquanto grupos capitalizados aceleram sua capacidade de entrega e de escala”, completa o executivo.

A sustentabilidade deixou de ser apenas narrativa de reputação para se tornar uma variável financeira concreta que impacta o valuation e a decisão em fusões e…

A sustentabilidade foi tratada por muito tempo como narrativa, algo importante para reputação, para marca, para relacionamento com o cliente. Em 2026, ela atravessa essa fronteira e passa a ocupar outro lugar: o da análise financeira. Não como conceito, mas como variável concreta que entra na conta, influencia o valuation e, em alguns casos, define se uma compra ou venda acontece ou não.

Não estamos falando mais de empresas “verdinhas” como uma categoria simpática ou alinhada com branding. Estamos falando de ativos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e, principalmente, sustentam valor no longo prazo. Em um ambiente de capital mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, isso muda completamente a lógica no mercado de M&A.

Os dados ajudam a tirar essa discussão do campo da percepção. Segundo levantamento da Intel Market Research, cerca de 62% das operações de M&A já incluem cláusulas de due diligence ESG, enquanto 78% das instituições financeiras exigem esses critérios para aprovação de investimentos, um indicativo da incorporação crescente desses critérios à estrutura das transações e que virou porta de entrada do capital.

Em 2026, cerca de um terço das transações globais de M&A já incorpora critérios ESG de forma estruturada, não como discurso, mas como determinante de valuation, da estrutura do deal e da decisão final. Em setores como energia, infraestrutura e indústria exportadora, isso já é praticamente regra.

E essa mudança não aconteceu porque o mercado “ficou mais consciente”. O capital ficou mais criterioso. Uma empresa que consome menos energia, que tem cadeia rastreável, que não carrega passivo ambiental oculto e que opera com governança consistente é, por definição, menos arriscada. E risco, em M&A, tem preço. Já vimos operações avançadas perderem tração por inconsistência em dados ambientais ou fragilidade de governança. Não porque o tema virou prioridade de discurso, mas porque passou a ser indicador de risco.

Empresas com práticas sustentáveis bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e, principalmente, avançar mais rápido nos processos. Quem já esteve em uma diligência sabe que tempo também é ativo. Quanto mais incerteza, mais perguntas. Quanto mais perguntas, mais demora. Sustentabilidade, quando bem estruturada, reduz esse atrito.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a penalizar, de forma direta, empresas que não conseguem comprovar suas práticas. Esse impacto nem sempre aparece de forma explícita, mas é facilmente percebido ao longo da negociação. Ele surge na revisão do valuation após a diligência, quando inconsistências reduzem o preço; aparece em contratos mais rígidos, com mais garantias e obrigações; nas exigências adicionais para mitigar riscos e, em alguns casos, leva simplesmente à desistência do investidor antes do fechamento.

Isso também explica por que ficou mais fácil separar quem faz de quem só comunica. Em 2026, não existe mais espaço para o chamado “ESG de PowerPoint”. O que sustenta uma negociação é dado consistente, histórico confiável e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera.

E a pressão não vem de um único lado. Existe uma leitura comum de que essa agenda é puxada pelo consumidor, mas o que temos observado é um movimento mais estrutural. Grandes empresas estão exigindo padrões mais elevados de seus fornecedores. Fundos estão condicionando a alocação de capital a critérios claros. Reguladores, no Brasil e fora, estão aumentando o nível de exigência. O resultado é um efeito cascata que reorganiza cadeias inteiras.

Alguns setores já operam sob essa lógica há mais tempo, especialmente aqueles com maior exposição internacional, como energia, infraestrutura e agronegócio exportador. Outros ainda estão em transição, mas a direção é a mesma. Não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

No Brasil, esse descompasso ainda é evidente. As empresas estão em estágios muito diferentes quando o assunto é estruturação e mensuração de práticas sustentáveis, pois faltam padrões claros, consistência de dados e integração com a estratégia do negócio. Mas é justamente aí que surge uma vantagem competitiva concreta. Quem consegue organizar essa agenda com método e evidência passa a se diferenciar rapidamente em processos de M&A, inclusive na disputa por capital estrangeiro. Para empresas menores, isso deixa de ser um obstáculo e passa a ser um vetor direto de valorização.

Quando eu digo que 2026 é o ano de caçar empresas sustentáveis, não estou falando de tendência. Estou falando de estratégia. Em um mercado mais seletivo, adquirir uma empresa com práticas ESG maduras significa incorporar eficiência, reduzir risco de integração e evitar passivos que só aparecem depois do fechamento. Isso tem impacto direto no retorno.

E talvez esse seja o ponto mais importante: sustentabilidade passou a ser sobre desempenho. Não é algo que entra depois, no pós-aquisição, como ajuste. Ela já entra na decisão, na modelagem do negócio e na forma como o crescimento é construído.

A pergunta que ainda aparece é se essa agenda resiste a ciclos econômicos mais duros. A minha leitura é que sim. Porque, no fundo, ela já deixou de ser agenda. Virou critério. Estamos falando de eficiência, previsibilidade e sobrevivência no longo prazo. Referência: https://www.intelmarketresearch.com/esg-due-diligence-market-26148

Por Leonardo GrisottoCo-Fundador e Sócio da ZAXO M&A Partners

Leonardo Grisotto

A sustentabilidade foi tratada por muito tempo como narrativa, algo importante para reputação, para marca, para relacionamento com o cliente. Em 2026, ela atravessa essa fronteira e passa a ocupar outro lugar: o da análise financeira. Não como conceito, mas como variável concreta que entra na conta, influencia o valuation e, em alguns casos, define se uma compra ou venda acontece ou não.

Não estamos falando mais de empresas “verdinhas” como uma categoria simpática ou alinhada com branding. Estamos falando de ativos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e, principalmente, sustentam valor no longo prazo. Em um ambiente de capital mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, isso muda completamente a lógica no mercado de M&A (fusões e aquisições).

Os dados ajudam a tirar essa discussão do campo da percepção. Segundo levantamento da Intel Market Research, cerca de 62% das operações de M&A já incluem cláusulas de due diligence ESG, enquanto 78% das instituições financeiras exigem esses critérios para aprovação de investimentos, um indicativo da incorporação crescente desses critérios à estrutura das transações e que virou porta de entrada do capital.

Em 2026, cerca de um terço das transações globais de M&A já incorpora critérios ESG de forma estruturada, não como discurso, mas como determinante de valuation, da estrutura do deal e da decisão final. Em setores como energia, infraestrutura e indústria exportadora, isso já é praticamente regra.

E essa mudança não aconteceu porque o mercado “ficou mais consciente”. O capital ficou mais criterioso. Uma empresa que consome menos energia, que tem cadeia rastreável, que não carrega passivo ambiental oculto e que opera com governança consistente é, por definição, menos arriscada. E risco, em M&A, tem preço. Já vimos operações avançadas perderem tração por inconsistência em dados ambientais ou fragilidade de governança. Não porque o tema virou prioridade de discurso, mas porque passou a ser indicador de risco.

Empresas com práticas sustentáveis bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e, principalmente, avançar mais rápido nos processos. Quem já esteve em uma diligência sabe que tempo também é ativo. Quanto mais incerteza, mais perguntas. Quanto mais perguntas, mais demora. Sustentabilidade, quando bem estruturada, reduz esse atrito.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a penalizar, de forma direta, empresas que não conseguem comprovar suas práticas. Esse impacto nem sempre aparece de forma explícita, mas é facilmente percebido ao longo da negociação. Ele surge na revisão do valuation após a diligência, quando inconsistências reduzem o preço; aparece em contratos mais rígidos, com mais garantias e obrigações; nas exigências adicionais para mitigar riscos e, em alguns casos, leva simplesmente à desistência do investidor antes do fechamento.

Isso também explica por que ficou mais fácil separar quem faz de quem só comunica.

Em 2026, não existe mais espaço para o chamado “ESG de PowerPoint”. O que sustenta uma negociação é dado consistente, histórico confiável e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera.

E a pressão não vem de um único lado. Existe uma leitura comum de que essa agenda é puxada pelo consumidor, mas o que temos observado é um movimento mais estrutural. Grandes empresas estão exigindo padrões mais elevados de seus fornecedores. Fundos estão condicionando a alocação de capital a critérios claros. Reguladores, no Brasil e fora, estão aumentando o nível de exigência. O resultado é um efeito cascata que reorganiza cadeias inteiras.

Alguns setores já operam sob essa lógica há mais tempo, especialmente aqueles com maior exposição internacional, como energia, infraestrutura e agronegócio exportador.

Outros ainda estão em transição, mas a direção é a mesma. Não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

No Brasil, esse descompasso ainda é evidente. As empresas estão em estágios muito diferentes quando o assunto é estruturação e mensuração de práticas sustentáveis, pois faltam padrões claros, consistência de dados e integração com a estratégia do negócio. Mas é justamente aí que surge uma vantagem competitiva concreta. Quem consegue organizar essa agenda com método e evidência passa a se diferenciar rapidamente em processos de M&A, inclusive na disputa por capital estrangeiro. Para empresas menores, isso deixa de ser um obstáculo e passa a ser um vetor direto de valorização.

Quando eu digo que 2026 é o ano de caçar empresas sustentáveis, não estou falando de tendência. Estou falando de estratégia. Em um mercado mais seletivo, adquirir uma empresa com práticas ESG maduras significa incorporar eficiência, reduzir risco de integração e evitar passivos que só aparecem depois do fechamento. Isso tem impacto direto no retorno.

E talvez esse seja o ponto mais importante: sustentabilidade passou a ser sobre desempenho. Não é algo que entra depois, no pós-aquisição, como ajuste. Ela já entra na decisão, na modelagem do negócio e na forma como o crescimento é construído.

A pergunta que ainda aparece é se essa agenda resiste a ciclos econômicos mais duros. A minha leitura é que sim. Porque, no fundo, ela já deixou de ser agenda. Virou critério. Estamos falando de eficiência, previsibilidade e sobrevivência no longo prazo.

Leonardo Grisotto - Co-Fundador e Sócio da ZAXO M&A Partners

Por Leonardo Grisotto, Co-Fundador e Sócio da ZAXO M&A Partners

A sustentabilidade foi tratada por muito tempo como narrativa, algo importante para reputação, para marca, para relacionamento com o cliente. Em 2026, ela atravessa essa fronteira e passa a ocupar outro lugar: o da análise financeira. Não como conceito, mas como variável concreta que entra na conta, influencia o valuation e, em alguns casos, define se uma compra ou venda acontece ou não.

Não estamos falando mais de empresas “verdinhas” como uma categoria simpática ou alinhada com branding. Estamos falando de ativos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e, principalmente, sustentam valor no longo prazo. Em um ambiente de capital mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, isso muda completamente a lógica no mercado de M&A.

Os dados ajudam a tirar essa discussão do campo da percepção. Segundo levantamento da Intel Market Research, cerca de 62% das operações de M&A já incluem cláusulas de due diligence ESG, enquanto 78% das instituições financeiras exigem esses critérios para aprovação de investimentos, um indicativo da incorporação crescente desses critérios à estrutura das transações e que virou porta de entrada do capital.

Em 2026, cerca de um terço das transações globais de M&A já incorpora critérios ESG de forma estruturada, não como discurso, mas como determinante de valuation, da estrutura do deal e da decisão final. Em setores como energia, infraestrutura e indústria exportadora, isso já é praticamente regra.

E essa mudança não aconteceu porque o mercado “ficou mais consciente”. O capital ficou mais criterioso. Uma empresa que consome menos energia, que tem cadeia rastreável, que não carrega passivo ambiental oculto e que opera com governança consistente é, por definição, menos arriscada. E risco, em M&A, tem preço. Já vimos operações avançadas perderem tração por inconsistência em dados ambientais ou fragilidade de governança. Não porque o tema virou prioridade de discurso, mas porque passou a ser indicador de risco.

Empresas com práticas sustentáveis bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e, principalmente, avançar mais rápido nos processos. Quem já esteve em uma diligência sabe que tempo também é ativo. Quanto mais incerteza, mais perguntas. Quanto mais perguntas, mais demora. Sustentabilidade, quando bem estruturada, reduz esse atrito.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a penalizar, de forma direta, empresas que não conseguem comprovar suas práticas. Esse impacto nem sempre aparece de forma explícita, mas é facilmente percebido ao longo da negociação. Ele surge na revisão do valuation após a diligência, quando inconsistências reduzem o preço; aparece em contratos mais rígidos, com mais garantias e obrigações; nas exigências adicionais para mitigar riscos e, em alguns casos, leva simplesmente à desistência do investidor antes do fechamento.

Isso também explica por que ficou mais fácil separar quem faz de quem só comunica. Em 2026, não existe mais espaço para o chamado “ESG de PowerPoint”. O que sustenta uma negociação é dado consistente, histórico confiável e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera.

E a pressão não vem de um único lado. Existe uma leitura comum de que essa agenda é puxada pelo consumidor, mas o que temos observado é um movimento mais estrutural. Grandes empresas estão exigindo padrões mais elevados de seus fornecedores. Fundos estão condicionando a alocação de capital a critérios claros. Reguladores, no Brasil e fora, estão aumentando o nível de exigência. O resultado é um efeito cascata que reorganiza cadeias inteiras.

Alguns setores já operam sob essa lógica há mais tempo, especialmente aqueles com maior exposição internacional, como energia, infraestrutura e agronegócio exportador. Outros ainda estão em transição, mas a direção é a mesma. Não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

No Brasil, esse descompasso ainda é evidente. As empresas estão em estágios muito diferentes quando o assunto é estruturação e mensuração de práticas sustentáveis, pois faltam padrões claros, consistência de dados e integração com a estratégia do negócio. Mas é justamente aí que surge uma vantagem competitiva concreta. Quem consegue organizar essa agenda com método e evidência passa a se diferenciar rapidamente em processos de M&A, inclusive na disputa por capital estrangeiro. Para empresas menores, isso deixa de ser um obstáculo e passa a ser um vetor direto de valorização.

Quando eu digo que 2026 é o ano de caçar empresas sustentáveis, não estou falando de tendência. Estou falando de estratégia. Em um mercado mais seletivo, adquirir uma empresa com práticas ESG maduras significa incorporar eficiência, reduzir risco de integração e evitar passivos que só aparecem depois do fechamento. Isso tem impacto direto no retorno.

E talvez esse seja o ponto mais importante: sustentabilidade passou a ser sobre desempenho. Não é algo que entra depois, no pós-aquisição, como ajuste. Ela já entra na decisão, na modelagem do negócio e na forma como o crescimento é construído.

A pergunta que ainda aparece é se essa agenda resiste a ciclos econômicos mais duros. A minha leitura é que sim. Porque, no fundo, ela já deixou de ser agenda. Virou critério. Estamos falando de eficiência, previsibilidade e sobrevivência no longo prazo.

Sustentabilidade ainda é narrativa ou já é variável financeira no M&A?

Por Leonardo Grisotto, Co-Fundador e Sócio da ZAXO M&A Partners

A sustentabilidade foi tratada por muito tempo como narrativa, algo importante para reputação, para marca, para relacionamento com o cliente. Em 2026, ela atravessa essa fronteira e passa a ocupar outro lugar: o da análise financeira. Não como conceito, mas como variável concreta que entra na conta, influencia o valuation e, em alguns casos, define se uma compra ou venda acontece ou não.

Não estamos falando mais de empresas “verdinhas” como uma categoria simpática ou alinhada com branding. Estamos falando de ativos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e, principalmente, sustentam valor no longo prazo. Em um ambiente de capital mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, isso muda completamente a lógica no mercado de M&A.

Os dados ajudam a tirar essa discussão do campo da percepção. Segundo levantamento da Intel Market Research, cerca de 62% das operações de M&A já incluem cláusulas de due diligence ESG, enquanto 78% das instituições financeiras exigem esses critérios para aprovação de investimentos, um indicativo da incorporação crescente desses critérios à estrutura das transações e que virou porta de entrada do capital.

Em 2026, cerca de um terço das transações globais de M&A já incorpora critérios ESG de forma estruturada, não como discurso, mas como determinante de valuation, da estrutura do deal e da decisão final. Em setores como energia, infraestrutura e indústria exportadora, isso já é praticamente regra.

E essa mudança não aconteceu porque o mercado “ficou mais consciente”. O capital ficou mais criterioso. Uma empresa que consome menos energia, que tem cadeia rastreável, que não carrega passivo ambiental oculto e que opera com governança consistente é, por definição, menos arriscada. E risco, em M&A, tem preço. Já vimos operações avançadas perderem tração por inconsistência em dados ambientais ou fragilidade de governança. Não porque o tema virou prioridade de discurso, mas porque passou a ser indicador de risco.

Empresas com práticas sustentáveis bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e, principalmente, avançar mais rápido nos processos. Quem já esteve em uma diligência sabe que tempo também é ativo. Quanto mais incerteza, mais perguntas. Quanto mais perguntas, mais demora. Sustentabilidade, quando bem estruturada, reduz esse atrito.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a penalizar, de forma direta, empresas que não conseguem comprovar suas práticas. Esse impacto nem sempre aparece de forma explícita, mas é facilmente percebido ao longo da negociação. Ele surge na revisão do valuation após a diligência, quando inconsistências reduzem o preço; aparece em contratos mais rígidos, com mais garantias e obrigações; nas exigências adicionais para mitigar riscos e, em alguns casos, leva simplesmente à desistência do investidor antes do fechamento.

Isso também explica por que ficou mais fácil separar quem faz de quem só comunica. Em 2026, não existe mais espaço para o chamado “ESG de PowerPoint”. O que sustenta uma negociação é dado consistente, histórico confiável e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera.

E a pressão não vem de um único lado. Existe uma leitura comum de que essa agenda é puxada pelo consumidor, mas o que temos observado é um movimento mais estrutural. Grandes empresas estão exigindo padrões mais elevados de seus fornecedores. Fundos estão condicionando a alocação de capital a critérios claros. Reguladores, no Brasil e fora, estão aumentando o nível de exigência. O resultado é um efeito cascata que reorganiza cadeias inteiras.

Alguns setores já operam sob essa lógica há mais tempo, especialmente aqueles com maior exposição internacional, como energia, infraestrutura e agronegócio exportador. Outros ainda estão em transição, mas a direção é a mesma. Não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

No Brasil, esse descompasso ainda é evidente. As empresas estão em estágios muito diferentes quando o assunto é estruturação e mensuração de práticas sustentáveis, pois faltam padrões claros, consistência de dados e integração com a estratégia do negócio. Mas é justamente aí que surge uma vantagem competitiva concreta. Quem consegue organizar essa agenda com método e evidência passa a se diferenciar rapidamente em processos de M&A, inclusive na disputa por capital estrangeiro. Para empresas menores, isso deixa de ser um obstáculo e passa a ser um vetor direto de valorização.

Quando eu digo que 2026 é o ano de caçar empresas sustentáveis, não estou falando de tendência. Estou falando de estratégia. Em um mercado mais seletivo, adquirir uma empresa com práticas ESG maduras significa incorporar eficiência, reduzir risco de integração e evitar passivos que só aparecem depois do fechamento. Isso tem impacto direto no retorno.

E talvez esse seja o ponto mais importante: sustentabilidade passou a ser sobre desempenho. Não é algo que entra depois, no pós-aquisição, como ajuste. Ela já entra na decisão, na modelagem do negócio e na forma como o crescimento é construído.

A pergunta que ainda aparece é se essa agenda resiste a ciclos econômicos mais duros. A minha leitura é que sim. Porque, no fundo, ela já deixou de ser agenda. Virou critério. Estamos falando de eficiência, previsibilidade e sobrevivência no longo prazo.

Referência: https://www.intelmarketresearch.com/esg-due-diligence-market-26148

Leonardo Grizotto, sócio-fundador e diretor da Zaxo

Por Leonardo Grisotto, Co-Fundador e Sócio da ZAXO M&A Partners

A sustentabilidade foi tratada por muito tempo como narrativa, algo importante para reputação, para marca, para relacionamento com o cliente. Em 2026, ela atravessa essa fronteira e passa a ocupar outro lugar: o da análise financeira. Não como conceito, mas como variável concreta que entra na conta, influencia o valuation e, em alguns casos, define se uma compra ou venda acontece ou não.

Não estamos falando mais de empresas “verdinhas” como uma categoria simpática ou alinhada com branding. Estamos falando de ativos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e, principalmente, sustentam valor no longo prazo. Em um ambiente de capital mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, isso muda completamente a lógica no mercado de M&A.

Os dados ajudam a tirar essa discussão do campo da percepção. Segundo levantamento da Intel Market Research, cerca de 62% das operações de M&A já incluem cláusulas de due diligence ESG, enquanto 78% das instituições financeiras exigem esses critérios para aprovação de investimentos, um indicativo da incorporação crescente desses critérios à estrutura das transações e que virou porta de entrada do capital.

Em 2026, cerca de um terço das transações globais de M&A já incorpora critérios ESG de forma estruturada, não como discurso, mas como determinante de valuation, da estrutura do deal e da decisão final. Em setores como energia, infraestrutura e indústria exportadora, isso já é praticamente regra.

E essa mudança não aconteceu porque o mercado “ficou mais consciente”. O capital ficou mais criterioso. Uma empresa que consome menos energia, que tem cadeia rastreável, que não carrega passivo ambiental oculto e que opera com governança consistente é, por definição, menos arriscada.

E risco, em M&A, tem preço. Já vimos operações avançadas perderem tração por inconsistência em dados ambientais ou fragilidade de governança. Não porque o tema virou prioridade de discurso, mas porque passou a ser indicador de risco.

Empresas com práticas sustentáveis bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e, principalmente, avançar mais rápido nos processos. Quem já esteve em uma diligência sabe que tempo também é ativo. Quanto mais incerteza, mais perguntas. Quanto mais perguntas, mais demora. Sustentabilidade, quando bem estruturada, reduz esse atrito.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a penalizar, de forma direta, empresas que não conseguem comprovar suas práticas. Esse impacto nem sempre aparece de forma explícita, mas é facilmente percebido ao longo da negociação.

Ele surge na revisão do valuation após a diligência, quando inconsistências reduzem o preço; aparece em contratos mais rígidos, com mais garantias e obrigações; nas exigências adicionais para mitigar riscos e, em alguns casos, leva simplesmente à desistência do investidor antes do fechamento.

Isso também explica por que ficou mais fácil separar quem faz de quem só comunica. Em 2026, não existe mais espaço para o chamado “ESG de PowerPoint”. O que sustenta uma negociação é dado consistente, histórico confiável e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera.

E a pressão não vem de um único lado. Existe uma leitura comum de que essa agenda é puxada pelo consumidor, mas o que temos observado é um movimento mais estrutural. Grandes empresas estão exigindo padrões mais elevados de seus fornecedores.

Fundos estão condicionando a alocação de capital a critérios claros. Reguladores, no Brasil e fora, estão aumentando o nível de exigência. O resultado é um efeito cascata que reorganiza cadeias inteiras.

Alguns setores já operam sob essa lógica há mais tempo, especialmente aqueles com maior exposição internacional, como energia, infraestrutura e agronegócio exportador. Outros ainda estão em transição, mas a direção é a mesma. Não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

No Brasil, esse descompasso ainda é evidente. As empresas estão em estágios muito diferentes quando o assunto é estruturação e mensuração de práticas sustentáveis, pois faltam padrões claros, consistência de dados e integração com a estratégia do negócio.

Mas é justamente aí que surge uma vantagem competitiva concreta. Quem consegue organizar essa agenda com método e evidência passa a se diferenciar rapidamente em processos de M&A, inclusive na disputa por capital estrangeiro. Para empresas menores, isso deixa de ser um obstáculo e passa a ser um vetor direto de valorização.

Quando eu digo que 2026 é o ano de caçar empresas sustentáveis, não estou falando de tendência. Estou falando de estratégia. Em um mercado mais seletivo, adquirir uma empresa com práticas ESG maduras significa incorporar eficiência, reduzir risco de integração e evitar passivos que só aparecem depois do fechamento. Isso tem impacto direto no retorno.

E talvez esse seja o ponto mais importante: sustentabilidade passou a ser sobre desempenho. Não é algo que entra depois, no pós-aquisição, como ajuste. Ela já entra na decisão, na modelagem do negócio e na forma como o crescimento é construído.

A pergunta que ainda aparece é se essa agenda resiste a ciclos econômicos mais duros. A minha leitura é que sim. Porque, no fundo, ela já deixou de ser agenda. Virou critério. Estamos falando de eficiência, previsibilidade e sobrevivência no longo prazo.

A movimentação de executivos no mercado de fusões e aquisições segue acompanhando o próprio ritmo das transações no Brasil, mais seletivas, técnicas e orientadas a valor. Nesse contexto, a Zaxo M&A Partners anunciou a entrada de Gustavo Lorenci como novo sócio da boutique, reforçando sua estratégia de crescimento em um mercado cada vez mais competitivo e exigente.

Lorenci passa agora a compor o quadro societário em um momento em que as empresas demandam assessorias mais estruturadas, capazes de atuar desde a originação até a execução dos negócios. Com 12 anos de experiência no ambiente corporativo, o executivo construiu sua trajetória em posições de liderança em uma companhia de atuação nacional, na qual participou da operação de sua venda para uma multinacional, em uma transação superior a R$ 100 milhões.

“Eu já atuo na Zaxo desde 2023, quando entrei como diretor associado, mas agora, como sócio, as responsabilidades e os desafios aumentam, assim como as possibilidades de novos negócios. Estou muito animado com essa virada de chave e com o maior número de projetos em que passo a atuar diretamente na coliderança, além da originação de novas oportunidades”, conta.

A experiência prática em um processo completo de M&A, tende a ganhar relevância em um cenário em que investidores e compradores ampliam o nível de exigência sobre governança, previsibilidade e estruturação dos negócios antes mesmo da abertura formal de uma negociação.

Além da atuação executiva, Lorenci também participa como acionista e conselheiro de uma holding com presença nos setores de agronegócio, energia, incluindo geração e transmissão, e real estate, com operações no Brasil e nos Estados Unidos. A vivência em diferentes segmentos amplia a leitura sobre dinâmicas setoriais, um fator que tem pesado na definição de teses de investimento e valuation.

Com formação em Direito e Engenharia Civil, pós-graduação em ESG e atualmente cursando mestrado em Economia pela FGV-EESP, o novo sócio combina repertório técnico e visão de mercado, uma combinação cada vez mais demandada em operações que envolvem não apenas números, mas também riscos regulatórios, ambientais e de governança.

“Hoje, uma operação bem-sucedida não depende só de valuation ou estrutura financeira. Ela passa por entender riscos regulatórios, incorporar critérios ESG desde o início e construir uma narrativa consistente para o investidor. É essa visão integrada que eu busco trazer para as transações”, afirma Lorenci.

Segundo a Zaxo, a entrada do novo sócio está alinhada ao objetivo de fortalecer duas frentes importantes do negócio: a originação, etapa de identificação e conexão entre empresas e potenciais investidores, e a condução dos mandatos em andamento, em um momento em que a boutique está mandatada por mais de 2 dúzias de empresas para processos tanto de venda quanto de aquisição, e em um ambiente em que timing, estrutura e narrativa financeira influenciam diretamente o sucesso das operações.

A boutique atua assessorando empresas tanto no sell side, quando estão procurando uma oportunidade de venda, quanto no buy side, quando buscam ativos para adquirir ou investir. Com mais de duas décadas de atuação, a Zaxo estrutura seus projetos em três etapas: preparação, transação e pós-transação, refletindo uma mudança de abordagem no mercado, em que o fechamento do negócio deixa de ser o ponto final e passa a ser parte de um processo mais amplo de geração de valor.

Com unidades em Curitiba, Florianópolis e Goiânia e time espalhado por todo o País, a empresa atende companhias de diferentes portes e setores, em um cenário em que o M&A segue sendo uma das principais vias de crescimento, consolidação e reposicionamento estratégico no país e onde a Zaxo permanece tendo posição de destaque no cenário nacional de assessorias financeiras em M&A, agora reforçada e ainda mais preparada com a chegada do novo sócio, que vem somar muito para a execução de um novo ciclo de crescimento que se inicia.

Por Leonardo Grisotto, Co-Fundador e Sócio da ZAXO M&A Partners

A sustentabilidade foi tratada por muito tempo como narrativa, algo importante para reputação, para marca, para relacionamento com o cliente. Em 2026, ela atravessa essa fronteira e passa a ocupar outro lugar: o da análise financeira. Não como conceito, mas como variável concreta que entra na conta, influencia o valuation e, em alguns casos, define se uma compra ou venda acontece ou não.

Não estamos falando mais de empresas “verdinhas” como uma categoria simpática ou alinhada com branding. Estamos falando de ativos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e, principalmente, sustentam valor no longo prazo. Em um ambiente de capital mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, isso muda completamente a lógica no mercado de M&A.

Os dados ajudam a tirar essa discussão do campo da percepção. Segundo levantamento da Intel Market Research, cerca de 62% das operações de M&A já incluem cláusulas de due diligence ESG, enquanto 78% das instituições financeiras exigem esses critérios para aprovação de investimentos, um indicativo da incorporação crescente desses critérios à estrutura das transações e que virou porta de entrada do capital.

Em 2026, cerca de um terço das transações globais de M&A já incorpora critérios ESG de forma estruturada, não como discurso, mas como determinante de valuation, da estrutura do deal e da decisão final. Em setores como energia, infraestrutura e indústria exportadora, isso já é praticamente regra.

E essa mudança não aconteceu porque o mercado “ficou mais consciente”. O capital ficou mais criterioso. Uma empresa que consome menos energia, que tem cadeia rastreável, que não carrega passivo ambiental oculto e que opera com governança consistente é, por definição, menos arriscada. E risco, em M&A, tem preço. Já vimos operações avançadas perderem tração por inconsistência em dados ambientais ou fragilidade de governança. Não porque o tema virou prioridade de discurso, mas porque passou a ser indicador de risco.

Empresas com práticas sustentáveis bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e, principalmente, avançar mais rápido nos processos. Quem já esteve em uma diligência sabe que tempo também é ativo. Quanto mais incerteza, mais perguntas. Quanto mais perguntas, mais demora. Sustentabilidade, quando bem estruturada, reduz esse atrito.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a penalizar, de forma direta, empresas que não conseguem comprovar suas práticas. Esse impacto nem sempre aparece de forma explícita, mas é facilmente percebido ao longo da negociação. Ele surge na revisão do valuation após a diligência, quando inconsistências reduzem o preço; aparece em contratos mais rígidos, com mais garantias e obrigações; nas exigências adicionais para mitigar riscos e, em alguns casos, leva simplesmente à desistência do investidor antes do fechamento.

Isso também explica por que ficou mais fácil separar quem faz de quem só comunica. Em 2026, não existe mais espaço para o chamado “ESG de PowerPoint”. O que sustenta uma negociação é dado consistente, histórico confiável e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera.

E a pressão não vem de um único lado. Existe uma leitura comum de que essa agenda é puxada pelo consumidor, mas o que temos observado é um movimento mais estrutural. Grandes empresas estão exigindo padrões mais elevados de seus fornecedores. Fundos estão condicionando a alocação de capital a critérios claros. Reguladores, no Brasil e fora, estão aumentando o nível de exigência. O resultado é um efeito cascata que reorganiza cadeias inteiras.

Alguns setores já operam sob essa lógica há mais tempo, especialmente aqueles com maior exposição internacional, como energia, infraestrutura e agronegócio exportador. Outros ainda estão em transição, mas a direção é a mesma. Não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

No Brasil, esse descompasso ainda é evidente. As empresas estão em estágios muito diferentes quando o assunto é estruturação e mensuração de práticas sustentáveis, pois faltam padrões claros, consistência de dados e integração com a estratégia do negócio. Mas é justamente aí que surge uma vantagem competitiva concreta. Quem consegue organizar essa agenda com método e evidência passa a se diferenciar rapidamente em processos de M&A, inclusive na disputa por capital estrangeiro. Para empresas menores, isso deixa de ser um obstáculo e passa a ser um vetor direto de valorização.

Quando eu digo que 2026 é o ano de caçar empresas sustentáveis, não estou falando de tendência. Estou falando de estratégia. Em um mercado mais seletivo, adquirir uma empresa com práticas ESG maduras significa incorporar eficiência, reduzir risco de integração e evitar passivos que só aparecem depois do fechamento. Isso tem impacto direto no retorno.

E talvez esse seja o ponto mais importante: sustentabilidade passou a ser sobre desempenho. Não é algo que entra depois, no pós-aquisição, como ajuste. Ela já entra na decisão, na modelagem do negócio e na forma como o crescimento é construído.

A pergunta que ainda aparece é se essa agenda resiste a ciclos econômicos mais duros. A minha leitura é que sim. Porque, no fundo, ela já deixou de ser agenda. Virou critério. Estamos falando de eficiência, previsibilidade e sobrevivência no longo prazo.

Construir inovação internamente ou adquirir empresas que já desenvolveram determinada tecnologia ou solução de mercado. A escolha, conhecida no mercado como “Build or Buy”, se tornou uma das decisões estratégicas mais recorrentes nas áreas de investimento corporativo, inovação e fusões e aquisições.

Levantamentos da Aon, em parceria com TTR Data e Datasite, mostram que, em 2025, as transações dispararam: foram realizadas 1.877 transações no país entre janeiro e dezembro, somando US$ 56,41 bilhões (cerca de R$ 293 bilhões, na cotação atual), sinalizando estabilidade no mercado mesmo em um ambiente de juros elevados.

Enquanto isso, o volume global de transações movimentou entre US$ 4,3 trilhões e US$ 4,8 trilhões em 2025, ante US$ 3,3 trilhões no ano anterior, 20% acima da média de dez anos, de US$ 3,9 trilhões.

O volume se manteve estável, e as grandes transações (acima de US$ 10 bilhões) ganharam destaque, configurando um dos maiores volumes da história recente de transações corporativas, segundo relatório anual de fusões e aquisições da Bain & Company.

Dentro dessa lógica de crescimento e posicionamento competitivo, as empresas avaliam se o caminho mais eficiente para inovar passa pelo desenvolvimento interno ou pela aquisição de empresas que já tenham soluções – tecnológicas ou não, clientes e equipes estruturadas.

“Build or Buy é uma decisão estratégica recorrente nas empresas, frequentemente utilizada quando o tema é inovação e a escolha entre desenvolver internamente ou adquirir soluções prontas, já validadas e com presença de mercado”, afirma Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, boutique especializada em fusões e aquisições que já participou de mais de 140 projetos, acumulando mais de R$ 7,5 bilhões em transações estruturadas.

“Essa escolha envolve fatores como velocidade de entrada no mercado, custo de desenvolvimento, acesso a talentos e risco tecnológico – como a gente costuma dizer M&A quase sempre compra ‘tempo’ “, complementa.

Quando inovar dentro de casa (Build)

Na estratégia Build, a empresa desenvolve suas próprias soluções, geralmente por meio de equipes de pesquisa e desenvolvimento, laboratórios tecnológicos ou parcerias com universidades e centros de inovação.

“Esse modelo costuma ser adotado quando a tecnologia é considerada central para o posicionamento estratégico da companhia”, explica Nesello.

Entre as principais vantagens do Build estão o controle sobre propriedade intelectual, o alinhamento cultural com a organização e a possibilidade de desenvolver soluções específicas para o modelo de negócio.

“Build funciona melhor quando a empresa tem cultura forte de desenvolvimento e capacidade interna de inovação – e sobretudo está acostumada ao processo de errar enquanto aprende a construir. Caso contrário, o risco é gastar tempo e recursos tentando reinventar algo que possivelmente o mercado já desenvolveu – o que inevitavelmente gerará frustração e não alcance de resultados”, afirma.

Mas o caminho também traz desafios. O desenvolvimento interno tende a ser mais lento, exige investimentos e depende da disponibilidade de talentos especializados.

“O desenvolvimento interno tende a oferecer mais controle sobre tecnologia e propriedade intelectual, mas normalmente exige mais tempo e recursos. Em alguns casos, o mercado evolui mais rápido do que a capacidade de desenvolvimento da empresa”, destaca.

Empresas de diferentes setores utilizam essa estratégia para desenvolver tecnologias consideradas estratégicas. A Apple, por exemplo, passou a desenvolver seus próprios chips e processadores para reduzir dependência de fornecedores e aumentar o controle sobre o desempenho de seus dispositivos.

No Brasil, companhias como a Ambev investiram no desenvolvimento interno de plataformas digitais como a solução B2B BEES e o app Zé Delivery, utilizadas para ampliar a digitalização da relação com bares, restaurantes e consumidores.

A Embraer também adotou esse caminho ao criar a Eve Air Mobility, empresa dedicada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem vertical, derivada de projetos tecnológicos desenvolvidos internamente.

Comprar para acelerar (Buy)

Na estratégia Buy, empresas optam por adquirir companhias (e até mesmo gente – o famoso “acqui-hiring”) que já possuam tecnologia, produtos ou presença de mercado. Nesse caso, o principal benefício é acelerar a entrada em novos mercados ou acessar competências que levariam anos para serem construídas internamente.

“Quando uma empresa compra outra, ela não está apenas adquirindo tecnologia ou soluções. Ela compra também clientes, equipe, conhecimento acumulado e posicionamento competitivo com acesso a competências tecnológicas já testadas”, diz Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners.

Entre as vantagens mais citadas nesse modelo estão o acesso imediato a tecnologias já validadas; a redução do risco tecnológico; aquisição de equipes especializadas e conhecimento acumulado; e a incorporação de clientes e participação de mercado.

“Quando a empresa opta por Buy, ela acelera o processo de inovação. Em vez de desenvolver algo ao longo de vários anos, ela incorpora uma solução que já passou por testes de mercado e já possui base de clientes”, afirma Grisotto.

Um modelo de transação associado a esse tipo de estratégia é o chamado acqui-hiring, quando empresas adquirem startups principalmente para incorporar suas equipes de engenharia ou tecnologia.

Diversas companhias utilizaram aquisições para expandir suas operações. O Mercado Livre, por exemplo, realizou uma série de aquisições ao longo da última década para fortalecer áreas como logística, pagamentos e comércio eletrônico.

No setor de saúde, o grupo Fleury realizou mais de 30 aquisições ao longo dos últimos anos, enquanto a Rede D’Or ampliou presença nacional por meio de mais de 40 aquisições hospitalares, consolidando uma estratégia de crescimento baseada em consolidação de mercado.

As decisões de Build ou Buy geralmente estão associadas a motivações estratégicas específicas. Entre os fatores que levam empresas a vender negócios ou buscar sócios estão a ausência de sucessão na gestão; a incompatibilidade de interesses societários; a necessidade de capitalização para expansão; a reestruturação de capital; a realocação de investimentos; e a mudança de foco estratégico.

Do lado dos compradores, os objetivos mais comuns incluem a entrada em novos mercados; a expansão geográfica; aquisição de novos clientes; ganho de escala; o acesso a novas tecnologias; a diversificação de portfólio; e a verticalização de operações.

“Cada operação de M&A responde a uma lógica estratégica específica. Em alguns casos, a venda ocorre por questões societárias ou sucessórias, em outros por necessidade de capitalização ou mudança de estratégia”, explica Grisotto.

Embora aquisições possam acelerar o acesso a tecnologia e mercados, o processo também envolve riscos. Um dos principais desafios está na integração cultural e operacional entre as empresas.

Estudos acadêmicos apontam que, em alguns casos, aquisições podem resultar em redução da intensidade de pesquisa e desenvolvimento, especialmente quando há pressão por redução de custos ou perda de talentos-chave após a integração.

Outro fenômeno discutido na literatura econômica é o das chamadas “killer acquisitions”, quando empresas adquirem concorrentes ou tecnologias emergentes para interromper projetos potencialmente competitivos.

“A aquisição só gera inovação quando existe aderência tecnológica e estratégica entre as empresas. Caso contrário, a integração pode acabar reduzindo o potencial de desenvolvimento tecnológico”, afirma Nesello.

Na prática, muitas empresas adotam estratégias combinadas. Nesse modelo, companhias desenvolvem internamente tecnologias consideradas centrais para o negócio e recorrem a aquisições para acelerar entrada em novas áreas ou incorporar competências específicas.

“Hoje é comum observar empresas combinando Build e Buy dentro de uma mesma estratégia de inovação. O desenvolvimento interno protege diferenciais competitivos, enquanto aquisições aceleram a expansão para novos mercados ou tecnologias”, destaca.

“O importante é entender que M&A não é apenas uma transação financeira. É uma ferramenta estratégica para reposicionar a empresa no longo prazo.”

A Petrobras é um exemplo desse modelo. A companhia mantém centros próprios de pesquisa voltados à exploração offshore, ao mesmo tempo em que investe em startups de energia por meio de iniciativas de venture capital corporativo.

“Cada transação tem sua própria lógica estratégica. Mas, no fundo, a pergunta sempre é a mesma: qual é o caminho mais eficiente para crescer, construir ou comprar? E a resposta, cada empresa tem a sua”, resume o executivo.

A sustentabilidade foi tratada por muito tempo como narrativa, algo importante para reputação, para marca, para relacionamento com o cliente. Em 2026, ela atravessa essa fronteira e passa a ocupar outro lugar: o da análise financeira. Não como conceito, mas como variável concreta que entra na conta, influencia o valuation e, em alguns casos, define se uma compra ou venda acontece ou não.

Não estamos falando mais de empresas “verdinhas” como uma categoria simpática ou alinhada com branding. Estamos falando de ativos que reduzem risco, aumentam previsibilidade e, principalmente, sustentam valor no longo prazo. Em um ambiente de capital mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, isso muda completamente a lógica no mercado de M&A.

Os dados ajudam a tirar essa discussão do campo da percepção. Segundo levantamento da Intel Market Research, cerca de 62% das operações de M&A já incluem cláusulas de due diligence ESG, enquanto 78% das instituições financeiras exigem esses critérios para aprovação de investimentos, um indicativo da incorporação crescente desses critérios à estrutura das transações e que virou porta de entrada do capital.

Em 2026, cerca de um terço das transações globais de M&A já incorpora critérios ESG de forma estruturada, não como discurso, mas como determinante de valuation, da estrutura do deal e da decisão final. Em setores como energia, infraestrutura e indústria exportadora, isso já é praticamente regra.

E essa mudança não aconteceu porque o mercado “ficou mais consciente”. O capital ficou mais criterioso. Uma empresa que consome menos energia, que tem cadeia rastreável, que não carrega passivo ambiental oculto e que opera com governança consistente é, por definição, menos arriscada. E risco, em M&A, tem preço. Já vimos operações avançadas perderem tração por inconsistência em dados ambientais ou fragilidade de governança. Não porque o tema virou prioridade de discurso, mas porque passou a ser indicador de risco.

Empresas com práticas sustentáveis bem estruturadas conseguem negociar melhor, acessar capital com mais facilidade e, principalmente, avançar mais rápido nos processos. Quem já esteve em uma diligência sabe que tempo também é ativo. Quanto mais incerteza, mais perguntas. Quanto mais perguntas, mais demora. Sustentabilidade, quando bem estruturada, reduz esse atrito.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a penalizar, de forma direta, empresas que não conseguem comprovar suas práticas. Esse impacto nem sempre aparece de forma explícita, mas é facilmente percebido ao longo da negociação. Ele surge na revisão do valuation após a diligência, quando inconsistências reduzem o preço; aparece em contratos mais rígidos, com mais garantias e obrigações; nas exigências adicionais para mitigar riscos e, em alguns casos, leva simplesmente à desistência do investidor antes do fechamento.

Isso também explica por que ficou mais fácil separar quem faz de quem só comunica. Em 2026, não existe mais espaço para o chamado “ESG de PowerPoint”. O que sustenta uma negociação é dado consistente, histórico confiável e capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa opera.

E a pressão não vem de um único lado. Existe uma leitura comum de que essa agenda é puxada pelo consumidor, mas o que temos observado é um movimento mais estrutural. Grandes empresas estão exigindo padrões mais elevados de seus fornecedores. Fundos estão condicionando a alocação de capital a critérios claros. Reguladores, no Brasil e fora, estão aumentando o nível de exigência. O resultado é um efeito cascata que reorganiza cadeias inteiras.

Alguns setores já operam sob essa lógica há mais tempo, especialmente aqueles com maior exposição internacional, como energia, infraestrutura e agronegócio exportador. Outros ainda estão em transição, mas a direção é a mesma. Não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

No Brasil, esse descompasso ainda é evidente. As empresas estão em estágios muito diferentes quando o assunto é estruturação e mensuração de práticas sustentáveis, pois faltam padrões claros, consistência de dados e integração com a estratégia do negócio. Mas é justamente aí que surge uma vantagem competitiva concreta. Quem consegue organizar essa agenda com método e evidência passa a se diferenciar rapidamente em processos de M&A, inclusive na disputa por capital estrangeiro. Para empresas menores, isso deixa de ser um obstáculo e passa a ser um vetor direto de valorização.

Quando eu digo que 2026 é o ano de caçar empresas sustentáveis, não estou falando de tendência. Estou falando de estratégia. Em um mercado mais seletivo, adquirir uma empresa com práticas ESG maduras significa incorporar eficiência, reduzir risco de integração e evitar passivos que só aparecem depois do fechamento. Isso tem impacto direto no retorno.

E talvez esse seja o ponto mais importante: sustentabilidade passou a ser sobre desempenho. Não é algo que entra depois, no pós-aquisição, como ajuste. Ela já entra na decisão, na modelagem do negócio e na forma como o crescimento é construído.

A pergunta que ainda aparece é se essa agenda resiste a ciclos econômicos mais duros. A minha leitura é que sim. Porque, no fundo, ela já deixou de ser agenda. Virou critério. Estamos falando de eficiência, previsibilidade e sobrevivência no longo prazo.

Leonardo Grisotto, Co-Fundador e Sócio da ZAXO M&A Partners

Referência: https://www.intelmarketresearch.com/esg-due-diligence-market-26148

Gustavo Lorenci, novo sócio da ZAXO M&A Partners (Imagem: Divulgação)

ZAXO M&A Partners, boutique de investimentos especializada em assessoria de fusões e aquisições (M&A), com foco em empresas de middle market, anuncia a entrada de Gustavo Lorenci como novo sócio.

Com 12 anos de experiência no ambiente corporativo, Gustavo construiu sua trajetória em posições de liderança em uma companhia de atuação nacional, na qual participou da operação de sua venda para uma multinacional, em uma transação superior a R$ 100 milhões.

“Eu já atuo na ZAXO desde 2023, quando entrei como diretor associado, mas agora, como sócio, as responsabilidades e os desafios aumentam, assim como as possibilidades de novos negócios. Estou muito animado com essa virada de chave e com o maior número de projetos em que passo a atuar diretamente na coliderança, além da originação de novas oportunidades”, conta em nota.

A experiência prática em um processo completo de M&A, tende a ganhar relevância em um cenário em que investidores e compradores ampliam o nível de exigência sobre governança, previsibilidade e estruturação dos negócios antes mesmo da abertura formal de uma negociação.

Além da atuação executiva, o profissional também participa como acionista e conselheiro de uma holding com presença nos setores de agronegócio, energia, incluindo geração e transmissão, e real estate, com operações no Brasil e nos Estados Unidos. A vivência em diferentes segmentos amplia a leitura sobre dinâmicas setoriais, um fator que tem pesado na definição de teses de investimento e valuation.

Com formação em Direito e Engenharia Civil, pós-graduação em ESG e atualmente cursando mestrado em Economia pela FGV-EESP, o novo sócio combina repertório técnico e visão de mercado, uma combinação cada vez mais demandada em operações que envolvem não apenas números, mas também riscos regulatórios, ambientais e de governança.

“Hoje, uma operação bem-sucedida não depende só de valuation ou estrutura financeira. Ela passa por entender riscos regulatórios, incorporar critérios ESG desde o início e construir uma narrativa consistente para o investidor. É essa visão integrada que eu busco trazer para as transações”, afirma Gustavo.

Segundo a ZAXO, a entrada do novo sócio está alinhada ao objetivo de fortalecer duas frentes importantes do negócio: a originação, etapa de identificação e conexão entre empresas e potenciais investidores, e a condução dos mandatos em andamento, em um momento em que a boutique está mandatada por mais de duas dúzias de empresas para processos tanto de venda quanto de aquisição, e em um ambiente em que timing, estrutura e narrativa financeira influenciam diretamente o sucesso das operações.

Com unidades em Curitiba, Florianópolis e Goiânia e time espalhado por todo o País, a empresa atende companhias de diferentes portes e setores. A boutique atua assessorando empresas tanto no sell side, quando estão procurando uma oportunidade de venda, quanto no buy side, quando buscam ativos para adquirir ou investir.

Com mais de duas décadas de atuação, a ZAXO estrutura seus projetos em três etapas: preparação, transação e pós-transação, refletindo uma mudança de abordagem no mercado, em que o fechamento do negócio deixa de ser o ponto final e passa a ser parte de um processo mais amplo de geração de valor.

Com 12 anos de experiência no ambiente corporativo, o executivo já integrava o time da ZAXO desde 2023, quando entrou como diretor associado

A ZAXO M&A Partners, boutique de investimentos especializada em assessoria de fusões e aquisições (M&A), com foco em empresas de middle market, anuncia a entrada de Gustavo Lorenci como novo sócio.

Com 12 anos de experiência no ambiente corporativo, Gustavo construiu sua trajetória em posições de liderança em uma companhia de atuação nacional, na qual participou da operação de sua venda para uma multinacional, em uma transação superior a R$ 100 milhões.

“Eu já atuo na ZAXO desde 2023, quando entrei como diretor associado, mas agora, como sócio, as responsabilidades e os desafios aumentam, assim como as possibilidades de novos negócios. Estou muito animado com essa virada de chave e com o maior número de projetos em que passo a atuar diretamente na coliderança, além da originação de novas oportunidades”, conta em nota.

A experiência prática em um processo completo de M&A, tende a ganhar relevância em um cenário em que investidores e compradores ampliam o nível de exigência sobre governança, previsibilidade e estruturação dos negócios antes mesmo da abertura formal de uma negociação.

Além da atuação executiva, o profissional também participa como acionista e conselheiro de uma holding com presença nos setores de agronegócio, energia, incluindo geração e transmissão, e real estate, com operações no Brasil e nos Estados Unidos. A vivência em diferentes segmentos amplia a leitura sobre dinâmicas setoriais, um fator que tem pesado na definição de teses de investimento e valuation.

Com formação em Direito e Engenharia Civil, pós-graduação em ESG e atualmente cursando mestrado em Economia pela FGV-EESP, o novo sócio combina repertório técnico e visão de mercado, uma combinação cada vez mais demandada em operações que envolvem não apenas números, mas também riscos regulatórios, ambientais e de governança.

“Hoje, uma operação bem-sucedida não depende só de valuation ou estrutura financeira. Ela passa por entender riscos regulatórios, incorporar critérios ESG desde o início e construir uma narrativa consistente para o investidor. É essa visão integrada que eu busco trazer para as transações”, afirma Gustavo.

Segundo a ZAXO, a entrada do novo sócio está alinhada ao objetivo de fortalecer duas frentes importantes do negócio: a originação, etapa de identificação e conexão entre empresas e potenciais investidores, e a condução dos mandatos em andamento, em um momento em que a boutique está mandatada por mais de duas dúzias de empresas para processos tanto de venda quanto de aquisição, e em um ambiente em que timing, estrutura e narrativa financeira influenciam diretamente o sucesso das operações.

Com unidades em Curitiba, Florianópolis e Goiânia e time espalhado por todo o País, a empresa atende companhias de diferentes portes e setores. A boutique atua assessorando empresas tanto no sell side, quando estão procurando uma oportunidade de venda, quanto no buy side, quando buscam ativos para adquirir ou investir.

Com mais de duas décadas de atuação, a ZAXO estrutura seus projetos em três etapas: preparação, transação e pós-transação, refletindo uma mudança de abordagem no mercado, em que o fechamento do negócio deixa de ser o ponto final e passa a ser parte de um processo mais amplo de geração de valor.

A movimentação de executivos no mercado de fusões e aquisições segue acompanhando o próprio ritmo das transações no Brasil, mais seletivas, técnicas e orientadas a valor. Nesse contexto, a Zaxo M&A Partners anunciou a entrada de Gustavo Lorenci como novo sócio da boutique, reforçando sua estratégia de crescimento em um mercado cada vez mais competitivo e exigente.

Lorenci passa agora a compor o quadro societário em um momento em que as empresas demandam assessorias mais estruturadas, capazes de atuar desde a originação até a execução dos negócios.

Com 12 anos de experiência no ambiente corporativo, o executivo construiu sua trajetória em posições de liderança em uma companhia de atuação nacional, na qual participou da operação de sua venda para uma multinacional, em uma transação superior a R$ 100 milhões.

“Eu já atuo na Zaxo desde 2023, quando entrei como diretor associado, mas agora, como sócio, as responsabilidades e os desafios aumentam, assim como as possibilidades de novos negócios. Estou muito animado com essa virada de chave e com o maior número de projetos em que passo a atuar diretamente na coliderança, além da originação de novas oportunidades”, conta.

A experiência prática em um processo completo de M&A, tende a ganhar relevância em um cenário em que investidores e compradores ampliam o nível de exigência sobre governança, previsibilidade e estruturação dos negócios antes mesmo da abertura formal de uma negociação.

Além da atuação executiva, Lorenci também participa como acionista e conselheiro de uma holding com presença nos setores de agronegócio, energia, incluindo geração e transmissão, e real estate, com operações no Brasil e nos Estados Unidos. A vivência em diferentes segmentos amplia a leitura sobre dinâmicas setoriais, um fator que tem pesado na definição de teses de investimento e valuation.

Com formação em Direito e Engenharia Civil, pós-graduação em ESG e atualmente cursando mestrado em Economia pela FGV-EESP, o novo sócio combina repertório técnico e visão de mercado, uma combinação cada vez mais demandada em operações que envolvem não apenas números, mas também riscos regulatórios, ambientais e de governança.

“Hoje, uma operação bem-sucedida não depende só de valuation ou estrutura financeira. Ela passa por entender riscos regulatórios, incorporar critérios ESG desde o início e construir uma narrativa consistente para o investidor. É essa visão integrada que eu busco trazer para as transações”, afirma Lorenci.

Segundo a Zaxo, a entrada do novo sócio está alinhada ao objetivo de fortalecer duas frentes importantes do negócio: a originação, etapa de identificação e conexão entre empresas e potenciais investidores, e a condução dos mandatos em andamento, em um momento em que a boutique está mandatada por mais de 2 dúzias de empresas para processos tanto de venda quanto de aquisição, e em um ambiente em que timing, estrutura e narrativa financeira influenciam diretamente o sucesso das operações.

A boutique atua assessorando empresas tanto no sell side, quando estão procurando uma oportunidade de venda, quanto no buy side, quando buscam ativos para adquirir ou investir.

Com mais de duas décadas de atuação, a Zaxo estrutura seus projetos em três etapas: preparação, transação e pós-transação, refletindo uma mudança de abordagem no mercado, em que o fechamento do negócio deixa de ser o ponto final e passa a ser parte de um processo mais amplo de geração de valor.

Com unidades em Curitiba, Florianópolis e Goiânia e time espalhado por todo o País, a empresa atende companhias de diferentes portes e setores, em um cenário em que o M&A segue sendo uma das principais vias de crescimento, consolidação e reposicionamento estratégico no país e onde a Zaxo permanece tendo posição de destaque no cenário nacional de assessorias financeiras em M&A, agora reforçada e ainda mais preparada com a chegada do novo sócio, que vem somar muito para a execução de um novo ciclo de crescimento que se inicia.

Gustavo Lorenci passa a coliderar projetos e reforça a originação de negócios após experiência em operações relevantes de M&A

A Zaxo M&A Partners anunciou a entrada de Gustavo Lorenci como novo sócio da boutique financeira. O executivo já fazia parte da equipe desde 2023 como diretor associado e passa agora a atuar na coliderança de projetos e na originação de novas oportunidades de negócios. Com 12 anos de experiência, Lorenci participou da venda da Fasttel para a multinacional indiana Kalpataru em 2021, operação superior a 100 milhões de reais. .

Segundo a Zaxo, a chegada do novo sócio reforça as frentes de originação e execução de mandatos em andamento. A boutique atua atualmente em mais de vinte processos de venda e aquisição de empresas, com unidades em Curitiba, Florianópolis e Goiânia. Lorenci destaca que operações bem-sucedidas exigem não apenas valuation e estrutura financeira, mas também atenção a riscos regulatórios, critérios ESG e construção de uma narrativa consistente para investidores.

Entrada de Gustavo Lorenci na Zaxo M&A Partners

A Zaxo M&A Partners anunciou recentemente a inclusão de Gustavo Lorenci como novo sócio da boutique financeira. O profissional já integrava a equipe desde o ano de 2023, atuando como diretor associado. Com essa mudança, ele agora assume um papel de co-liderança em projetos, além de ser responsável pela originação de novas oportunidades de negócios.

Experiência e Contribuições

Com uma trajetória de 12 anos de experiência no mercado, Lorenci foi uma das figuras chave na venda da Fasttel, realizada para a multinacional indiana Kalpataru em 2021. Essa transação foi superior a 100 milhões de reais, destacando a relevância de seu papel no setor.

Fortalecimento da Originação e Execução

A Zaxo M&A Partners enfatizou que a inclusão de Lorenci reforça as frentes de originação e a execução dos mandatos que estão atualmente em andamento. Presentemente, a boutique financeira atua em mais de vinte processos relacionados à venda e aquisição de empresas. A empresa possui unidades em cidades estratégicas como Curitiba, Florianópolis e Goiânia.

Abordagem em Operações de M&A

Lorenci ressalta que operações bem-sucedidas no segmento de fusões e aquisições não se baseiam unicamente na avaliação de empresas e na estruturação financeira. Ele enfatiza a importância de se atentar a riscos regulatórios, critérios de Environmental, Social and Governance (ESG), além da necessidade de construir uma narrativa consistente que atraia investidores.

Com M&A global próximo de US$ 4,8 trilhões em 2025, empresas enfrentam a decisão entre desenvolver soluções internamente (Build) ou adquirir tecnologias prontas (Buy).

Segundo a Zaxo M&A Partners, o Build garante controle e alinhamento estratégico, mas exige mais tempo e investimento. Já o Buy acelera a inovação ao incorporar soluções, talentos e mercado.

A escolha depende de fatores como velocidade, custo, risco e acesso a competências — e, na prática, muitas empresas combinam as duas abordagens

Este é um trecho original publicado em Exame.com. Leia a matéria completa em https://exame.com/bussola/bussola-cia-preco-do-diesel-registra-escalada-de-2880/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento

WhatsApp, Instagram e Facebook consolidaram-se como uma das negociações mais relevantes do mercado global de fusões e aquisições (M&A) no ano. Para analistas, no entanto, o movimento está longe de ser um caso isolado e reflete uma tendência mais ampla de consolidação estratégica no setor de tecnologia.

“Há um movimento de fusões e aquisições no mercado de tecnologia como estratégia para alavancar negócios. Empresas que partem para a compra, como a Meta, objetivam adquirir algoritmos, talentos e competências, que se tornam ativos importantes, acelerando seus departamentos de inovação sem desenvolver do zero”, observa o administrador Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo, boutique de M&A.

Ou seja, o movimento de M&A passa a se configurar como ferramenta para agregar competências e funcionalidades tecnológicas que a empresa não dispõe internamente, mas que são vistas como impulsionadoras. Segundo o especialista, esse movimento se intensificou com a difusão de tecnologias de inteligência artificial.

Segundo um estudo da Bain & Company, o M&A em tecnologia atingiu crescimento superior a 76% no valor das transações, alcançando US$ 478 bilhões no acumulado do ano. Quase metade do valor estratégico de negócios acima de US$ 500 milhões envolveu empresas nativas de IA ou citou benefícios ligados à IA.

Ainda de acordo com o levantamento, no último ano houve forte mudança para “scope deals”, aquisições voltadas à expansão em novos mercados e segmentos de clientes, em vez de “scale deals”, focados apenas em ampliar operações existentes.

Cerca de 60% das transações acima de US$ 1 bilhão foram classificadas como de escopo, o maior índice já registrado, refletindo foco em crescimento de receita e aquisição de novas capacidades.

Contudo, de acordo com Grisotto, não só grandes empresas, como também aquelas de médio porte, têm adotado essa estratégia.

“Apesar de a maioria dos negócios envolver valores acima de US$ 5 bilhões, internamente, no Brasil, também temos exemplos, e o movimento se apresenta como tendência do mercado nacional de M&A”, frisa.

No país, as fusões e aquisições envolvendo players do setor de tecnologia abrangem principalmente desenvolvedoras de softwares como serviço, plataformas de gestão empresarial, inteligência artificial e organizações de cibersegurança.

“Empresas que precisam intensificar e acelerar sua digitalização optam por adquirir soluções consolidadas, em vez de começar do zero nesse processo”, pontua o executivo da Zaxo M&A Partners.

A inovação proporcionada pelas novas tecnologias, competências e talentos incorporados com o processo de M&A, junto com governança e capacidade de resiliência, torna-se, na avaliação do especialista, alicerce para empresas que buscam expansão acelerada, mas sustentável.

“O M&A cada vez mais é entendido como um caminho estratégico para o crescimento de uma organização. Isso da perspectiva ‘buy’ (de quem deseja comprar). Do ponto de vista ‘build’, o M&A estimula o desenvolvimento interno de inovações, inclusive. Para médias empresas, isso é ainda mais relevante”, ilustra Grisotto.

Além disso, muitas vezes a aquisição tem caráter defensivo, ou seja, evitar que um concorrente incorpore determinada tecnologia, equipe ou base de clientes pode ser tão estratégico quanto expandir portfólio.

“Nesses casos, comprar passa a ser uma forma de proteger posicionamento, garantir acesso à inovação e bloquear movimentos adversários. Na prática, isso torna o ambiente mais dinâmico e competitivo: empresas que não acompanham o ritmo de consolidação tendem a perder relevância, enquanto grupos capitalizados aceleram sua capacidade de entrega e de escala”, completa o executivo.

Na corrida por inovação, empresas têm cada vez mais optado por comprar soluções prontas em vez de desenvolver tecnologia dentro de casa. A estratégia, conhecida como “build or buy”, ganhou força em um mercado global de fusões e aquisições que movimentou até US$ 4,8 trilhões em 2025.

Segundo a Zaxo M&A Partners, o movimento reflete a pressão por velocidade e competitividade — em muitos casos, adquirir uma empresa significa comprar tempo, acesso a talentos e entrada imediata no mercado.

Ainda assim, o desenvolvimento interno segue relevante quando a tecnologia é considerada estratégica. Na prática, o que se vê é uma combinação dos dois caminhos: empresas constroem o que é core e compram o que acelera crescimento.

Inovação Empresarial e Fusões e Aquisições

No contexto atual de inovação, as empresas estão cada vez mais adotando a prática de adquirir soluções prontas, em vez de desenvolver tecnologia internamente. Essa abordagem, conhecida como “build or buy”, ganhou destaque em um mercado global de fusões e aquisições que, em 2025, movimentou até US$ 4,8 trilhões.

A Pressão por Velocidade e Competitividade

Conforme afirmado pela Zaxo M&A Partners, essa tendência reflete a necessidade crescente de velocidade e competitividade no ambiente de negócios. Em diversas situações, a aquisição de uma empresa se traduz na compra de tempo, acesso a talentos e uma entrada rápida no mercado, o que pode ser decisivo para o sucesso de uma organização.

Manutenção do Desenvolvimento Interno

Por outro lado, o desenvolvimento interno de tecnologia continua a ser uma prática relevante, especialmente quando esta é considerada estratégica para a atuação da empresa. Dessa forma, observa-se uma combinação de abordagens, onde as empresas tendem a construir internamente o que é essencial e, ao mesmo tempo, adquirir o que pode acelerar o seu crescimento no mercado.

O setor de logística no Brasil projeta um novo ciclo de crescimento e modernização, impulsionado pela retomada das fusões e aquisições (M&A). Com expansão média estimada em 4,8% ao ano nos próximos cinco anos, o mercado deve intensificar movimentos de consolidação, digitalização e ganho de escala operacional. Segundo análise da Redirection International — empresa especializada em assessoria de fusões e aquisições para operações de middle market, com atuação no Brasil e no exterior —, o setor já é avaliado em cerca de R$ 115 bilhões, com tendência de fortalecimento a partir de 2026.

Mesmo diante da pressão sobre os custos operacionais, provocada tanto por fatores internos quanto por conflitos internacionais, o segmento mantém perspectiva positiva. Em 2025, o volume transportado no país cresceu 7%, considerando apenas o transporte rodoviário de cargas. Além disso, a expectativa é de aumento da demanda em 2026, puxada principalmente pelos setores de varejo, agronegócio e reposição industrial.

Consolidação e escala impulsionam fusões e aquisições na logística

De acordo com o economista Gabriel Loest Cardoso, sócio da Redirection International, o ambiente já mostra sinais claros de retomada. “A consolidação do setor de frete e logística, a busca por automação e eficiência operacional e a expansão da infraestrutura logística impulsionam o mercado de fusões e aquisições no Brasil, após um período de desaceleração. Somente nos últimos dois anos foram realizadas cerca de 40 transações de M&A por ano no país”, destaca.

Nesse contexto, observa-se a intensificação de investimentos estratégicos e financeiros, especialmente em mercados fragmentados. Operadores de maior porte têm buscado ampliar escala, otimizar rotas e aumentar a densidade operacional. Ao mesmo tempo, há avanço na integração vertical e na ampliação de portfólio, com aquisição de empresas complementares para agregar valor às soluções oferecidas.

Outro movimento relevante é a regionalização das operações. Grupos logísticos vêm expandindo sua presença geográfica por meio de aquisições, com o objetivo de aumentar capacidade e reduzir distâncias em relação a clientes estratégicos. Entre exemplos recentes estão a aquisição da Buskar.me pela Tegma, em 2025, e a compra da SMX Logistics pela espanhola TIBA no mesmo período.

“Os consolidadores estão ativamente buscando aquisições que permitam expandir portfólio de serviços e enriquecer a proposta de valor, além de integrar operações em mercados fragmentados para criar campeões regionais”, explica Cardoso. “Os segmentos com maior potencial incluem FTL/LTL, freight forwarding, logística contratual, comercialização e locação de frotas, além de operações de drayage, todos com forte espaço para consolidação”, complementa.

No campo da valorização, o cenário também apresenta mudanças. Após um período de compressão, os múltiplos de mercado mostram recuperação gradual. O indicador EVA/EBITDA médio do setor deve passar de cerca de 3,8x em 2024 para níveis próximos de 5,0x em 2026, indicando ambiente mais equilibrado e potencialmente favorável aos vendedores.

Segundo a Redirection International, esse movimento reflete a valorização das empresas listadas, além de fatores como liquidez, retorno sobre o capital investido (ROIC), crescimento de receita e nível de alavancagem. “Estamos saindo de um cenário recente em que, em muitos casos, o valor econômico de operadores logísticos médios era inferior ao valor da sua própria frota. Hoje, o mercado começa a reconhecer melhor a geração de caixa e o potencial estratégico desses ativos”, afirma Cardoso.

Diante desse novo ciclo, a preparação das empresas se torna decisiva. Planejamento estratégico, fortalecimento da governança corporativa, realização de valuation independente e organização para processos de diligência passam a ser etapas essenciais para capturar valor em futuras transações.

Fatores como a retomada da liquidez, maior exigência de governança e foco em setores estratégicos estão entre a tendências

Após um período marcado por cautela, valuations pressionados e negociações travadas pelo alto custo do capital, o mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil começa a dar sinais de retomada. A expectativa de redução da taxa básica de juros e o retorno gradual da liquidez, tanto no mercado doméstico quanto no internacional, voltam a colocar o crescimento não orgânico no radar de empresas e investidores.

Para especialistas do setor, o novo ciclo tende a ser mais seletivo. Em vez de um volume elevado de negócios, a tendência é que a qualidade das empresas e a solidez da gestão tenham peso decisivo nas operações de fusão e aquisição.

O sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, Jefferson Nesello, afirma que o ambiente atual exige mais preparo das companhias que buscam investidores ou pretendem participar de operações estratégicas.

“Com a circulação de liquidez impulsionada pela possível queda dos juros, o capital volta ao mercado, mas com filtros mais rigorosos. Governança corporativa, compliance ativo, previsibilidade financeira e capacidade de integração passaram a pesar tanto quanto indicadores de crescimento”, afirma.

Nesse contexto, especialistas apontam cinco movimentos que devem marcar o mercado de fusões e aquisições em 2026.

1. Retorno do capital estrangeiro eleva o nível de exigência

O interesse internacional pelo Brasil continua relevante. Levantamento da KPMG apontou 739 operações de M&A no primeiro semestre do último ano, com destaque para tecnologia da informação, instituições financeiras e empresas de internet.

Segundo Leandro Grisotto, também sócio-diretor da Zaxo, a presença de investidores estrangeiros aumenta o rigor nas negociações.

“O capital internacional vê o Brasil como mercado estratégico, mas exige padrões globais de governança, ESG e transparência societária”, explica.

2. Empresas de médio porte viram alvo preferencial

O chamado middle market (empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões) deve concentrar grande parte das operações de fusão e aquisição.

Essas companhias costumam apresentar características valorizadas pelos investidores:

“Em muitos casos, M&A é uma forma de comprar tempo. Ao trazer um sócio ou vender parte da empresa, o empresário ganha capital e governança para crescer mais rápido”, afirma Nesello.

3. Tecnologia, saúde e energia lideram as oportunidades

O próximo ciclo de fusões e aquisições tende a se concentrar em setores ligados a tendências estruturais da economia. Entre os principais estão:

Empresas que utilizam aquisições como estratégia de expansão costumam acelerar o crescimento e ampliar a presença no mercado.

“O erro mais comum é tratar a aquisição apenas como um evento financeiro. Cultura organizacional e integração operacional determinam o sucesso da operação”, destaca Grisotto.

4. Due diligence mais rigorosa e negociações mais estruturadas

Com mais capital circulando, cresce também a necessidade de análises profundas antes de fechar uma operação. Avaliações incompletas podem gerar problemas como passivos ocultos ou preços inflacionados.

Entre as práticas que devem ganhar força estão:

“Não basta olhar o potencial de mercado. O comprador precisa entender profundamente o negócio e estruturar bem o pagamento”, afirma Nesello.

5. Integração pós-aquisição se torna etapa decisiva

Outro ponto que ganha relevância no mercado de M&A é o processo de integração após a conclusão da transação, conhecido como Post Merger Integration (PMI).

É nessa fase que surgem desafios como alinhamento cultural, integração de sistemas e retenção de talentos.

“É na integração que o valor teórico vira valor real. Se a empresa perder talentos ou clientes no processo, o retorno da aquisição pode desaparecer”, alerta Grisotto.

Governança será fator decisivo

Para especialistas, o novo ciclo de fusões e aquisições tende a dividir empresas entre aquelas preparadas para receber investimento e aquelas que ainda operam com estruturas informais. Organização financeira, governança corporativa e gestão profissional passaram a ser requisitos básicos para quem deseja atrair capital ou participar de uma operação estratégica.

“Quando a liquidez volta, o capital fica menos escasso, mas mais exigente. Governança é o que transforma uma empresa promissora em uma empresa realmente vendável”, conclui Grisotto.

Estudo da Bain mostra avanço global do M&A com foco em inteligência artificial e expansão de capacidades, movimento que também ganha força no Brasil

O movimento de fusões e aquisições em tecnologia tem crescido como estratégia para acelerar negócios, especialmente na área de inteligência artificial. Segundo estudo da Bain & Company, o valor das transações no setor aumentou 76% em 2025, alcançando 478 bilhões de dólares, com 60% dos negócios acima de 1 bilhão de dóalres voltados à expansão de capacidades e entrada em novos mercados.

De acordo com Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, o movimento também se fortalece no Brasil, inclusive entre empresas de médio porte. Ele destaca que companhias têm optado por adquirir soluções consolidadas — como softwares, plataformas de gestão, IA e cibersegurança — para acelerar a inovação e a digitalização. Além do crescimento, muitas aquisições também têm caráter defensivo, protegendo posicionamento e evitando o avanço de concorrentes.

O movimento de fusões e aquisições no setor de tecnologia tem se intensificado como uma estratégia para acelerar negócios, especialmente na área de inteligência artificial.

Segundo estudo da Bain & Company, o valor das transações no setor aumentou 76% em 2025, alcançando 478 bilhões de dólares. Destes, 60% dos negócios acima de 1 bilhão de dólares estão voltados à expansão de capacidades e entrada em novos mercados.

Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, afirma que o movimento também se fortalece no Brasil, incluindo empresas de médio porte.

Grisotto destaca que companhias têm optado por adquirir soluções consolidadas, como softwares, plataformas de gestão, inteligência artificial e cibersegurança, para acelerar a inovação e a digitalização.


O movimento de fusões e aquisições no setor de tecnologia tem se intensificado como uma estratégia para acelerar negócios, especialmente na área de inteligência artificial.

Segundo estudo da Bain & Company, o valor das transações no setor aumentou 76% em 2025, alcançando 478 bilhões de dólares. Destes, 60% dos negócios acima de 1 bilhão de dólares estão voltados à expansão de capacidades e entrada em novos mercados.

Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, afirma que o movimento também se fortalece no Brasil, incluindo empresas de médio porte.

Grisotto destaca que companhias têm optado por adquirir soluções consolidadas, como softwares, plataformas de gestão, inteligência artificial e cibersegurança, para acelerar a inovação e a digitalização.

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Além do crescimento, muitas aquisições possuem caráter defensivo, protegendo o posicionamento das empresas e evitando o avanço de concorrentes.

Crescimento das Fusões e Aquisições no Setor de Tecnologia

O movimento de fusões e aquisições no setor de tecnologia tem apresentado um aumento significativo, tornando-se uma estratégia relevante para acelerar o crescimento de negócios, particularmente na área de inteligência artificial. Segundo um estudo conduzido pela Bain & Company, o valor das transações nesse setor cresceu 76% em 2025, alcançando a cifra de 478 bilhões de dólares. Destaca-se que 60% dessas operações foram realizadas em negócios que ultrapassam o montante de 1 bilhão de dólares, com foco na ampliação de capacidades e na inserção em novos mercados.

Panorama no Brasil

De acordo com Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, esse movimento também se fortalece no Brasil, envolvendo inclusive empresas de médio porte. Ele ressalta que muitas companhias têm optado por adquirir soluções já consolidadas, como softwares, plataformas de gestão, inteligência artificial e cibersegurança. Essas aquisições visam acelerar processos de inovação e promover a digitalização nos negócios.

Motivações para Aquisições

Além do impulso ao crescimento, muitas das aquisições realizadas apresentam um caráter defensivo. Isso significa que as empresas buscam proteger sua posição no mercado e evitar o avanço de concorrentes. Essa estratégia se torna ainda mais importante em um cenário onde a competitividade é acirrada e a inovação tecnológica avança rapidamente. A aquisição de tecnologias já estabelecidas permite que as empresas se mantenham relevantes e adaptáveis a novas tendências do mercado.

No ano da governança, a liquidez volta ao centro do jogo e redefine o M&A no Brasil

Após um período marcado por cautela, valuations comprimidos e negociações travadas pelo alto custo do capital, o mercado brasileiro de fusões e aquisições começa a dar sinais claros de retomada. A expectativa de queda da Selic, somada ao retorno gradual da liquidez — tanto no mercado doméstico quanto no internacional — volta a colocar o crescimento não orgânico no radar de empresas e fundos.
Esse é o panorama traçado por Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners. Para ele, o mercado atravessa uma fase mais seletiva, em que qualidade prevalece sobre volume de trasações.

“Com a esperada circulação da liquidez em função da possível redução da taxa base de juros, o capital fica (ainda mais) seletivo. Os investidores voltam ao mercado com caixa, mas também com filtros mais rigorosos e listas de exigências mais longas. Governança corporativa, compliance ativo, previsibilidade financeira e capacidade de integração passaram a pesar tanto quanto EBITDA (capacidade de geração de caixa) e projeções de crescimento”, explica.

Para boutiques especializadas em middle market — médio porte, com faturamento anual entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões — como a Zaxo M&A Partners, a equação do novo ciclo mostra que a liquidez destrava transações, mas só empresas preparadas capturam valor.

“A redução do custo de capital muda a matemática das aquisições. O financiamento fica mais barato, o valor presente dos fluxos de caixa aumenta e os valuations se recuperam”, afirma. “Mas isso vem acompanhado de mais competição pelos melhores ativos. Quem não tiver governança estruturada vai ficar para trás”.

O executivo aponta cinco frentes que definem quem atrai investimento:
1 – Estrangeiros voltam, exigências sobem – 
Os números confirmam a retomada. Levantamento da KPMG aponta 739 operações de M&A no primeiro semestre do último ano, com destaque para tecnologia da informação, instituições financeiras e empresas de internet. Também houve avanço nas compras feitas por estrangeiros, quase 12% acima do mesmo período do ano anterior.

Para Leandro Grisotto, também sócio-diretor da Zaxo, a presença internacional funciona como um selo de pressão adicional sobre as empresas locais. “O capital estrangeiro continua vendo o Brasil como mercado estratégico, mas com padrões globais de exigência. Governança, ESG, compliance e clareza societária deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos.”

Na prática, isso eleva o grau de pressão já na largada. “Oito em cada dez empresários descobrem que não estão prontos só quando o processo começa ou quando a proposta aparece na mesa e não atende as exigências ou as expectativas. Falta documentação organizada, sobra dependência excessiva do fundador, a inexistência de uma governança básica, colegiado de decisão e alinhamento como um conselho cobra seu preço e fragilidades fiscais pressionam como possíveis passivos. Tudo isso corrói sobremaneira o valuation.”

2 – Middle market vira o principal campo de disputa – Embora o estudo da KPMG não segmente as transações por porte, o interesse pelas médias empresas tem sido recorrente. São companhias com posição consolidada em nichos, liderança regional e espaço para profissionalização, combinação que agrada tanto fundos de private equity quanto compradores estratégicos.

Para Jefferson Nesello, há um componente estrutural nesse interesse. “Em boa parte das transações, M&A é – principalmente – comprar tempo. Além disso, na maioria das vezes, o empresário brasileiro cresce sozinho. Ao trazer um sócio ou vender parte da operação, ganha capital, governança e musculatura para dar o próximo salto”.

Em momentos de aperto de margem e dificuldade de acesso a crédito, muitas companhias acabam vendo nas fusões e aquisições uma alternativa para financiar sua expansão.

Mas o especialista alerta: sem um tripé bem montado — inovação, governança e resiliência — dificilmente essas empresas chegam ao fechamento de um bom negócio. “A inovação sustenta o crescimento, a resiliência garante estabilidade e a governança transforma potencial em valor concreto. Um pilar sem o outro não se sustenta”.

3 – Tecnologia, saúde e energia concentram a nova onda – O próximo ciclo deve seguir concentrado em setores ligados a tendências estruturais. Tecnologia segue na dianteira, especialmente modelos SaaS e fintechs, ao lado de saúde, energia renovável e agronegócio exportador.

Casos recentes ajudam a ilustrar como uma estratégia disciplinada de aquisições cria escala. Desde 2019, a Cadastra comprou seis empresas no Brasil e no exterior, incorporando negócios como A7B, M3, Digital Ethos, QExpert e Maeztra. Com apoio de uma boutique de M&A e um plano de longo prazo, ampliou portfólio, saltou de 150 para 350 clientes e fechou 2024 com faturamento de R$ 202 milhões.

Para Leandro Grisotto, exemplos assim reforçam que timing e integração são tão importantes quanto o preço.

“O erro mais comum é tratar a aquisição como evento financeiro. O sucesso começa antes da assinatura do contrato. Cultura, lideranças e sistemas determinam se a sinergia vai aparecer ou se o valor da transação vai evaporar”.

4 – Due diligence mais dura, erros mais caros – Com mais capital em circulação, aumenta também o risco de decisões apressadas e a probabilidade de más transações. Overpricing (preço acima do mercado), passivos ocultos e integrações mal planejadas costumam surgir em ciclos de euforia.

“A disciplina de realizar um verdadeiro raio-X completo do negócio é inegociável”, afirma Jefferson. “Não dá para comprar só pela janela de mercado. O comprador precisa ter clareza da sinergia estratégica e estruturar bem o pagamento.” Segundo ele, mecanismos como earn-outs — pagamentos condicionados ao desempenho futuro — tendem a ganhar espaço para mitigar riscos e alinhar interesses no pós-aquisição, ainda que exista atualmente uma camada de complexidade adicional, advinda da reforma tributária.

Na outra ponta, empresas que pretendem atrair capital precisam iniciar desde já um processo de arrumação interna, como separar finanças pessoais das corporativas, revisar contratos, mapear riscos jurídicos, formalizar estruturas de acompanhamento e de compliance e formatar a governança da gestão, como a instaurração de um conselho, por exemplo (consultivo ou de administração, se for o caso). “Governança não se constrói em seis meses. É um processo contínuo”, reforça Grisotto.

5 – Pós-aquisição virou o verdadeiro campo de batalha – Outro ponto que ganhou centralidade é a fase de integração. Estatísticas globais mostram que boa parte das falhas em M&A ocorre depois do fechamento, quando culturas entram em choque e sistemas não conversam.
Para a Zaxo, o Post Merger Integration (PMI) deixou de ser detalhe operacional. “É na integração que o valor teórico vira valor real. Se perder talentos-chave, clientes ou velocidade comercial, a conta não fecha”, diz Grisotto.

Capital está voltando, mas só para quem está pronto – Na visão da Zaxo, o ciclo atual tende a separar empresas em dois grupos: as que usam a janela de liquidez para se profissionalizar e acelerar a expansão, e as que permanecem dependentes do fundador e de estruturas informais.

“Quando a liquidez volta, o capital fica menos escasso e mais exigente”, resume Jefferson Nesello. “Governança é a garantia de que o investimento está protegido. Ela transforma uma empresa promissora em uma empresa vendável e, mais do que isso, em uma empresa com opções”, finaliza.

Liquidez volta gradualmente, mas investidores elevam exigências de governança, compliance e previsibilidade financeira

Após um período marcado por cautela, valuations comprimidos e negociações travadas pelo alto custo do capital, o mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) começa a apresentar sinais consistentes de retomada. A expectativa de redução da taxa Selic e o retorno gradual da liquidez, tanto no mercado doméstico quanto no internacional, recolocam o crescimento não orgânico no radar de empresas e fundos de investimento.

O cenário é traçado por Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners. Segundo ele, o novo ciclo é mais seletivo, com foco na qualidade dos ativos, e não apenas no volume de transações.

“Com a esperada circulação da liquidez em função da possível redução da taxa base de juros, o capital fica ainda mais seletivo. Os investidores voltam ao mercado com caixa, mas também com filtros mais rigorosos. Governança corporativa, compliance ativo, previsibilidade financeira e capacidade de integração passaram a pesar tanto quanto EBITDA e projeções de crescimento”, afirma.

Middle market no centro da disputa

Levantamento da KPMG aponta 739 operações de M&A no primeiro semestre do último ano, com destaque para Tecnologia da informação, instituições financeiras e empresas de internet. As aquisições feitas por estrangeiros cresceram quase 12% em relação ao mesmo período anterior.

Para Leandro Grisotto, também sócio-diretor da Zaxo, o capital internacional continua vendo o Brasil como mercado estratégico, mas com padrões globais de exigência. “Governança, ESG, compliance e clareza societária deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos.”

Embora o estudo da KPMG não segmente as operações por porte, o middle market — empresas com faturamento anual entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões — tem se consolidado como principal campo de disputa. São companhias com liderança regional, atuação em nichos consolidados e potencial de profissionalização, perfil que atrai fundos de private equity e compradores estratégicos.

Setores que lideram a nova onda

O próximo ciclo tende a concentrar transações em setores ligados a tendências estruturais, como tecnologia (especialmente modelos SaaS e fintechs), saúde, energia renovável e agronegócio exportador.

Um exemplo citado pelo mercado é a estratégia de crescimento da Cadastra, que desde 2019 realizou seis aquisições no Brasil e no exterior. Com a incorporação de empresas como A7B, M3, Digital Ethos, QExpert e Maeztra, a companhia ampliou seu portfólio, saltou de 150 para 350 clientes e encerrou 2024 com faturamento de R$ 202 milhões.

Para Grisotto, o sucesso em M&A depende tanto de timing quanto de integração. “O erro mais comum é tratar a aquisição como um evento financeiro. Cultura, lideranças e sistemas determinam se a sinergia vai aparecer ou se o valor da transação vai evaporar.”

Due diligence mais rigorosa

Com maior circulação de capital, aumenta também o risco de decisões precipitadas. Overpricing, passivos ocultos e integrações mal planejadas costumam surgir em ciclos de euforia.

Jefferson Nesello destaca que a disciplina na due diligence é inegociável. Estruturas como earn-outs — pagamentos condicionados ao desempenho futuro — tendem a ganhar espaço para mitigar riscos e alinhar interesses no pós-aquisição, especialmente em um cenário que ainda incorpora incertezas relacionadas à reforma tributária.

Empresas interessadas em atrair capital, segundo os especialistas, devem iniciar um processo estruturado de preparação interna: separar finanças pessoais das corporativas, revisar contratos, mapear riscos jurídicos, formalizar mecanismos de compliance e instituir conselhos consultivos ou de administração.

Integração virou diferencial competitivo

A fase de integração pós-fechamento, conhecida como Post Merger Integration (PMI), ganhou centralidade no novo ciclo. Estatísticas globais indicam que parte relevante das falhas em M&A ocorre após a assinatura do contrato, quando culturas entram em choque e sistemas não se integram.

Na avaliação da Zaxo, o ciclo atual tende a dividir empresas entre as que utilizam a janela de liquidez para se profissionalizar e acelerar a expansão e aquelas que permanecem dependentes do fundador e de estruturas informais.

“Quando a liquidez volta, o capital fica menos escasso e mais exigente. Governança é a garantia de que o investimento está protegido. Ela transforma uma empresa promissora em uma empresa vendável e, mais do que isso, em uma empresa com opções”, conclui Nesello.

Expectativas para o Mercado de Fusões e Aquisições em 2026

Com perspectivas de declínio da Selic e aumento da liquidez, o mercado brasileiro de fusões e aquisições está se preparando para uma retomada seletiva no início de 2026, conforme análise realizada pela Zaxo M&A Partners. Segundo Jefferson Nesello, sócio-diretor da consultoria, a atração de capital precisa estar acompanhada de rigorosos padrões de governança, compliance, previsibilidade financeira e integração. Esses fatores, conforme observado, adquiriram a mesma importância que o EBITDA e as projeções de crescimento nos processos de aquisição e fusão.

Tendências Identificadas para 2026

A análise elaborada pela Zaxo M&A Partners identifica cinco tendências principais que devem moldar o cenário de fusões e aquisições ao longo do ano:

1. Retorno do Capital Estrangeiro

O capital estrangeiro, que havia se afastado nos últimos anos, está começando a retornar com a adoção de padrões globais mais rigorosos. Esse movimento é um indicativo de confiança no mercado brasileiro.

2. Fortalecimento do Middle Market

O middle market, que abrange empresas de médio porte, está se tornando cada vez mais relevante nas transações de M&A. Esses negócios são frequentemente vistos como oportunidades de crescimento e inovação no mercado.

3. Concentração em Setores Específicos

Dentre os setores que devem atrair mais transações, destacam-se tecnologia, saúde, energia e agronegócio. Estes segmentos estão mostrando um potencial significativo para crescimento, atraindo, assim, investidores.

4. Due Diligence Aprofundada

A necessidade de uma due diligence mais detalhada se torna uma tendência crescente, permitindo que os investidores realizem avaliações mais minuciosas das empresas antes de efetivar transações. Isso ajuda a mitigar riscos associados a fusões e aquisições.

5. Atenção à Integração Pós-Aquisição

Outro fator crítico que se destaca é a ênfase na integração pós-aquisição como elemento chave para a criação de valor. As empresas agora reconhecem que a maneira como os ativos são integrados pode impactar diretamente o sucesso da transação.

Conclusão de Jefferson Nesello

“Liquidez é um fator que pode destravar transações, mas, para que as empresas se beneficiem desse ambiente, é fundamental que estejam devidamente preparadas para capturar o valor. A governança deixará de ser apenas um diferencial e passará a ser vista como um pré-requisito essencial para o sucesso em fusões e aquisições”, conclui Nesello.

Com queda esperada da Selic e maior liquidez, fusões e aquisições retomam em 2026 com foco em governança, rigor na due diligence e integração pós-negócio.

Com a expectativa de queda da Selic e maior liquidez, o mercado brasileiro de fusões e aquisições inicia 2026 em retomada seletiva, segundo a Zaxo M&A Partners. Para Jefferson Nesello, sócio-diretor da consultoria, a volta do capital exige rigor em governança, compliance, previsibilidade financeira e integração, fatores que passaram a ter peso equivalente ao EBITDA e às projeções de crescimento. A análise aponta cinco tendências para o ano: retorno do capital estrangeiro com padrões globais, fortalecimento do middle market, concentração de transações em tecnologia, saúde, energia e agronegócio, due diligence mais detalhada e maior atenção à integração pós-aquisição como elemento de criação de valor. “Liquidez destrava transações, mas só empresas preparadas capturam valor. Governança deixou de ser diferencial e passou a ser pré-requisito”, resume Nesello

Governança, cultura e confiança entre lideranças são fatores tão estratégicos quanto números e contratos para o sucesso das operações no Brasil

Grisotto: "M&A é sobre transformações. Quem entende isso entende o que é conhecer M&A de verdade"

Muita gente fala sobre M&A como se fosse um jogo de planilhas e cláusulas contratuais. E, claro, finanças, valuation e due diligence são parte essencial do processo. Mas, depois de viver dezenas de operações, algumas que deram muito certo, outras que quase me tiraram o sono, posso dizer com segurança que conhecer M&A de verdade é entender de gente.

Negócios não se fundem. Pessoas é que se unem. Por trás de cada número, existe uma cultura, um jeito de pensar, uma história. Quando duas empresas decidem caminhar juntas, o desafio não está apenas em encontrar sinergias financeiras, mas em alinhar expectativas, medos e propósitos.

Lembro de uma operação em que tudo parecia perfeito no papel: margens complementares, produto aderente, mercado promissor. Mas a transação não avançou. O motivo? Falta de confiança entre os times. Um detalhe invisível no Excel, mas decisivo no resultado. E é aí que muitos subestimam o verdadeiro trabalho de quem vive M&A, pois não se trata apenas de comprar e vender empresas, mas de construir pontes entre pessoas.

Outro equívoco comum é achar que M&A começa quando alguém decide vender. Na prática, começa muito antes, quando o negócio é bem estruturado, tem governança, processos claros e propósito definido. Esse preparo define se a empresa será vista como uma oportunidade estratégica ou apenas mais um ativo à venda.

E os números confirmam como esse preparo faz diferença. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 827 transações de M&A, movimentando US$ 25,6 bilhões, conforme o relatório da TTR Data, em parceria com a Datasite.

Mesmo diante de juros elevados e incerteza econômica, o relatório aponta que, apenas nos quatro primeiros meses do ano, R$ 56,5 bilhões foram negociados em 537 operações. Ou seja, o mercado segue ativo, mas cada vez mais seletivo.

Os setores que lideram o volume de transações, como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura, refletem uma mudança de mentalidade. O capital está migrando para negócios mais resilientes, sustentáveis e escaláveis. Dados do TTR LATAM mostram que, até agosto de 2025, a América Latina somava 1.855 transações e cerca de US$ 33 bilhões em capital mobilizado, ou seja, o valor total envolvido nas operações de fusões e aquisições, que inclui investimentos, trocas de participação e incorporações, e não apenas dinheiro em caixa. O Brasil responde por 1.142 dessas operações, consolidando sua posição como epicentro estratégico da região.

Na Zaxo, enxergamos cada operação como um organismo vivo. A due diligence não é só uma auditoria; é um diagnóstico. O valuation não é um número isolado; é um retrato do presente com base nas escolhas do passado. E o contrato não é o fim, é o começo de um novo ciclo que precisa ser bem conduzido para gerar valor real.

Olhando para 2026, a tendência é o crescimento das operações cross-border, a entrada de novos investidores institucionais, a consolidação de segmentos tecnológicos e maior rigor regulatório. Isso exige que as empresas estejam preparadas, com estrutura de governança sólida, transparência, cultura bem definida e uma visão estratégica de longo prazo.

M&A de verdade exige visão de negócio, sensibilidade humana e, acima de tudo, coragem. Coragem para dizer “não” quando os valores não se alinham. Coragem para abrir o jogo e discutir vulnerabilidades. Coragem para entender que nem toda fusão precisa acontecer e que, às vezes, a melhor decisão é seguir caminhos diferentes.

O mercado ainda trata M&A como uma corrida para ver quem compra ou vende mais rápido. Eu vejo como uma arte de integrar, de transformar sinergia em resultado, sem perder a essência do que cada empresa tem de único.

No fim das contas, M&A não é sobre transações. É sobre transformações. E quem entende isso entende o que é conhecer M&A de verdade.

*Leonardo Grisotto é sócio da Zaxo M&A Partners

Muita gente fala sobre M&A como se fosse um jogo de planilhas e cláusulas contratuais. E, claro, finanças, valuation e due diligence são parte essencial do processo. Mas, depois de viver dezenas de operações, algumas que deram muito certo, outras que quase me tiraram o sono, posso dizer com segurança que conhecer M&A de verdade é entender de gente.

Negócios não se fundem. Pessoas é que se unem. Por trás de cada número, existe uma cultura, um jeito de pensar, uma história. Quando duas empresas decidem caminhar juntas, o desafio não está apenas em encontrar sinergias financeiras, mas em alinhar expectativas, medos e propósitos.

embro de uma operação em que tudo parecia perfeito no papel: margens complementares, produto aderente, mercado promissor. Mas a transação não avançou. O motivo? Falta de confiança entre os times. Um detalhe invisível no Excel, mas decisivo no resultado. E é aí que muitos subestimam o verdadeiro trabalho de quem vive M&A, pois não se trata apenas de comprar e vender empresas, mas de construir pontes entre pessoas.

Outro equívoco comum é achar que M&A começa quando alguém decide vender. Na prática, começa muito antes, quando o negócio é bem estruturado, tem governança, processos claros e propósito definido. Esse preparo define se a empresa será vista como uma oportunidade estratégica ou apenas mais um ativo à venda.

E os números confirmam como esse preparo faz diferença. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 827 transações de M&A, movimentando US$ 25,6 bilhões, conforme o relatório da TTR Data, em parceria com a Datasite.

Mesmo diante de juros elevados e incerteza econômica, o relatório aponta que, apenas nos quatro primeiros meses do ano, R$ 56,5 bilhões foram negociados em 537 operações. Ou seja, o mercado segue ativo, mas cada vez mais seletivo.

Os setores que lideram o volume de transações, como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura, refletem uma mudança de mentalidade. O capital está migrando para negócios mais resilientes, sustentáveis e escaláveis. Dados do TTR LATAM mostram que, até agosto de 2025, a América Latina somava 1.855 transações e cerca de US$ 33 bilhões em capital mobilizado, ou seja, o valor total envolvido nas operações de fusões e aquisições, que inclui investimentos, trocas de participação e incorporações, e não apenas dinheiro em caixa. O Brasil responde por 1.142 dessas operações, consolidando sua posição como epicentro estratégico da região.

Na Zaxo, enxergamos cada operação como um organismo vivo. A due diligence não é só uma auditoria; é um diagnóstico. O valuation não é um número isolado; é um retrato do presente com base nas escolhas do passado. E o contrato não é o fim, é o começo de um novo ciclo que precisa ser bem conduzido para gerar valor real.

Olhando para 2026, a tendência é o crescimento das operações cross-border, a entrada de novos investidores institucionais, a consolidação de segmentos tecnológicos e maior rigor regulatório. Isso exige que as empresas estejam preparadas, com estrutura de governança sólida, transparência, cultura bem definida e uma visão estratégica de longo prazo.

M&A de verdade exige visão de negócio, sensibilidade humana e, acima de tudo, coragem. Coragem para dizer “não” quando os valores não se alinham. Coragem para abrir o jogo e discutir vulnerabilidades. Coragem para entender que nem toda fusão precisa acontecer e que, às vezes, a melhor decisão é seguir caminhos diferentes.

O mercado ainda trata M&A como uma corrida para ver quem compra ou vende mais rápido. Eu vejo como uma arte de integrar, de transformar sinergia em resultado, sem perder a essência do que cada empresa tem de único.

No fim das contas, M&A não é sobre transações. É sobre transformações. E quem entende isso entende o que é conhecer M&A de verdade.

*Leonardo Grisotto é sócio da Zaxo M&A Partners

M&A no Brasil em 2026: além dos números, entender pessoas e cultura faz a diferença

O fator humano segue decisivo em fusões bilionárias no Brasil, onde alinhar culturas e expectativas é tão estratégico quanto os números da transação.

O mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil em 2026 destaca-se não apenas pelos valores financeiros envolvidos, mas pela importância do fator humano nas negociações bilionárias. Embora análises financeiras, valuation e due diligence sejam essenciais, a experiência revela que o sucesso das operações depende profundamente do alinhamento cultural e da confiança entre as equipes.

O papel decisivo do fator humano em M&A

Negócios não se fundem, pessoas é que se unem. Por trás de cada número existe uma cultura, uma história e uma forma de pensar que precisam convergir para que a fusão ou aquisição funcione na prática. Casos em que tudo parecia perfeito no papel falharam porque faltou confiança entre os times, um detalhe que planilhas não captam, mas que define o êxito da operação.

Preparação e governança como diferenciais estratégicos

O processo de M&A não começa apenas quando uma empresa decide vender. Ele se inicia muito antes, na estruturação interna do negócio, que deve apresentar governança sólida, processos claros e propósito bem definido. Empresas preparadas são vistas como oportunidades estratégicas, enquanto aquelas sem esse preparo figuram apenas como ativos para venda.

Panorama do mercado brasileiro e latino-americano

Segundo dados do primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 827 operações de M&A, movimentando US$ 25,6 bilhões. Nos quatro primeiros meses do ano, mesmo sob juros elevados e incertezas, foram negociados R$ 56,5 bilhões em 537 transações. Os setores que lideram refletem uma mudança para negócios resilientes e sustentáveis, como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura. Na América Latina, até agosto de 2025, foram 1.855 transações com US$ 33 bilhões mobilizados, sendo o Brasil responsável por 1.142 dessas operações, destacando sua posição estratégica regional.

Tendências para 2026 e desafios futuros

O próximo ano promete crescimento das transações cross-border, entrada de novos investidores institucionais e maior rigor regulatório. As empresas precisarão reforçar sua governança, transparência e visão estratégica para acompanhar essas mudanças. A sensibilidade humana, coragem para negociar valores e vulnerabilidades, e a capacidade de decidir não seguir com fusões desalinhadas serão cada vez mais valorizadas.

M&A como processo de transformação

Mais do que uma transação comercial, M&A é uma arte de integrar culturas e transformar sinergias em resultados concretos sem perder a essência única de cada empresa. O verdadeiro conhecimento de M&A está em enxergar além dos contratos e números, compreendendo a complexidade das relações humanas envolvidas.

Leonardo Grisotto é sócio da Zaxo M&A Partners e compartilha sua visão sobre a importância do fator humano nas operações de fusões e aquisições no Brasil.

Fonte: brazileconomy.com.br

Enquanto cifras bilionárias circulam nos corredores de empresas e fundos de investimento, o mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil mostra que nem tudo se resume a números.

Até agosto de 2025, em um acumulado de oito meses, a América Latina movimentou cerca de US$ 33 bilhões em capital, somando investimentos, trocas de participação e incorporações, com o Brasil liderando a região com 1.142 operações. Só nos quatro primeiros meses do ano, foram R$ 56,5 bilhões em 537 transações. Mas, por trás da lógica financeira, dos números e das planilhas, existe um elemento igualmente determinante: as pessoas. São elas que, em última instância, definem se uma fusão será bem-sucedida ou apenas ficará no papel.

“Muita gente encara M&A como uma sequência de cálculos de valuation, cláusulas contratuais e auditorias detalhadas. Na prática, negócios não se fundem; pessoas é que se unem. Cada operação envolve culturas, histórias e expectativas diferentes. Alinhar esses elementos, mais do que encontrar sinergias financeiras, é o verdadeiro desafio”, destaca Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners.

Grisotto lembra de uma operação recente no setor de tecnologia que, no papel, parecia perfeita, com margens complementares, produtos aderentes e mercado promissor. Ainda assim, não avançou. “O motivo? Falta de confiança entre os times. Um detalhe que não aparece em planilhas, mas que é decisivo no resultado. Isso mostra que M&A não é apenas comprar ou vender empresas, é construir pontes entre pessoas”.

Outro exemplo que ilustra a complexidade das fusões no Brasil envolve grandes grupos do setor de varejo e moda. Um caso emblemático é a fusão entre Arezzo (ARZZ3) e o Grupo Soma (SOMA3), confirmada em fevereiro de 2024 e concluída em julho do mesmo ano, que deu origem ao colosso Azzas 2154, avaliado inicialmente em R$ 13 bilhões. Desde o anúncio, o mercado demonstrou ceticismo quanto aos ganhos prometidos.

Hoje, a Arezzo vale R$ 5,7 bilhões e o Grupo Soma R$ 4,85 bilhões — uma queda de aproximadamente 20% em relação às avaliações iniciais, uma desvalorização combinada de cerca de R$ 2,5 bilhões.

Analistas apontam que o desempenho negativo no quarto trimestre de 2024, o primeiro após a integração, aliado a dúvidas sobre vendas cruzadas e à capacidade de integração das empresas, contribuiu para a perda de valor.

A empresa queimou caixa, aumentou sua dívida e registrou prejuízo antes de impostos, impactando a confiança do mercado. As ações chegaram a cair 12% em um único dia, recuperaram 5% no seguinte, mas voltaram a despencar 10%. Em agosto de 2024, o valor das ações superava R$ 50; hoje está em torno de R$ 24, resultando em avaliação de mercado de R$ 4,96 bilhões.

Dessa forma, mesmo quando os números e sinergias financeiras parecem perfeitos, fatores como alinhamento cultural, confiança entre equipes e integração operacional podem comprometer o sucesso da operação. “É o que se observa em várias transações recentes: sem planejamento estratégico e gestão cuidadosa das diferenças culturais, o potencial de valor não se realiza, reforçando que M&A não é apenas sobre finanças, mas sobre pessoas e culturas organizacionais”, comenta Grisotto.

Para Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, outro ponto frequentemente negligenciado é a preparação das empresas. “M&A não começa quando alguém decide vender. Começa muito antes, com empresas estruturadas, com governança, processos claros e propósito definido. Isso faz toda a diferença: uma empresa preparada é vista como oportunidade estratégica, enquanto outra é apenas um ativo à venda.”

Setores como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura lideram o volume, refletindo a migração do capital para negócios mais resilientes, sustentáveis e escaláveis.

“Na Zaxo, cada operação é tratada como um organismo vivo”, explica Nesello. “A due diligence não é apenas uma auditoria; é um diagnóstico. O valuation não é apenas um número; é um retrato do presente baseado nas escolhas do passado. E o contrato final não é o fim, é o início de um ciclo que precisa ser bem conduzido para gerar valor real”.

Olhando para 2026, o executivo prevê crescimento de operações cross-border, entrada de novos investidores institucionais e maior rigor regulatório. “Isso exige que as empresas estejam preparadas, com governança sólida, transparência, cultura bem definida e visão estratégica de longo prazo. Ignorar isso é se expor a conflitos e perdas”, alerta.

Para Leonardo, M&A exige também sensibilidade e coragem. “É preciso coragem para dizer ‘não’ quando os valores não se alinham, para discutir vulnerabilidades e assumir que nem toda fusão precisa acontecer. Às vezes, a melhor decisão é seguir caminhos diferentes.”

No fim das contas, diz ele, o mercado ainda trata M&A como uma corrida por quem compra ou vende mais rápido. “Eu vejo como a arte de integrar, transformar sinergias em resultados, sem perder a essência do que cada empresa tem de único. Porque fusões e aquisições não são apenas transações. São transformações — de empresas, de pessoas e de mercados”, conclui.

Enquanto cifras bilionárias circulam nos corredores de empresas e fundos de investimento, o mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil mostra que nem tudo se resume a números.

Até agosto de 2025, em um acumulado de oito meses, a América Latina movimentou cerca de US$ 33 bilhões em capital, somando investimentos, trocas de participação e incorporações, com o Brasil liderando a região com 1.142 operações. Só nos quatro primeiros meses do ano, foram R$ 56,5 bilhões em 537 transações. Mas, por trás da lógica financeira, dos números e das planilhas, existe um elemento igualmente determinante: as pessoas. São elas que, em última instância, definem se uma fusão será bem-sucedida ou apenas ficará no papel.

“Muita gente encara M&A como uma sequência de cálculos de valuation, cláusulas contratuais e auditorias detalhadas. Na prática, negócios não se fundem; pessoas é que se unem. Cada operação envolve culturas, histórias e expectativas diferentes. Alinhar esses elementos, mais do que encontrar sinergias financeiras, é o verdadeiro desafio”, destaca Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners.

Grisotto lembra de uma operação recente no setor de tecnologia que, no papel, parecia perfeita, com margens complementares, produtos aderentes e mercado promissor. Ainda assim, não avançou. “O motivo? Falta de confiança entre os times. Um detalhe que não aparece em planilhas, mas que é decisivo no resultado. Isso mostra que M&A não é apenas comprar ou vender empresas, é construir pontes entre pessoas”.

Outro exemplo que ilustra a complexidade das fusões no Brasil envolve grandes grupos do setor de varejo e moda. Um caso emblemático é a fusão entre Arezzo (ARZZ3) e o Grupo Soma (SOMA3), confirmada em fevereiro de 2024 e concluída em julho do mesmo ano, que deu origem ao colosso Azzas 2154, avaliado inicialmente em R$ 13 bilhões. Desde o anúncio, o mercado demonstrou ceticismo quanto aos ganhos prometidos.

Hoje, a Arezzo vale R$ 5,7 bilhões e o Grupo Soma R$ 4,85 bilhões — uma queda de aproximadamente 20% em relação às avaliações iniciais, uma desvalorização combinada de cerca de R$ 2,5 bilhões.

Analistas apontam que o desempenho negativo no quarto trimestre de 2024, o primeiro após a integração, aliado a dúvidas sobre vendas cruzadas e à capacidade de integração das empresas, contribuiu para a perda de valor.

A empresa queimou caixa, aumentou sua dívida e registrou prejuízo antes de impostos, impactando a confiança do mercado. As ações chegaram a cair 12% em um único dia, recuperaram 5% no seguinte, mas voltaram a despencar 10%. Em agosto de 2024, o valor das ações superava R$ 50; hoje está em torno de R$ 24, resultando em avaliação de mercado de R$ 4,96 bilhões.

Dessa forma, mesmo quando os números e sinergias financeiras parecem perfeitos, fatores como alinhamento cultural, confiança entre equipes e integração operacional podem comprometer o sucesso da operação. “É o que se observa em várias transações recentes: sem planejamento estratégico e gestão cuidadosa das diferenças culturais, o potencial de valor não se realiza, reforçando que M&A não é apenas sobre finanças, mas sobre pessoas e culturas organizacionais”, comenta Grisotto.

Para Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, outro ponto frequentemente negligenciado é a preparação das empresas. “M&A não começa quando alguém decide vender. Começa muito antes, com empresas estruturadas, com governança, processos claros e propósito definido. Isso faz toda a diferença: uma empresa preparada é vista como oportunidade estratégica, enquanto outra é apenas um ativo à venda.”

Setores como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura lideram o volume, refletindo a migração do capital para negócios mais resilientes, sustentáveis e escaláveis.

“Na Zaxo, cada operação é tratada como um organismo vivo”, explica Nesello. “A due diligence não é apenas uma auditoria; é um diagnóstico. O valuation não é apenas um número; é um retrato do presente baseado nas escolhas do passado. E o contrato final não é o fim, é o início de um ciclo que precisa ser bem conduzido para gerar valor real”. 

Olhando para 2026, o executivo prevê crescimento de operações cross-border, entrada de novos investidores institucionais e maior rigor regulatório. “Isso exige que as empresas estejam preparadas, com governança sólida, transparência, cultura bem definida e visão estratégica de longo prazo. Ignorar isso é se expor a conflitos e perdas”, alerta.

Para Leonardo, M&A exige também sensibilidade e coragem. “É preciso coragem para dizer ‘não’ quando os valores não se alinham, para discutir vulnerabilidades e assumir que nem toda fusão precisa acontecer. Às vezes, a melhor decisão é seguir caminhos diferentes.”

No fim das contas, diz ele, o mercado ainda trata M&A como uma corrida por quem compra ou vende mais rápido. “Eu vejo como a arte de integrar, transformar sinergias em resultados, sem perder a essência do que cada empresa tem de único. Porque fusões e aquisições não são apenas transações. São transformações — de empresas, de pessoas e de mercados”, conclui.

Enquanto cifras bilionárias circulam nos corredores de empresas e fundos de investimento, o mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil mostra que nem tudo se resume a números.

Até agosto de 2025, em um acumulado de oito meses, a América Latina movimentou cerca de US$ 33 bilhões em capital, somando investimentos, trocas de participação e incorporações, com o Brasil liderando a região com 1.142 operações. Só nos quatro primeiros meses do ano, foram R$ 56,5 bilhões em 537 transações. Mas, por trás da lógica financeira, dos números e das planilhas, existe um elemento igualmente determinante: as pessoas. São elas que, em última instância, definem se uma fusão será bem-sucedida ou apenas ficará no papel.

“Muita gente encara M&A como uma sequência de cálculos de valuation, cláusulas contratuais e auditorias detalhadas. Na prática, negócios não se fundem; pessoas é que se unem. Cada operação envolve culturas, histórias e expectativas diferentes. Alinhar esses elementos, mais do que encontrar sinergias financeiras, é o verdadeiro desafio”, destaca Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners.

Grisotto lembra de uma operação recente no setor de tecnologia que, no papel, parecia perfeita, com margens complementares, produtos aderentes e mercado promissor. Ainda assim, não avançou. “O motivo? Falta de confiança entre os times. Um detalhe que não aparece em planilhas, mas que é decisivo no resultado. Isso mostra que M&A não é apenas comprar ou vender empresas, é construir pontes entre pessoas”.

Outro exemplo que ilustra a complexidade das fusões no Brasil envolve grandes grupos do setor de varejo e moda. Um caso emblemático é a fusão entre Arezzo (ARZZ3) e o Grupo Soma (SOMA3), confirmada em fevereiro de 2024 e concluída em julho do mesmo ano, que deu origem ao colosso Azzas 2154, avaliado inicialmente em R$ 13 bilhões. Desde o anúncio, o mercado demonstrou ceticismo quanto aos ganhos prometidos.

Hoje, a Arezzo vale R$ 5,7 bilhões e o Grupo Soma R$ 4,85 bilhões — uma queda de aproximadamente 20% em relação às avaliações iniciais, uma desvalorização combinada de cerca de R$ 2,5 bilhões.

Analistas apontam que o desempenho negativo no quarto trimestre de 2024, o primeiro após a integração, aliado a dúvidas sobre vendas cruzadas e à capacidade de integração das empresas, contribuiu para a perda de valor.

A empresa queimou caixa, aumentou sua dívida e registrou prejuízo antes de impostos, impactando a confiança do mercado. As ações chegaram a cair 12% em um único dia, recuperaram 5% no seguinte, mas voltaram a despencar 10%. Em agosto de 2024, o valor das ações superava R$ 50; hoje está em torno de R$ 24, resultando em avaliação de mercado de R$ 4,96 bilhões.

Dessa forma, mesmo quando os números e sinergias financeiras parecem perfeitos, fatores como alinhamento cultural, confiança entre equipes e integração operacional podem comprometer o sucesso da operação. “É o que se observa em várias transações recentes: sem planejamento estratégico e gestão cuidadosa das diferenças culturais, o potencial de valor não se realiza, reforçando que M&A não é apenas sobre finanças, mas sobre pessoas e culturas organizacionais”, comenta Grisotto.

Para Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, outro ponto frequentemente negligenciado é a preparação das empresas. “M&A não começa quando alguém decide vender. Começa muito antes, com empresas estruturadas, com governança, processos claros e propósito definido. Isso faz toda a diferença: uma empresa preparada é vista como oportunidade estratégica, enquanto outra é apenas um ativo à venda.”

Setores como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura lideram o volume, refletindo a migração do capital para negócios mais resilientes, sustentáveis e escaláveis.

“Na Zaxo, cada operação é tratada como um organismo vivo”, explica Nesello. “A due diligence não é apenas uma auditoria; é um diagnóstico. O valuation não é apenas um número; é um retrato do presente baseado nas escolhas do passado. E o contrato final não é o fim, é o início de um ciclo que precisa ser bem conduzido para gerar valor real”. 

Olhando para 2026, o executivo prevê crescimento de operações cross-border, entrada de novos investidores institucionais e maior rigor regulatório. “Isso exige que as empresas estejam preparadas, com governança sólida, transparência, cultura bem definida e visão estratégica de longo prazo. Ignorar isso é se expor a conflitos e perdas”, alerta.

Para Leonardo, M&A exige também sensibilidade e coragem. “É preciso coragem para dizer ‘não’ quando os valores não se alinham, para discutir vulnerabilidades e assumir que nem toda fusão precisa acontecer. Às vezes, a melhor decisão é seguir caminhos diferentes.”

No fim das contas, diz ele, o mercado ainda trata M&A como uma corrida por quem compra ou vende mais rápido. “Eu vejo como a arte de integrar, transformar sinergias em resultados, sem perder a essência do que cada empresa tem de único. Porque fusões e aquisições não são apenas transações. São transformações — de empresas, de pessoas e de mercados”, conclui.

Sobre a ZAXO: https://www.zaxogroup.com/

Por Leonardo Grisotto, sócios da Zaxo M&A Partners

Muita gente fala sobre M&A como se fosse um jogo de planilhas e cláusulas contratuais. E, claro, finanças, valuation e due diligence são parte essencial do processo. Mas, depois de viver dezenas de operações, algumas que deram muito certo, outras que quase me tiraram o sono, posso dizer com segurança que conhecer M&A de verdade é entender de gente.

Negócios não se fundem. Pessoas é que se unem. Por trás de cada número, existe uma cultura, um jeito de pensar, uma história. Quando duas empresas decidem caminhar juntas, o desafio não está apenas em encontrar sinergias financeiras, mas em alinhar expectativas, medos e propósitos.

Lembro de uma operação em que tudo parecia perfeito no papel, isto é, margens complementares, produto aderente, mercado promissor. Mas a transação não avançou. O motivo? Falta de confiança entre os times. Um detalhe invisível no Excel, mas decisivo no resultado. E é aí que muitos subestimam o verdadeiro trabalho de quem vive M&A, pois não é apenas sobre comprar e vender empresas, mas sobre construir pontes entre pessoas.

Outro equívoco comum é achar que M&A começa quando alguém decide vender. Na prática, começa muito antes, quando o negócio é bem estruturado, tem governança, processos claros e propósito definido. Esse preparo define se a empresa será vista como uma oportunidade estratégica ou apenas mais um ativo à venda.

E os números confirmam como esse preparo faz diferença. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 827 transações de M&A, movimentando US$ 25,6 bilhões, conforme o relatório da TTR Data em parceria com a Datasite.

Mesmo diante de juros elevados e incerteza econômica, o relatório aponta que apenas nos quatro primeiros meses do ano R$ 56,5 bilhões foram negociados em 537 operações. Ou seja, o mercado segue ativo, mas cada vez mais seletivo.

Os setores que lideram o volume de transações — como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura — refletem uma mudança de mentalidade. O capital está migrando para negócios mais resilientes, sustentáveis e escaláveis. Dados do TTR LATAM mostram que, até agosto de 2025, a América Latina somava 1.855 transações e cerca de US$ 33 bilhões em capital mobilizado — ou seja, o valor total envolvido nas operações de fusões e aquisições, que inclui investimentos, trocas de participação e incorporações, não apenas dinheiro em caixa. O Brasil responde por 1.142 dessas operações, consolidando sua posição como epicentro estratégico da região.

Na Zaxo, nós enxergamos cada operação como um organismo vivo. A due diligence não é só uma auditoria; é um diagnóstico. O valuation não é um número isolado; é um retrato do presente com base nas escolhas do passado. E o contrato não é o fim, é o começo de um novo ciclo que precisa ser bem conduzido para gerar valor real.

Olhando para 2026, a tendência é o crescimento das operações cross-border, a entrada de novos investidores institucionais, a consolidação de segmentos tecnológicos e maior rigor regulatório. Isso exige que as empresas estejam preparadas, com estrutura de governança sólida, transparência, cultura bem definida e uma visão estratégica de longo prazo.

M&A de verdade exige visão de negócio, sensibilidade humana e, acima de tudo, coragem. Coragem para dizer “não” quando os valores não se alinham. Coragem para abrir o jogo e discutir vulnerabilidades. Coragem para entender que nem toda fusão precisa acontecer e que, às vezes, a melhor decisão é seguir caminhos diferentes.

O mercado ainda trata M&A como uma corrida por quem compra ou vende mais rápido. Eu vejo como uma arte de integrar, de transformar sinergia em resultado, sem perder a essência do que cada empresa tem de único.

No fim das contas, M&A não é sobre transações. É sobre transformações. E quem entende isso, entende o que é conhecer M&A de verdade.

Quando olho para trás e revisito as operações de M&A que conduzi ao longo da minha trajetória, que já somam mais de R$ 7 bilhões, percebo a constante de que nenhum grande negócio foi construído sozinho. Pode soar óbvio, mas ainda encontro empresários e até advogados que acreditam que basta uma boa negociação ou um contrato bem redigido para que tudo dê certo. Não é assim.

Fusões e aquisições são, por natureza, complexas. Exigem leitura de mercado, análise financeira, visão estratégica, entendimento regulatório e, sobretudo, a capacidade de integrar pessoas diferentes em torno de um mesmo objetivo. Nesse ambiente, o advogado deixa de ser somente um guardião jurídico e passa a atuar como um aliado estratégico, alguém que conecta pontos, antecipa riscos e abre caminhos para que a transação aconteça com segurança e agilidade.

Na prática, o que vejo é que as melhores operações são aquelas feitas a quatro mãos, ou até a várias mãos. Quando advogados trabalham lado a lado com especialistas em finanças, compliance, estratégia e até em comunicação, o resultado é outro. Ganha-se em profundidade de análise, em velocidade de resposta e, principalmente, em confiança entre as partes.

O que temos observado é que a colaboração entre áreas importa, e muito. Uma pesquisa da Deloitte apontou que cerca de 30% das operações de M&A fracassam por falta de uma due diligence adequada — processo estruturado de análise e verificação (jurídica, financeira, contábil, tributária, trabalhista, ambiental etc.) feito para identificar riscos e oportunidades antes de concluir uma operação de M&A —, o que mostra como essa etapa é determinante para reduzir riscos.

Um estudo da McKinsey indica que transações acompanhadas por due diligence completa têm 50% mais chances de atingir ou superar as metas financeiras, enquanto a PwC aponta que empresas que investem nesse processo possuem 18% mais probabilidade de sucesso e que 83% dos executivos consideram a prática essencial para alcançar sinergias.

Já foi comprovado inúmeras vezes que a falta de due diligence leva a uma taxa de fracasso em fusões e aquisições entre 70% e 90%, segundo estudos e análises de mercado amplamente citados em relatórios de consultorias e publicações acadêmicas sobre M&A.

Um bom exemplo histórico do que pode acontecer quando a integração não é bem planejada é a fusão de 2000 entre a America Online (AOL) e a Time Warner. Avaliada em US$ 165 bilhões, essa operação é considerada o fracasso de fusões e aquisições mais caro da história. A transação acabou em separação em 2009, em grande parte devido a objetivos desalinhados, diferenças culturais e superestimação das sinergias entre as duas empresas. Casos como esse reforçam a importância de atuação integrada, comunicação clara e due diligence rigorosa para reduzir riscos e garantir que o valor pretendido seja realmente alcançado.

Na Zaxo, acompanhamos casos em que essa sinergia foi decisiva. Em uma operação recente, por exemplo, havia um ponto sensível em que o comprador estava preocupado com passivos ocultos e o vendedor, ansioso por não perder valor na mesa de negociação. Foi a integração entre jurídico e financeiro que permitiu estruturar uma solução equilibrada, que garantiu proteção a ambos os lados e viabilizou o acordo. Sem essa atuação colaborativa, o negócio provavelmente teria travado.

É por isso que insisto: M&A é também sobre construir relações de confiança. E confiança só nasce quando existe diálogo entre profissionais, quando todos se sentem parte da mesma construção. Advogados que se isolam perdem a chance de agregar valor e de se tornarem protagonistas em decisões estratégicas.

Em um ambiente de negócios cada vez mais volátil, a lógica de trabalhar sozinho está ultrapassada. Operações de M&A são complexas, reguladas e carregam impactos de longo prazo. Um erro ou omissão pode significar perdas milionárias. Mas a boa notícia é que, quando diferentes especialistas se unem, esses riscos se transformam em oportunidades.

O futuro das operações de fusão e aquisição exige cada vez mais essa postura colaborativa. Investidores e empresas não procuram apenas bons técnicos, procuram parceiros que consigam enxergar o todo, conectar disciplinas e transformar riscos em oportunidades.

Na minha visão, advogados que compreendem isso estão à frente. Eles não apenas entregam segurança jurídica, mas também ajudam a desenhar negócios mais sólidos, mais inteligentes e mais sustentáveis no longo prazo.

Fusões e aquisições não são apenas sobre empresas que mudam de dono, são sobre pessoas e competências que se unem para criar algo maior. Porque, no fim do dia, M&A bem-sucedido é sempre um trabalho em equipe.

*Leonardo Grizotto é co-fundador e sócio da Zaxo.

Setor atraiu US$ 2,8 bilhões, concentrou 61% do venture capital e registrou 230 transações, cinco vezes mais que o e-commerce.

O setor de fintechs consolidou-se em 2024 como prioridade para investidores, atraindo 2,8 bilhões de dóalres — o equivalente a 61% de todo o venture capital destinado à América Latina, segundo a Lavca.

Com 30 mil empresas no mundo, sendo 35% delas na região e 1,7 mil no Brasil, as fintechs não apenas receberam os maiores aportes, mas também lideraram o número de transações, com 230 negócios,quase cinco vezes mais que o e-commerce.

A avaliação é de Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo M&A Partners, para quem o setor deixou de ser promessa, em operações que incluem aquisições como a da ClearSale pela Experian, da Fiserv pela Money Money e da Justa pelo BTG Pactual.

O setor de fintechs consolidou-se em 2024 como prioridade para investidores, atraindo 2,8 bilhões de dóalres — o equivalente a 61% de todo o venture capital destinado à América Latina, segundo a Lavca. Com 30 mil empresas no mundo, sendo 35% delas na região e 1,7 mil no Brasil, as fintechs não apenas receberam os maiores aportes, mas também lideraram o número de transações, com 230 negócios, quase cinco vezes mais que o e-commerce. A avaliação é de Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo M&A Partners, para quem o setor deixou de ser promessa, em operações que incluem aquisições como a da ClearSale pela Experian, da Fiserv pela Money Money e da Justa pelo BTG Pactual.

Fintechs como Prioridade para Investidores em 2024

O setor de fintechs consolidou-se em 2024 como uma prioridade significativa para investidores, atraindo um total de 2,8 bilhões de dólares. Esse valor representa 61% do capital de risco destinado à América Latina, de acordo com informações fornecidas pela Lavca. Com um total de 30 mil empresas operando globalmente, das quais 35% estão localizadas na América Latina e 1,7 mil no Brasil, as fintechs não apenas garantiram os maiores aportes financeiros, mas também lideraram o número de transações realizadas no mercado.

Destaques do Setor de Fintechs

No último ano, foram registradas 230 transações no setor de fintechs, um número que se aproxima de cinco vezes mais do que o total de transações realizadas no e-commerce. Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo M&A Partners, destaca que o setor de fintechs já não é visto apenas como uma promessa de crescimento, mas sim como um campo maduro que tem gerado operações relevantes.

Aquisições Notáveis

As operações de fusões e aquisições no setor incluem transações significativas como a aquisição da ClearSale pela Experian, a compra da Fiserv pela Money Money e a aquisição da Justa pelo BTG Pactual. Tais movimentações evidenciam a robustez e a relevância crescente das fintechs no panorama financeiro da região, além de refletir um ambiente dinâmico e competitivo que atrai tanto investidores quanto empresas em busca de inovação e expansão.

Oportunidades e Desafios

O crescimento acelerado das fintechs traz à tona não apenas oportunidades, mas também desafios que precisam ser enfrentados pelos empreendedores do setor. A necessidade de regulamentação adequada e a concorrência acirrada são aspectos que exigem adaptação constante. Assim, as empresas que atuam neste espaço devem estar preparadas para navegar em um mercado em rápida evolução, buscando sempre se manter à frente das tendências e das demandas dos consumidores.

Perspectivas Futuras

Perspectivas para o setor de fintechs indicam um futuro promissor, impulsionado pela inovação contínua e pela capacidade de adaptação às novas realidades do mercado. Com a tecnologia avançando rapidamente e o comportamento dos consumidores em constante mudança, a capacidade de oferecer soluções eficientes e práticas será essencial para garantir o sucesso a longo prazo. O monitoramento de tendências, bem como a pronta resposta a desafios, será vital para os participantes deste ecossistema em expansão.

Deste modo, o segmento de fintechs não apenas solidifica seu espaço no cenário econômico, mas também se impõe como um elemento crucial no desenvolvimento financeiro e na modernização dos serviços oferecidos, prometendo movimentos significativos nas dinâmicas de investimento e consumo nos próximos anos.


O setor de fintechs na América Latina se consolidou como uma prioridade para investidores em 2024, atraindo impressionantes 2,8 bilhões de dólares, o que representa 61% do venture capital destinado à região. O Brasil conta com 1,7 mil dessas empresas, e a quantidade de transações realizadas, que totalizou 230, é quase cinco vezes maior do que a registrada pelo e-commerce. Esse cenário evidencia a crescente relevância das fintechs no mercado latino-americano.

De acordo com Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo M&A Partners, as fintechs deixaram de ser apenas uma promessa e se tornaram protagonistas em um cenário de investimentos robusto. As aquisições mais notáveis, como a da ClearSale pela Experian e da Fiserv pela Money Money, demonstram a confiança do mercado nesse segmento. Com 30 mil empresas no mundo, sendo 35% delas na América Latina, o setor se mostra dinâmico e em constante evolução.

As implicações desse crescimento são significativas, não apenas para as fintechs, mas também para a economia da região como um todo. A consolidação do setor pode levar a novas inovações financeiras e aumentar a concorrência com instituições tradicionais. Com a expectativa de que os investimentos continuem a fluir, as fintechs estão bem posicionadas para desempenhar um papel central na transformação do cenário econômico da América Latina.

Setor atraiu US$ 2,8 bilhões, concentrou 61% do venture capital e registrou 230 transações, cinco vezes mais que o e-commerce.

O setor de fintechs consolidou-se em 2024 como prioridade para investidores, atraindo 2,8 bilhões de dóalres — o equivalente a 61% de todo o venture capital destinado à América Latina, segundo a Lavca. Com 30 mil empresas no mundo, sendo 35% delas na região e 1,7 mil no Brasil, as fintechs não apenas receberam os maiores aportes, mas também lideraram o número de transações, com 230 negócios, quase cinco vezes mais que o e-commerce. A avaliação é de Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo M&A Partners, para quem o setor deixou de ser promessa, em operações que incluem aquisições como a da ClearSale pela Experian, da Fiserv pela Money Money e da Justa pelo BTG Pactual.

Quando olho para trás e revisito as operações de M&A que conduzi ao longo da minha trajetória, que já somam mais de R$ 7 bilhões, percebo a constante de que nenhum grande negócio foi construído sozinho. Pode soar óbvio, mas ainda encontro empresários e até advogados que acreditam que basta uma boa negociação ou um contrato bem redigido para que tudo dê certo. Não é assim.

Fusões e aquisições são, por natureza, complexas. Exigem leitura de mercado, análise financeira, visão estratégica, entendimento regulatório e, sobretudo, a capacidade de integrar pessoas diferentes em torno de um mesmo objetivo. Nesse ambiente, o advogado deixa de ser somente um guardião jurídico e passa a atuar como um aliado estratégico, alguém que conecta pontos, antecipa riscos e abre caminhos para que a transação aconteça com segurança e agilidade.

Na prática, o que vejo é que as melhores operações são aquelas feitas a quatro mãos, ou até a várias mãos. Quando advogados trabalham lado a lado com especialistas em finanças, compliance, estratégia e até em comunicação, o resultado é outro. Ganha-se em profundidade de análise, em velocidade de resposta e, principalmente, em confiança entre as partes.

O que temos observado é que a colaboração entre áreas importa, e muito. Uma pesquisa da Deloitte apontou que cerca de 30% das operações de M&A fracassam por falta de uma due diligence adequada — processo estruturado de análise e verificação (jurídica, financeira, contábil, tributária, trabalhista, ambiental etc.) feito para identificar riscos e oportunidades antes de concluir uma operação de M&A —, o que mostra como essa etapa é determinante para reduzir riscos.

Um estudo da McKinsey indica que transações acompanhadas por due diligence completa têm 50% mais chances de atingir ou superar as metas financeiras, enquanto a PwC aponta que empresas que investem nesse processo possuem 18% mais probabilidade de sucesso e que 83% dos executivos consideram a prática essencial para alcançar sinergias.

Já foi comprovado inúmeras vezes que a falta de due diligence leva a uma taxa de fracasso em fusões e aquisições entre 70% e 90%, segundo estudos e análises de mercado amplamente citados em relatórios de consultorias e publicações acadêmicas sobre M&A.

Um bom exemplo histórico do que pode acontecer quando a integração não é bem planejada é a fusão de 2000 entre a America Online (AOL) e a Time Warner. Avaliada em US$ 165 bilhões, essa operação é considerada o fracasso de fusões e aquisições mais caro da história. A transação acabou em separação em 2009, em grande parte devido a objetivos desalinhados, diferenças culturais e superestimação das sinergias entre as duas empresas. Casos como esse reforçam a importância de atuação integrada, comunicação clara e due diligence rigorosa para reduzir riscos e garantir que o valor pretendido seja realmente alcançado.

Na Zaxo, acompanhamos casos em que essa sinergia foi decisiva. Em uma operação recente, por exemplo, havia um ponto sensível em que o comprador estava preocupado com passivos ocultos e o vendedor, ansioso por não perder valor na mesa de negociação. Foi a integração entre jurídico e financeiro que permitiu estruturar uma solução equilibrada, que garantiu proteção a ambos os lados e viabilizou o acordo. Sem essa atuação colaborativa, o negócio provavelmente teria travado.

É por isso que insisto: M&A é também sobre construir relações de confiança. E confiança só nasce quando existe diálogo entre profissionais, quando todos se sentem parte da mesma construção. Advogados que se isolam perdem a chance de agregar valor e de se tornarem protagonistas em decisões estratégicas.

Em um ambiente de negócios cada vez mais volátil, a lógica de trabalhar sozinho está ultrapassada. Operações de M&A são complexas, reguladas e carregam impactos de longo prazo. Um erro ou omissão pode significar perdas milionárias. Mas a boa notícia é que, quando diferentes especialistas se unem, esses riscos se transformam em oportunidades.

O futuro das operações de fusão e aquisição exige cada vez mais essa postura colaborativa. Investidores e empresas não procuram apenas bons técnicos, procuram parceiros que consigam enxergar o todo, conectar disciplinas e transformar riscos em oportunidades.

Na minha visão, advogados que compreendem isso estão à frente. Eles não apenas entregam segurança jurídica, mas também ajudam a desenhar negócios mais sólidos, mais inteligentes e mais sustentáveis no longo prazo.

Fusões e aquisições não são apenas sobre empresas que mudam de dono, são sobre pessoas e competências que se unem para criar algo maior. Porque, no fim do dia, M&A bem-sucedido é sempre um trabalho em equipe.

Leonardo Grizotto - Co-Fundador e Sócio da ZAXO.

Por Leonardo Grizotto, Co-Fundador e Sócio da ZAXO

Quando olho para trás e revisito as operações de M&A que conduzi ao longo da minha trajetória, que já somam mais de R$ 7 bilhões, percebo a constante de que nenhum grande negócio foi construído sozinho.

Pode soar óbvio, mas ainda encontro empresários e até advogados que acreditam que basta uma boa negociação ou um contrato bem redigido para que tudo dê certo. Não é assim.

Fusões e aquisições são, por natureza, complexas. Exigem leitura de mercado, análise financeira, visão estratégica, entendimento regulatório e, sobretudo, a capacidade de integrar pessoas diferentes em torno de um mesmo objetivo.

Nesse ambiente, o advogado deixa de ser somente um guardião jurídico e passa a atuar como um aliado estratégico, alguém que conecta pontos, antecipa riscos e abre caminhos para que a transação aconteça com segurança e agilidade.

Na prática, o que vejo é que as melhores operações são aquelas feitas a quatro mãos, ou até a várias mãos. Quando advogados trabalham lado a lado com especialistas em finanças, compliance, estratégia e até em comunicação, o resultado é outro.

Ganha-se em profundidade de análise, em velocidade de resposta e, principalmente, em confiança entre as partes.

O que temos observado é que a colaboração entre áreas importa, e muito. Uma pesquisa da Deloitte apontou que cerca de 30% das operações de M&A fracassam por falta de uma due diligence adequada — processo estruturado de análise e verificação (jurídica, financeira, contábil, tributária, trabalhista, ambiental etc.) feito para identificar riscos e oportunidades antes de concluir uma operação de M&A —, o que mostra como essa etapa é determinante para reduzir riscos.

Um estudo da McKinsey indica que transações acompanhadas por due diligence completa têm 50% mais chances de atingir ou superar as metas financeiras, enquanto a PwC aponta que empresas que investem nesse processo possuem 18% mais probabilidade de sucesso e que 83% dos executivos consideram a prática essencial para alcançar sinergias.

Já foi comprovado inúmeras vezes que a falta de due diligence leva a uma taxa de fracasso em fusões e aquisições entre 70% e 90%, segundo estudos e análises de mercado amplamente citados em relatórios de consultorias e publicações acadêmicas sobre M&A.

Um bom exemplo histórico do que pode acontecer quando a integração não é bem planejada é a fusão de 2000 entre a America Online (AOL) e a Time Warner.

Avaliada em US$ 165 bilhões, essa operação é considerada o fracasso de fusões e aquisições mais caro da história. A transação acabou em separação em 2009, em grande parte devido a objetivos desalinhados, diferenças culturais e superestimação das sinergias entre as duas empresas.

Casos como esse reforçam a importância de atuação integrada, comunicação clara e due diligence rigorosa para reduzir riscos e garantir que o valor pretendido seja realmente alcançado.

Na Zaxo, acompanhamos casos em que essa sinergia foi decisiva. Em uma operação recente, por exemplo, havia um ponto sensível em que o comprador estava preocupado com passivos ocultos e o vendedor, ansioso por não perder valor na mesa de negociação.

Foi a integração entre jurídico e financeiro que permitiu estruturar uma solução equilibrada, que garantiu proteção a ambos os lados e viabilizou o acordo. Sem essa atuação colaborativa, o negócio provavelmente teria travado.

É por isso que insisto: M&A é também sobre construir relações de confiança. E confiança só nasce quando existe diálogo entre profissionais, quando todos se sentem parte da mesma construção. Advogados que se isolam perdem a chance de agregar valor e de se tornarem protagonistas em decisões estratégicas.

Em um ambiente de negócios cada vez mais volátil, a lógica de trabalhar sozinho está ultrapassada. Operações de M&A são complexas, reguladas e carregam impactos de longo prazo. Um erro ou omissão pode significar perdas milionárias. Mas a boa notícia é que, quando diferentes especialistas se unem, esses riscos se transformam em oportunidades.

O futuro das operações de fusão e aquisição exige cada vez mais essa postura colaborativa. Investidores e empresas não procuram apenas bons técnicos, procuram parceiros que consigam enxergar o todo, conectar disciplinas e transformar riscos em oportunidades.

Na minha visão, advogados que compreendem isso estão à frente. Eles não apenas entregam segurança jurídica, mas também ajudam a desenhar negócios mais sólidos, mais inteligentes e mais sustentáveis no longo prazo.

Fusões e aquisições não são apenas sobre empresas que mudam de dono, são sobre pessoas e competências que se unem para criar algo maior.

Porque, no fim do dia, M&A bem-sucedido é sempre um trabalho em equipe.

Quando olho para trás e revisito as operações de M&A que conduzi ao longo da minha trajetória, que já somam mais de R$ 7 bilhões, percebo a constante de que nenhum grande negócio foi construído sozinho. Pode soar óbvio, mas ainda encontro empresários e até advogados que acreditam que basta uma boa negociação ou um contrato bem redigido para que tudo dê certo. Não é assim.

Fusões e aquisições são, por natureza, complexas. Exigem leitura de mercado, análise financeira, visão estratégica, entendimento regulatório e, sobretudo, a capacidade de integrar pessoas diferentes em torno de um mesmo objetivo. Nesse ambiente, o advogado deixa de ser somente um guardião jurídico e passa a atuar como um aliado estratégico, alguém que conecta pontos, antecipa riscos e abre caminhos para que a transação aconteça com segurança e agilidade.

Na prática, o que vejo é que as melhores operações são aquelas feitas a quatro mãos, ou até a várias mãos. Quando advogados trabalham lado a lado com especialistas em finanças, compliance, estratégia e até em comunicação, o resultado é outro. Ganha-se em profundidade de análise, em velocidade de resposta e, principalmente, em confiança entre as partes.

O que temos observado é que a colaboração entre áreas importa, e muito. Uma pesquisa da Deloitte apontou que cerca de 30% das operações de M&A fracassam por falta de uma due diligence adequada — processo estruturado de análise e verificação (jurídica, financeira, contábil, tributária, trabalhista, ambiental etc.) feito para identificar riscos e oportunidades antes de concluir uma operação de M&A —, o que mostra como essa etapa é determinante para reduzir riscos.

Um estudo da McKinsey indica que transações acompanhadas por due diligence completa têm 50% mais chances de atingir ou superar as metas financeiras, enquanto a PwC aponta que empresas que investem nesse processo possuem 18% mais probabilidade de sucesso e que 83% dos executivos consideram a prática essencial para alcançar sinergias.

Já foi comprovado inúmeras vezes que a falta de due diligence leva a uma taxa de fracasso em fusões e aquisições entre 70% e 90%, segundo estudos e análises de mercado amplamente citados em relatórios de consultorias e publicações acadêmicas sobre M&A.

Um bom exemplo histórico do que pode acontecer quando a integração não é bem planejada é a fusão de 2000 entre a America Online (AOL) e a Time Warner. Avaliada em US$ 165 bilhões, essa operação é considerada o fracasso de fusões e aquisições mais caro da história. A transação acabou em separação em 2009, em grande parte devido a objetivos desalinhados, diferenças culturais e superestimação das sinergias entre as duas empresas. Casos como esse reforçam a importância de atuação integrada, comunicação clara e due diligence rigorosa para reduzir riscos e garantir que o valor pretendido seja realmente alcançado.

Na Zaxo, acompanhamos casos em que essa sinergia foi decisiva. Em uma operação recente, por exemplo, havia um ponto sensível em que o comprador estava preocupado com passivos ocultos e o vendedor, ansioso por não perder valor na mesa de negociação. Foi a integração entre jurídico e financeiro que permitiu estruturar uma solução equilibrada, que garantiu proteção a ambos os lados e viabilizou o acordo. Sem essa atuação colaborativa, o negócio provavelmente teria travado.

É por isso que insisto: M&A é também sobre construir relações de confiança. E confiança só nasce quando existe diálogo entre profissionais, quando todos se sentem parte da mesma construção. Advogados que se isolam perdem a chance de agregar valor e de se tornarem protagonistas em decisões estratégicas.

Em um ambiente de negócios cada vez mais volátil, a lógica de trabalhar sozinho está ultrapassada. Operações de M&A são complexas, reguladas e carregam impactos de longo prazo. Um erro ou omissão pode significar perdas milionárias. Mas a boa notícia é que, quando diferentes especialistas se unem, esses riscos se transformam em oportunidades.

O futuro das operações de fusão e aquisição exige cada vez mais essa postura colaborativa. Investidores e empresas não procuram apenas bons técnicos, procuram parceiros que consigam enxergar o todo, conectar disciplinas e transformar riscos em oportunidades.

Na minha visão, advogados que compreendem isso estão à frente. Eles não apenas entregam segurança jurídica, mas também ajudam a desenhar negócios mais sólidos, mais inteligentes e mais sustentáveis no longo prazo.

Fusões e aquisições não são apenas sobre empresas que mudam de dono, são sobre pessoas e competências que se unem para criar algo maior. Porque, no fim do dia, M&A bem-sucedido é sempre um trabalho em equipe.

Opinião: Leonardo Grizotto

Multiplan passou a deter mais de 75% de participação no shopping de luxo DiamondMall, em BH

O setor de shopping centers brasileiro passou por um profundo processo de fusões e aquisições nos últimos anos envolvendo players nacionais e internacionais, mas também novatos no negócio e a ascensão dos fundos de investimentos. O movimento de troca de comando e de ações resultou em forte consolidação do mercado e ingresso de sócios minoritários.

—A pandemia não pausou, mas sim acelerou a consolidação no setor, que passou de mais de 30 administradoras para cinco grandes players controlando 26% dos shoppings (170 de 648) — calcula Danielle Lopes, sócia e analista da Nord Investimentos, que listou para o GLOBO os negócios mais importantes dos últimos anos.

Entre os destaques, a união entre Aliansce Sonae e BRMalls, que deu origem à Allos, reunindo 62 shoppings em 16 estados.

— A Allos dobrou a receita para R$ 2,7 bilhões e reduziu custos operacionais de 19,1% para 17,9% do faturamento, capturando R$ 134 milhões em sinergias no primeiro ano — destaca Danielle ao citar as vantagens das fusões.

Outros movimentos importantes foram os da Multiplan, que adquiriu participação de 12% no ParkShopping, em Brasília, por R$ 225 milhões, e de 75,05% do DiamondMall, em Belo Horizonte, por cerca de R$ 460 milhões.

Além disso, elevou a 86,5% sua participação no RibeirãoShopping, em Ribeirão Preto (SP). Este ano, anunciou a compra de mais 7,5% do BarraShopping, no Rio. O negócio elevou a participação da empresa de 65,8% para 73,4% e foi fechado por R$ 362,5 milhões, avaliando o ativo em R$ 4,83 bilhões.

Também se destacou o Grupo Iguatemi, que por R$ 667 milhões assumiu 100% do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, onde o grupo também adquiriu participações da Brookfield nos shoppings Pátio Higienópolis e Pátio Paulista.

Caio Nabuco de Araújo, analista da Empiricus Research, contabiliza dezenas de operações no país impulsionadas por ao menos dois fatores:

— O primeiro é a recuperação pós-pandemia, que solidificou o setor como uma tese de investimento imobiliário estrutural. Adicionalmente, foi crucial a dificuldade financeira para o desenvolvimento de novos empreendimentos, os chamados greenfields.

As restrições econômicas no país empurraram os investimentos para a aquisição de participações em empreendimentos existentes. Cada qual com sua estratégia, os players se movimentaram para ter ou aumentar sua parte no setor.

— Multiplan aumentou a participação em seus próprios shoppings emblemáticos, como o BarraShopping e o DiamondMall, além de fazer recompras de ações e vender participações minoritárias com foco em liquidez. Já Iguatemi reforçou sua presença em empreendimentos premium, assumindo controle total de ativos como o JK Iguatemi, Rio Sul e Pátio Paulista — exemplifica Leonardo Grizotto, também sócio-fundador e diretor da Zaxo M&A Partners, acrescentando.

— Em paralelo, novos players como Gafisa, HSI e Partage começaram a atuar com mais força no setor, atraídos por oportunidades de valorização e pela resiliência do varejo físico em ativos bem localizados.

Também houve desinvestimentos de alguns grandes grupos para otimizar a estrutura de capital ou pela conclusão de que algum ativo não se alinhava ao plano estratégico. A alineação desses ativos gerou impacto no setor com a aquisição por fundos imobiliários.

— Especificamente, em termos de Área Bruta Locável, todos os cinco maiores compradores, nos últimos cinco anos, foram fundos imobiliários: XP Malls, 20 Shopping Centers, Pátria Malls, Red Brasil Shopping e HSE Malls — afirma Araújo.

— Observamos novas estruturas de captação, incluindo dívidas, parcelamentos e emissões com troca de cotas. Assim, esses fundos e gestoras demonstraram capacidade de identificar e utilizar diversas fontes de financiamento para expandir seus portfólios, consolidando sua relevância no setor — completou.

Diversificação

As operações, aos poucos mais descentralizadas, também ocorrem em regiões como o Centro-Oeste e o Nordeste, por investidores em busca de crescimento e diversificação, e o avanço de cidades médias incentiva grupos regionais a modernizar estruturas já consolidadas e expandir seus empreendimentos.

Um dos exemplos é o Shopping Cerrado, em Goiânia, desenvolvido pelo Grupo Odilom Santos inicialmente em parceria com a Cyrela, e que agora contará com a Lumine, administradora de shopping centers que atua há 20 anos no país.

Período pós-pandemia foi de aceleração na consolidação de grandes grupos

O setor de shopping centers brasileiro passou por um profundo processo de fusões e aquisições nos últimos anos envolvendo players nacionais e internacionais, mas também novatos no negócio e a ascensão dos fundos de investimentos. O movimento de troca de comando e de ações resultou em forte consolidação do mercado e ingresso de sócios minoritários.

—A pandemia não pausou, mas sim acelerou a consolidação no setor, que passou de mais de 30 administradoras para cinco grandes players controlando 26% dos shoppings (170 de 648) — calcula Danielle Lopes, sócia e analista da Nord Investimentos, que listou para o GLOBO os negócios mais importantes dos últimos anos.

Entre os destaques, a união entre Aliansce Sonae e BRMalls, que deu origem à Allos, reunindo 62 shoppings em 16 estados.

— A Allos dobrou a receita para R$ 2,7 bilhões e reduziu custos operacionais de 19,1% para 17,9% do faturamento, capturando R$ 134 milhões em sinergias no primeiro ano — destaca Danielle ao citar as vantagens das fusões.

Outros movimentos importantes foram os da Multiplan, que adquiriu participação de 12% no ParkShopping, em Brasília, por R$ 225 milhões, e de 75,05% do DiamondMall, em Belo Horizonte, por cerca de R$ 460 milhões.

Além disso, elevou a 86,5% sua participação no RibeirãoShopping, em Ribeirão Preto (SP). Este ano, anunciou a compra de mais 7,5% do BarraShopping, no Rio. O negócio elevou a participação da empresa de 65,8% para 73,4% e foi fechado por R$ 362,5 milhões, avaliando o ativo em R$ 4,83 bilhões.

Também se destacou o Grupo Iguatemi, que por R$ 667 milhões assumiu 100% do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, onde o grupo também adquiriu participações da Brookfield nos shoppings Pátio Higienópolis e Pátio Paulista.

Caio Nabuco de Araújo, analista da Empiricus Research, contabiliza dezenas de operações no país impulsionadas por ao menos dois fatores:

— O primeiro é a recuperação pós-pandemia, que solidificou o setor como uma tese de investimento imobiliário estrutural. Adicionalmente, foi crucial a dificuldade financeira para o desenvolvimento de novos empreendimentos, os chamados greenfields.

As restrições econômicas no país empurraram os investimentos para a aquisição de participações em empreendimentos existentes. Cada qual com sua estratégia, os players se movimentaram para ter ou aumentar sua parte no setor.

— Multiplan aumentou a participação em seus próprios shoppings emblemáticos, como o BarraShopping e o DiamondMall, além de fazer recompras de ações e vender participações minoritárias com foco em liquidez. Já Iguatemi reforçou sua presença em empreendimentos premium, assumindo controle total de ativos como o JK Iguatemi, Rio Sul e Pátio Paulista — exemplifica Leonardo Grizotto, também sócio-fundador e diretor da Zaxo M&A Partners, acrescentando.

— Em paralelo, novos players como Gafisa, HSI e Partage começaram a atuar com mais força no setor, atraídos por oportunidades de valorização e pela resiliência do varejo físico em ativos bem localizados.l

Também houve desinvestimentos de alguns grandes grupos para otimizar a estrutura de capital ou pela conclusão de que algum ativo não se alinhava ao plano estratégico. A alineação desses ativos gerou impacto no setor com a aquisição por fundos imobiliários.

— Especificamente, em termos de Área Bruta Locável, todos os cinco maiores compradores, nos últimos cinco anos, foram fundos imobiliários: XP Malls, 20 Shopping Centers, Pátria Malls, Red Brasil Shopping e HSE Malls — afirma Araújo.

— Observamos novas estruturas de captação, incluindo dívidas, parcelamentos e emissões com troca de cotas. Assim, esses fundos e gestoras demonstraram capacidade de identificar e utilizar diversas fontes de financiamento para expandir seus portfólios, consolidando sua relevância no setor — completou.

Diversificação

As operações, aos poucos mais descentralizadas, também ocorrem em regiões como o Centro-Oeste e o Nordeste, por investidores em busca de crescimento e diversificação, e o avanço de cidades médias incentiva grupos regionais a modernizar estruturas já consolidadas e expandir seus empreendimentos.

Um dos exemplos é o Shopping Cerrado, em Goiânia, desenvolvido pelo Grupo Odilom Santos inicialmente em parceria com a Cyrela, e que agora contará com a Lumine, administradora de shopping centers que atua há 20 anos no país.

O ritmo de rodadas de investimento em fintechs deve diminuir em 2026, mas as fusões e aquisições (M&As, na sigla em inglês) podem ganhar volume no Brasil e na América Latina, segundo avaliação da consultoria Zaxo. A mudança indica que o setor caminha para uma fase de consolidação dos negócios, na visão de Jefferson Nesello, sócio fundador da Zaxo.

De acordo com a consultoria, a escassez de capital de risco no mercado é um fator que impulsionará essa dinâmica. Com menos liquidez para os investimentos em startups, os M&As se tornam alternativa para o crescimento - mirando aumentar a base de clientes e aumentar eficiências. Além disso, bancos tradicionais, seguradoras e corporações estão ampliando seus braços digitais via aquisições, preferindo comprar tecnologia pronta em vez de desenvolver internamente, aponta Nesello.

No setor de tecnologia como um todo, há ainda a tendência de atores globais, especialmente americanos e israelenses, buscando entrada no mercado da região via aquisição. Entre casos recentes temos Nayax comprando a VMtecnologia e a Evertec comprando a Tecnobank. À frente, há expectativa para consolidação em áreas como a de pagamentos B2B (entre empresas), crédito para pequenas e médias empresas, infraestrutura regulatória (como compliance, antifraude) e plataformas de investimento digital, avalia a Zaxo.

América Latina e Sudeste Asiático são destaques

Globalmente, há estimativas de que o volume de transações em fintechs deve crescer entre 10% e 15% em 2026, com destaque para América Latina e Sudeste Asiático. Os dados da Associação de Investimento em Capital Privado na América Latina (Lavca) e da CB Insights.

Olhando para dados de 2024, a consultoria identificou que as fintechs concentraram US$ 2,76 bilhões em aportes e 230 transações na América Latina, consolidando-se como o principal destino de investimentos na região. Para 2026, a projeção é de um aumento para 260 a 300 negócios na América Latina, com capital investido entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões. O tíquete médio deve subir de US$ 12 milhões para US$ 13 milhões a US$ 15 milhões.

Segundo a Zaxo, após o ajuste no mercado de venture capital entre 2023 e 2024, as fintechs estão sendo avaliadas com múltiplos médios entre três e seis vezes a receita anual recorrente (ARR, na sigla em inglês).

Por Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners

Muita gente fala sobre M&A como se fosse um jogo de planilhas e cláusulas contratuais. E, claro, finanças, valuation e due diligence são parte essencial do processo. Mas, depois de viver dezenas de operações, algumas que deram muito certo, outras que quase me tiraram o sono, posso dizer com segurança que conhecer M&A de verdade é entender de gente.

Negócios não se fundem. Pessoas é que se unem. Por trás de cada número, existe uma cultura, um jeito de pensar, uma história. Quando duas empresas decidem caminhar juntas, o desafio não está apenas em encontrar sinergias financeiras, mas em alinhar expectativas, medos e propósitos.

Lembro de uma operação em que tudo parecia perfeito no papel, isto é, margens complementares, produto aderente, mercado promissor. Mas a transação não avançou.

O motivo? Falta de confiança entre os times. Um detalhe invisível no Excel, mas decisivo no resultado. E é aí que muitos subestimam o verdadeiro trabalho de quem vive M&A, pois não é apenas sobre comprar e vender empresas, mas sobre construir pontes entre pessoas.

Outro equívoco comum é achar que M&A começa quando alguém decide vender. Na prática, começa muito antes, quando o negócio é bem estruturado, tem governança, processos claros e propósito definido. Esse preparo define se a empresa será vista como uma oportunidade estratégica ou apenas mais um ativo à venda.

E os números confirmam como esse preparo faz diferença. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 827 transações de M&A, movimentando US$ 25,6 bilhões, conforme o relatório da TTR Data em parceria com a Datasite.

Mesmo diante de juros elevados e incerteza econômica, o relatório aponta que apenas nos quatro primeiros meses do ano R$ 56,5 bilhões foram negociados em 537 operações. Ou seja, o mercado segue ativo, mas cada vez mais seletivo.

Os setores que lideram o volume de transações — como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura — refletem uma mudança de mentalidade. O capital está migrando para negócios mais resilientes, sustentáveis e escaláveis. Dados do TTR LATAM mostram que, até agosto de 2025, a América Latina somava 1.855 transações e cerca de US$ 33 bilhões em capital mobilizado — ou seja, o valor total envolvido nas operações de fusões e aquisições, que inclui investimentos, trocas de participação e incorporações, não apenas dinheiro em caixa.

O Brasil responde por 1.142 dessas operações, consolidando sua posição como epicentro estratégico da região.

Olhando para 2026, a tendência é o crescimento das operações cross-border, a entrada de novos investidores institucionais, a consolidação de segmentos tecnológicos e maior rigor regulatório. Isso exige que as empresas estejam preparadas, com estrutura de governança sólida, transparência, cultura bem definida e uma visão estratégica de longo prazo.

M&A de verdade exige visão de negócio, sensibilidade humana e, acima de tudo, coragem. Coragem para dizer “não” quando os valores não se alinham.

Coragem para abrir o jogo e discutir vulnerabilidades. Coragem para entender que nem toda fusão precisa acontecer e que, às vezes, a melhor decisão é seguir caminhos diferentes.

O mercado ainda trata M&A como uma corrida por quem compra ou vende mais rápido. Eu vejo como uma arte de integrar, de transformar sinergia em resultado, sem perder a essência do que cada empresa tem de único.

No fim das contas, M&A não é sobre transações. É sobre transformações. E quem entende isso, entende o que é conhecer M&A de verdade.

O ritmo de rodadas de investimento no setor deve diminuir, mas não as operações de M&A

Segundo a Zaxo, a escassez de capital de risco no mercado é um fator que impulsionará a consolidação do setor 

O ritmo de rodadas de investimento em fintechs deve diminuir em 2026, mas as fusões e aquisições (M&As, na sigla em inglês) podem ganhar volume no Brasil e na América Latina, segundo avaliação da consultoria Zaxo. A mudança indica que o setor caminha para uma fase de consolidação dos negócios, na visão de Jefferson Nesello, sócio fundador da Zaxo.

De acordo com a consultoria, a escassez de capital de risco no mercado é um fator que impulsionará essa dinâmica. Com menos liquidez para os investimentos em startups, os M&As se tornam alternativa para o crescimento - mirando aumentar a base de clientes e aumentar eficiências. Além disso, bancos tradicionais, seguradoras e corporações estão ampliando seus braços digitais via aquisições, preferindo comprar tecnologia pronta em vez de desenvolver internamente, aponta Nesello.

No setor de tecnologia como um todo, há ainda a tendência de atores globais, especialmente americanos e israelenses, buscando entrada no mercado da região via aquisição. Entre casos recentes temos Nayax comprando a VMtecnologia e a Evertec comprando a Tecnobank. À frente, há expectativa para consolidação em áreas como a de pagamentos B2B (entre empresas), crédito para pequenas e médias empresas, infraestrutura regulatória (como compliance, antifraude) e plataformas de investimento digital, avalia a Zaxo.

América Latina e Sudeste Asiático são destaques

Globalmente, há estimativas de que o volume de transações em fintechs deve crescer entre 10% e 15% em 2026, com destaque para América Latina e Sudeste Asiático. Os dados da Associação de Investimento em Capital Privado na América Latina (Lavca) e da CB Insights.

Olhando para dados de 2024, a consultoria identificou que as fintechs concentraram US$ 2,76 bilhões em aportes e 230 transações na América Latina, consolidando-se como o principal destino de investimentos na região. Para 2026, a projeção é de um aumento para 260 a 300 negócios na América Latina, com capital investido entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões. O tíquete médio deve subir de US$ 12 milhões para US$ 13 milhões a US$ 15 milhões.

Segundo a Zaxo, após o ajuste no mercado de venture capital entre 2023 e 2024, as fintechs estão sendo avaliadas com múltiplos médios entre três e seis vezes a receita anual recorrente (ARR, na sigla em inglês).

 M&A não é apenas comprar ou vender empresas, é construir pontes entre pessoas

Enquanto cifras bilionárias circulam nos corredores de empresas e fundos de investimento, o mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil mostra que nem tudo se resume a números. De janeiro a agosto de 2025, a América Latina movimentou cerca de US$ 33 bilhões em capital, somando investimentos, trocas de participação e incorporações, com o Brasil liderando a região com 1.142 operações. Só nos quatro primeiros meses do ano, foram R$ 56,5 bilhões em 537 transações. Mas, por trás da lógica financeira, dos números e das planilhas, existe um elemento igualmente determinante: as pessoas. São elas que, em última instância, definem se uma fusão será bem-sucedida ou apenas ficará no papel.

“Muita gente encara M&A como uma sequência de cálculos de valuation, cláusulas contratuais e auditorias detalhadas. Na prática, negócios não se fundem; pessoas é que se unem. Cada operação envolve culturas, histórias e expectativas diferentes. Alinhar esses elementos, mais do que encontrar sinergias financeiras, é o verdadeiro desafio”, destaca Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners.

Grisotto lembra de uma operação recente no setor de tecnologia que, no papel, parecia perfeita, com margens complementares, produtos aderentes e mercado promissor. Ainda assim, não avançou. “O motivo? Falta de confiança entre os times. Um detalhe que não aparece em planilhas, mas que é decisivo no resultado. Isso mostra que M&A não é apenas comprar ou vender empresas, é construir pontes entre pessoas”.

Complexidade das fusões

Outro exemplo que ilustra a complexidade das fusões no Brasil envolve grandes grupos do setor de varejo e moda. Um caso emblemático é a fusão entre Arezzo (ARZZ3) e o Grupo Soma (SOMA3), confirmada em fevereiro de 2024 e concluída em julho do mesmo ano, que deu origem ao colosso Azzas 2154, avaliado inicialmente em R$ 13 bilhões. Desde o anúncio, o mercado demonstrou ceticismo quanto aos ganhos prometidos.

Hoje, a Arezzo vale R$ 5,7 bilhões e o Grupo Soma R$ 4,85 bilhões — uma queda de aproximadamente 20% em relação às avaliações iniciais, uma desvalorização combinada de cerca de R$ 2,5 bilhões.

Analistas apontam que o desempenho negativo no quarto trimestre de 2024, o primeiro após a integração, aliado a dúvidas sobre vendas cruzadas e à capacidade de integração das empresas, contribuiu para a perda de valor.

A empresa queimou caixa, aumentou sua dívida e registrou prejuízo antes de impostos, impactando a confiança do mercado. As ações chegaram a cair 12% em um único dia, recuperaram 5% no seguinte, mas voltaram a despencar 10%. Em agosto de 2024, o valor das ações superava R$ 50; hoje está em torno de R$ 24, resultando em avaliação de mercado de R$ 4,96 bilhões.

Dessa forma, mesmo quando os números e sinergias financeiras parecem perfeitos, fatores como alinhamento cultural, confiança entre equipes e integração operacional podem comprometer o sucesso da operação. “É o que se observa em várias transações recentes: sem planejamento estratégico e gestão cuidadosa das diferenças culturais, o potencial de valor não se realiza, reforçando que M&A não é apenas sobre finanças, mas sobre pessoas e culturas organizacionais”, comenta Grisotto.

Preparação das empresas

Para Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, outro ponto frequentemente negligenciado é a preparação das empresas. “M&A não começa quando alguém decide vender. Começa muito antes, com empresas estruturadas, com governança, processos claros e propósito definido. Isso faz toda a diferença: uma empresa preparada é vista como oportunidade estratégica, enquanto outra é apenas um ativo à venda.”

Setores como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura lideram o volume, refletindo a migração do capital para negócios mais resilientes, sustentáveis e escaláveis.

“Na Zaxo, cada operação é tratada como um organismo vivo”, explica Nesello.

“A due diligence não é apenas uma auditoria; é um diagnóstico. O valuation não é apenas um número; é um retrato do presente baseado nas escolhas do passado. E o contrato final não é o fim, é o início de um ciclo que precisa ser bem conduzido para gerar valor real”, afirma Nesello.

Olhando para 2026, o executivo prevê crescimento de operações cross-border, entrada de novos investidores institucionais e maior rigor regulatório. “Isso exige que as empresas estejam preparadas, com governança sólida, transparência, cultura bem definida e visão estratégica de longo prazo. Ignorar isso é se expor a conflitos e perdas”, alerta.

Para Leonardo, M&A exige também sensibilidade e coragem.

“É preciso coragem para dizer ‘não’ quando os valores não se alinham, para discutir vulnerabilidades e assumir que nem toda fusão precisa acontecer. Às vezes, a melhor decisão é seguir caminhos diferentes”,diz Leonardo Grisotto.

No fim das contas, diz ele, o mercado ainda trata M&A como uma corrida por quem compra ou vende mais rápido. “Eu vejo como a arte de integrar, transformar sinergias em resultados, sem perder a essência do que cada empresa tem de único. Porque fusões e aquisições não são apenas transações. São transformações — de empresas, de pessoas e de mercados”, conclui.

Mais do que cálculos financeiros, especialistas apontam que confiança, cultura e preparo são decisivos para o sucesso em M&A

Enquanto cifras bilionárias circulam entre empresas e fundos de investimento, o mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil evidencia que o sucesso dessas transações vai além de cálculos financeiros. De acordo com dados setoriais, até agosto de 2025, a América Latina movimentou cerca de US$ 33 bilhões, com o Brasil liderando a região e registrando 1.142 operações. Somente entre janeiro e abril, foram R$ 56,5 bilhões em 537 transações.

Por trás das planilhas e dos relatórios de sinergia, há um elemento determinante: as pessoas. É o que destaca Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners. “Muita gente encara M&A como uma sequência de cálculos de valuation, cláusulas contratuais e auditorias detalhadas. Na prática, negócios não se fundem; pessoas é que se unem. Cada operação envolve culturas, histórias e expectativas diferentes. Alinhar esses elementos, mais do que encontrar sinergias financeiras, é o verdadeiro desafio”, afirma.

Grisotto cita um caso recente no setor de tecnologia que, embora promissor no papel, não avançou por falta de confiança entre as equipes. “Um detalhe que não aparece em planilhas, mas que é decisivo no resultado. Isso mostra que M&A não é apenas comprar ou vender empresas, é construir pontes entre pessoas”, complementa.

Um dos exemplos mais emblemáticos no país foi a fusão entre Arezzo (ARZZ3) e o Grupo Soma (SOMA3), anunciada em fevereiro de 2024 e concluída em julho do mesmo ano. A operação deu origem à Azzas 2154, avaliada em cerca de R$ 13 bilhões. No entanto, o valor de mercado combinado das companhias caiu cerca de 20% desde então, somando R$ 10,5 bilhões.

Analistas atribuem a desvalorização ao desempenho fraco no quarto trimestre de 2024 e às dificuldades na integração operacional. As ações da nova companhia chegaram a cair 12% em um único dia, recuperaram parte das perdas e voltaram a despencar na sequência. Em agosto de 2024, os papéis eram cotados acima de R$ 50; hoje, giram em torno de R$ 24, segundo dados de mercado.

Para Grisotto, esses movimentos confirmam que o alinhamento cultural e o planejamento estratégico são tão importantes quanto as sinergias financeiras. “Sem gestão cuidadosa das diferenças culturais, o potencial de valor não se realiza. M&A é sobre finanças, mas também sobre pessoas e culturas organizacionais”, reforça.

Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, destaca outro ponto-chave: a preparação prévia das empresas. “M&A não começa quando alguém decide vender. Começa muito antes, com empresas estruturadas, com governança, processos claros e propósito definido. Isso faz toda a diferença: uma empresa preparada é vista como oportunidade estratégica, enquanto outra é apenas um ativo à venda”, afirma.

Entre os setores que lideram o volume de fusões estão tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura, refletindo a busca por negócios mais sustentáveis e escaláveis. “A due diligence não é apenas uma auditoria; é um diagnóstico. O valuation não é apenas um número; é um retrato do presente baseado nas escolhas do passado. E o contrato final não é o fim, é o início de um ciclo que precisa ser bem conduzido para gerar valor real”, explica Nesello.

O executivo projeta, para 2026, um crescimento nas operações cross-border e na entrada de novos investidores institucionais, além de maior rigor regulatório. “Isso exige que as empresas estejam preparadas, com governança sólida, transparência e cultura bem definida. Ignorar isso é se expor a conflitos e perdas”, alerta.

Para Grisotto, M&A também exige sensibilidade e coragem. “É preciso coragem para dizer ‘não’ quando os valores não se alinham, para discutir vulnerabilidades e assumir que nem toda fusão precisa acontecer. Às vezes, a melhor decisão é seguir caminhos diferentes”, conclui.

Quando olho para trás e revisito as operações de M&A que conduzi ao longo da minha trajetória, que já somam mais de R$ 7 bilhões, percebo a constante de que nenhum grande negócio foi construído sozinho. Pode soar óbvio, mas ainda encontro empresários e até advogados que acreditam que basta uma boa negociação ou um contrato bem redigido para que tudo dê certo. Não é assim.

Fusões e aquisições são, por natureza, complexas. Exigem leitura de mercado, análise financeira, visão estratégica, entendimento regulatório e, sobretudo, a capacidade de integrar pessoas diferentes em torno de um mesmo objetivo. Nesse ambiente, o advogado deixa de ser somente um guardião jurídico e passa a atuar como um aliado estratégico, alguém que conecta pontos, antecipa riscos e abre caminhos para que a transação aconteça com segurança e agilidade.

Na prática, o que vejo é que as melhores operações são aquelas feitas a quatro mãos, ou até a várias mãos. Quando advogados trabalham lado a lado com especialistas em finanças, compliance, estratégia e até em comunicação, o resultado é outro. Ganha-se em profundidade de análise, em velocidade de resposta e, principalmente, em confiança entre as partes.

O que temos observado é que a colaboração entre áreas importa, e muito. Uma pesquisa da Deloitte apontou que cerca de 30% das operações de M&A fracassam por falta de uma due diligence adequada — processo estruturado de análise e verificação (jurídica, financeira, contábil, tributária, trabalhista, ambiental etc.) feito para identificar riscos e oportunidades antes de concluir uma operação de M&A —, o que mostra como essa etapa é determinante para reduzir riscos.

Um estudo da McKinsey indica que transações acompanhadas por due diligence completa têm 50% mais chances de atingir ou superar as metas financeiras, enquanto a PwC aponta que empresas que investem nesse processo possuem 18% mais probabilidade de sucesso e que 83% dos executivos consideram a prática essencial para alcançar sinergias.

Já foi comprovado inúmeras vezes que a falta de due diligence leva a uma taxa de fracasso em fusões e aquisições entre 70% e 90%, segundo estudos e análises de mercado amplamente citados em relatórios de consultorias e publicações acadêmicas sobre M&A.

Um bom exemplo histórico do que pode acontecer quando a integração não é bem planejada é a fusão de 2000 entre a America Online (AOL) e a Time Warner. Avaliada em US$ 165 bilhões, essa operação é considerada o fracasso de fusões e aquisições mais caro da história. A transação acabou em separação em 2009, em grande parte devido a objetivos desalinhados, diferenças culturais e superestimação das sinergias entre as duas empresas. Casos como esse reforçam a importância de atuação integrada, comunicação clara e due diligence rigorosa para reduzir riscos e garantir que o valor pretendido seja realmente alcançado.

Na Zaxo, acompanhamos casos em que essa sinergia foi decisiva. Em uma operação recente, por exemplo, havia um ponto sensível em que o comprador estava preocupado com passivos ocultos e o vendedor, ansioso por não perder valor na mesa de negociação. Foi a integração entre jurídico e financeiro que permitiu estruturar uma solução equilibrada, que garantiu proteção a ambos os lados e viabilizou o acordo. Sem essa atuação colaborativa, o negócio provavelmente teria travado.

É por isso que insisto: M&A é também sobre construir relações de confiança. E confiança só nasce quando existe diálogo entre profissionais, quando todos se sentem parte da mesma construção. Advogados que se isolam perdem a chance de agregar valor e de se tornarem protagonistas em decisões estratégicas.

Em um ambiente de negócios cada vez mais volátil, a lógica de trabalhar sozinho está ultrapassada. Operações de M&A são complexas, reguladas e carregam impactos de longo prazo. Um erro ou omissão pode significar perdas milionárias. Mas a boa notícia é que, quando diferentes especialistas se unem, esses riscos se transformam em oportunidades.

O futuro das operações de fusão e aquisição exige cada vez mais essa postura colaborativa. Investidores e empresas não procuram apenas bons técnicos, procuram parceiros que consigam enxergar o todo, conectar disciplinas e transformar riscos em oportunidades.

Na minha visão, advogados que compreendem isso estão à frente. Eles não apenas entregam segurança jurídica, mas também ajudam a desenhar negócios mais sólidos, mais inteligentes e mais sustentáveis no longo prazo.

Fusões e aquisições não são apenas sobre empresas que mudam de dono, são sobre pessoas e competências que se unem para criar algo maior. Porque, no fim do dia, M&A bem-sucedido é sempre um trabalho em equipe.

Por Leonardo Grisotto, cofundador e sócio da ZAXO.

Quando olho para trás e revisito as operações de M&A que conduzi ao longo da minha trajetória, que já somam mais de R$ 7 bilhões, percebo a constante de que nenhum grande negócio foi construído sozinho.

Pode soar óbvio, mas ainda encontro empresários e até advogados que acreditam que basta uma boa negociação ou um contrato bem redigido para que tudo dê certo. Não é assim.

Fusões e aquisições são, por natureza, complexas. Exigem leitura de mercado, análise financeira, visão estratégica, entendimento regulatório e, sobretudo, a capacidade de integrar pessoas diferentes em torno de um mesmo objetivo.

Nesse ambiente, o advogado deixa de ser somente um guardião jurídico e passa a atuar como um aliado estratégico, alguém que conecta pontos, antecipa riscos e abre caminhos para que a transação aconteça com segurança e agilidade.

Na prática, o que vejo é que as melhores operações são aquelas feitas a quatro mãos, ou até a várias mãos. Quando advogados trabalham lado a lado com especialistas em finanças, compliance, estratégia e até em comunicação, o resultado é outro. Ganha-se em profundidade de análise, em velocidade de resposta e, principalmente, em confiança entre as partes.

O que temos observado é que a colaboração entre áreas importa, e muito.

Uma pesquisa da Deloitte apontou que cerca de 30% das operações de M&A fracassam por falta de uma due diligence adequada, processo estruturado de análise e verificação (jurídica, financeira, contábil, tributária, trabalhista, ambiental etc.) feito para identificar riscos e oportunidades antes de concluir uma operação de M&A, o que mostra como essa etapa é determinante para reduzir riscos.

Um estudo da McKinsey indica que transações acompanhadas por due diligence completa têm 50% mais chances de atingir ou superar as metas financeiras, enquanto a PwC aponta que empresas que investem nesse processo possuem 18% mais probabilidade de sucesso e que 83% dos executivos consideram a prática essencial para alcançar sinergias.

Já foi comprovado inúmeras vezes que a falta de due diligence leva a uma taxa de fracasso em fusões e aquisições entre 70% e 90%, segundo estudos e análises de mercado amplamente citados em relatórios de consultorias e publicações acadêmicas sobre M&A.

Um bom exemplo histórico do que pode acontecer quando a integração não é bem planejada é a fusão de 2000 entre a America Online (AOL) e a Time Warner. Avaliada em US$ 165 bilhões, essa operação é considerada o fracasso de fusões e aquisições mais caro da história.

A transação acabou em separação em 2009, em grande parte devido a objetivos desalinhados, diferenças culturais e superestimação das sinergias entre as duas empresas.

Casos como esse reforçam a importância de atuação integrada, comunicação clara e due diligence rigorosa para reduzir riscos e garantir que o valor pretendido seja realmente alcançado.

Na Zaxo, acompanhamos casos em que essa sinergia foi decisiva. Em uma operação recente, por exemplo, havia um ponto sensível em que o comprador estava preocupado com passivos ocultos e o vendedor, ansioso por não perder valor na mesa de negociação.

Foi a integração entre jurídico e financeiro que permitiu estruturar uma solução equilibrada, que garantiu proteção a ambos os lados e viabilizou o acordo. Sem essa atuação colaborativa, o negócio provavelmente teria travado.

É por isso que insisto: M&A é também sobre construir relações de confiança. E confiança só nasce quando existe diálogo entre profissionais, quando todos se sentem parte da mesma construção.

Advogados que se isolam perdem a chance de agregar valor e de se tornarem protagonistas em decisões estratégicas.

Em um ambiente de negócios cada vez mais volátil, a lógica de trabalhar sozinho está ultrapassada. Operações de M&A são complexas, reguladas e carregam impactos de longo prazo. Um erro ou omissão pode significar perdas milionárias.

Mas a boa notícia é que, quando diferentes especialistas se unem, esses riscos se transformam em oportunidades.

O futuro das operações de fusão e aquisição exige cada vez mais essa postura colaborativa. Investidores e empresas não procuram apenas bons técnicos, procuram parceiros que consigam enxergar o todo, conectar disciplinas e transformar riscos em oportunidades.

Na minha visão, advogados que compreendem isso estão à frente. Eles não apenas entregam segurança jurídica, mas também ajudam a desenhar negócios mais sólidos, mais inteligentes e mais sustentáveis no longo prazo.

Fusões e aquisições não são apenas sobre empresas que mudam de dono, são sobre pessoas e competências que se unem para criar algo maior. Porque, no fim do dia, M&A bem-sucedido é sempre um trabalho em equipe.

Por Leonardo Grisotto, cofundador e sócio da ZAXO.

Ao refletir sobre minha trajetória em operações de fusões e aquisições, que totalizam mais de R$ 7 bilhões, percebo que nenhum grande negócio é realizado de forma isolada.

Parece óbvio, mas ainda vejo empresários e advogados que pensam que uma boa negociação ou um contrato bem elaborado são suficientes para garantir o sucesso. Na verdade, isso não é verdade.

Fusões e aquisições são processos intrinsecamente complexos. Elas requerem uma análise de mercado, avaliação financeira, visão estratégica, compreensão das regulamentações e, acima de tudo, a habilidade de unir diferentes pessoas em torno de um objetivo comum.

Nesse contexto, o advogado não é apenas um guardião legal, mas sim um parceiro estratégico, alguém que conecta informações, antecipa riscos e facilita a transação de forma segura e rápida.

Na prática, percebo que as melhores operações são aquelas realizadas em colaboração. Quando advogados trabalham em conjunto com especialistas em finanças, compliance, estratégia e comunicação, o resultado é significativamente melhor. Isso traz uma análise mais profunda, respostas mais rápidas e, principalmente, aumenta a confiança entre as partes envolvidas.

Observamos que a colaboração entre diferentes áreas é crucial.

Uma pesquisa da Deloitte revelou que aproximadamente 30% das operações de M&A falham devido à falta de uma due diligence adequada, um processo estruturado de análise e verificação (jurídica, financeira, contábil, tributária, trabalhista, ambiental, etc.) que identifica riscos e oportunidades antes da conclusão de uma transação. Isso demonstra a importância dessa etapa para mitigar riscos.

Um estudo da McKinsey mostrou que transações com due diligence completa têm 50% mais chances de atingir ou superar as metas financeiras. Além disso, a PwC constatou que empresas que investem nesse processo têm 18% mais probabilidade de sucesso, e 83% dos executivos consideram essa prática essencial para alcançar sinergias.

Estudos e análises de mercado amplamente citados indicam que a ausência de due diligence resulta em uma taxa de fracasso em fusões e aquisições que varia entre 70% e 90%.

Um exemplo notório do que pode ocorrer quando a integração não é bem planejada é a fusão de 2000 entre a America Online (AOL) e a Time Warner. Avaliada em US$ 165 bilhões, essa operação é considerada uma das maiores falhas em fusões e aquisições da história.

A transação resultou em separação em 2009, em grande parte devido a objetivos desalinhados, diferenças culturais e superestimação das sinergias entre as duas empresas.

Casos como esse reforçam a necessidade de uma atuação integrada, comunicação clara e uma due diligence rigorosa para minimizar riscos e garantir que o valor esperado seja realmente alcançado.

Na Zaxo, temos acompanhado situações em que essa sinergia foi fundamental. Em uma operação recente, por exemplo, havia uma preocupação do comprador com passivos ocultos, enquanto o vendedor estava ansioso para não perder valor na negociação.

A integração entre as áreas jurídica e financeira possibilitou a criação de uma solução equilibrada, que garantiu proteção para ambos os lados e viabilizou o acordo. Sem essa colaboração, o negócio provavelmente teria sido interrompido.

Por isso, enfatizo: M&A também se trata de construir relações de confiança. E a confiança surge quando há diálogo entre os profissionais, quando todos se sentem parte do mesmo projeto.

Advogados que se isolam perdem a oportunidade de agregar valor e se tornarem protagonistas em decisões estratégicas.

Em um cenário de negócios cada vez mais instável, a ideia de trabalhar sozinho está ultrapassada. Fusões e aquisições são processos complexos, regulados e com impactos de longo prazo. Um erro ou omissão pode resultar em perdas significativas.

Por outro lado, a boa notícia é que, quando diferentes especialistas se unem, esses riscos podem se transformar em oportunidades.

O futuro das operações de fusão e aquisição demanda cada vez mais essa abordagem colaborativa. Investidores e empresas buscam não apenas bons técnicos, mas parceiros que consigam ver o todo, conectar disciplinas e transformar riscos em oportunidades.

Na minha perspectiva, advogados que entendem isso estão à frente. Eles não apenas oferecem segurança jurídica, mas também ajudam a moldar negócios mais sólidos, inteligentes e sustentáveis a longo prazo.

Fusões e aquisições não são apenas sobre a mudança de propriedade de empresas, mas sobre pessoas e competências que se unem para criar algo maior. Afinal, um M&A bem-sucedido é sempre um esforço coletivo.

Fusões e aquisições no agro ganham força global

O mercado de Fusões e Aquisições (M&A) no setor agropecuário atingiu US$ 76 bilhões em transações globais em 2024, com 977 operações registradas em todo o mundo, segundo a GlobalData. O crescimento reflete a busca por consolidação, verticalização e inovação tecnológica em um setor que mantém produção constante e forte demanda internacional.

Dados da Capstone Partners indicam que o rendimento bruto da agricultura mundial deve alcançar US$ 4,8 trilhões em 2025, com os Estados Unidos respondendo por US$ 587 bilhões desse total.

Cenário brasileiro impulsiona investimentos estratégicos

No Brasil, o agro continua sendo uma âncora econômica e atrai capital nacional e estrangeiro. Entre janeiro e maio de 2025, foram registradas 596 operações de M&A, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a PwC Brasil.

O segmento agropecuário, especificamente, registrou 12 transações em 2024, o melhor desempenho dos últimos cinco anos, com crescimento de 140% em relação a 2023, de acordo com a KPMG. No primeiro semestre de 2025, foram cinco operações, queda de 28,6% frente ao mesmo período de 2024, evidenciando a sensibilidade do mercado a fatores conjunturais.

Setor de fertilizantes e grandes negócios em destaque

O segmento de fertilizantes liderou as operações em 2024, com nove transações, sendo cinco nacionais, três envolvendo estrangeiros adquirindo empresas brasileiras, três de brasileiros comprando ativos internacionais e uma entre dois grupos estrangeiros.

Entre os negócios mais relevantes, destacam-se:

Segundo Ronaldo Rodrigues, senior associate da Zaxo Group, o agro brasileiro oferece valores atrativos e retornos robustos a médio e longo prazo, mesmo em períodos de instabilidade econômica.

Agtech entra no top 10 de investimentos na América Latina

Em 2024, o setor de Agtech entrou pela primeira vez no ranking das dez principais verticais de tecnologia da América Latina, ocupando a oitava posição. Segundo a LAVCA, foram US$ 119 milhões investidos, com 37 rodadas de aporte, representando 2,6% do total de recursos na região.

O crescimento reflete o interesse por tecnologias como:

O destaque de Agtech demonstra o papel do agronegócio como motor econômico e vetor de inovação, alinhando produtividade, sustentabilidade e eficiência, fatores que atraem investidores estratégicos.

Estratégias de M&A aproveitam períodos de instabilidade

A análise da Zaxo Group, baseada em estudo de Rodrigues, mostra que a volatilidade macroeconômica pode ser transformada em vantagem estratégica:

Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, compara o ciclo de M&A ao da agricultura: “Assim como no campo, há momentos de plantar e colher. A instabilidade econômica pode preparar o solo para aquisições estratégicas e colheitas mais ricas no futuro.”

Leonardo Grisotto, também sócio-fundador, reforça que ativos de alto potencial no agro se valorizam mesmo em cenários adversos, criando ambiente ideal para negociações inteligentes e planejamento estratégico de longo prazo.

Instabilidade geopolítica e econômica não freiam fusões e aquisições, que seguem como estratégia-chave para crescimento e inovação

Apesar de um cenário global marcado por incertezas — incluindo o impacto do novo governo americano, que elevou o índice de incerteza econômica a níveis comparáveis aos da pandemia de Covid-19, e o prolongamento de conflitos armados em diferentes regiões — as operações de fusões e aquisições (M&A) continuam a se expandir em ritmo surpreendente. Para investidores atentos, esse ambiente volátil tem se revelado fértil para oportunidades estratégicas e reposicionamento de portfólios.

Segundo dados da Bloomberg e do S&P Global, o volume global de transações de M&A deve encerrar 2025 com crescimento entre 5% e 7% em relação a 2024. Os principais motores dessa expansão são a busca por eficiência operacional, a aceleração da transformação digital e o avanço de tecnologias disruptivas, como inteligência artificial e energia limpa.

“Mesmo em meio à instabilidade global, o mercado de M&A segue bastante ativo. O que observamos é uma mudança de perfil no apetite dos investidores, mais voltado para operações seletivas, com racional estratégico claro e foco em setores resilientes”, afirma Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, assessoria especializada em M&A que opera com quatro escritórios no Brasil e que faz parte de uma rede global que conta com escritórios em 23 países.

No cenário internacional, os setores que mais se destacam em número e valor de transações são:

No cenário internacional, três das maiores e mais relevantes transações de M&A anunciadas ou concluídas em 2025 foram:

Chevron adquiriu a Hess Corporation

Brookfield Infrastructure comprou a Colonial Enterprises (Colonial Pipeline)

Nippon Steel adquiriu a U.S. Steel

Essas operações se destacaram por seus volumes, pelo impacto na reorganização dos setores estratégicos globais e por reforçarem tendências de consolidação e internacionalização em energia, infraestrutura e indústria pesada.

Brasil na rota dos investimentos

No Brasil, o movimento de M&A também mostra resiliência. De janeiro a maio de 2025, foram registradas 596 transações, um aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2024, segundo o levantamento da PwC Brasil. Os setores mais ativos foram:

A maior parte das operações foi conduzida por empresas nacionais (81%), com apenas 17% dos investimentos vindos de fundos de private equity. O estado de São Paulo lidera com 52% das transações, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

“Crises mundiais instigam os investidores a procurarem oportunidades fora dos mercados óbvios. O Brasil é um mercado de oportunidades praticamente infinitas — o que falta é conectar o ativo ao investidor certo”, destaca Nesello.

No cenário nacional, as operações anunciadas ou concluídas recentemente de maior destaque foram:

Fusão Marfrig e BRF: A criação da gigante da proteína MBRF, resultante da incorporação via troca de ações das operações das duas empresas, foi a maior movimentação corporativa do ano, envolvendo valores bilionários e destacando-se pelo impacto no agronegócio e na alimentação.​

Aquisição da Linx pela TOTVS: Em julho, a TOTVS adquiriu a Linx por cerca de R$ 3,05 bilhões, consolidando-se como referência em soluções de software de gestão e ampliando sua liderança no ecossistema de tecnologia para o varejo.​

Reestruturação Casa Bahia e Mapa Capital: Houve a conversão de R$ 1,6 bilhão em dívidas em participação acionária, com a Mapa Capital tornando-se acionista majoritária, representando uma das maiores transações do ano no varejo e demonstrando força nas operações de reestruturação.​

Esses negócios se destacaram pelo volume financeiro, abrangência estratégica e por envolverem setores dinâmicos e essenciais da economia brasileira em 2025.

Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo: ““É quando os valuations se tornam mais razoáveis que os investidores estratégicos conseguem entrar em negócios promissores, garantindo retorno de longo prazo”.

Due diligence mais robusta e multidisciplinar

Com o aumento da complexidade regulatória e geopolítica, os processos de due diligence também evoluíram. “Essas adaptações decorrem da necessidade de avaliação contínua mesmo após o fechamento da operação. A due diligence hoje é uma ferramenta estratégica de controle e conformidade, especialmente em práticas de ESG”, explica Sérgio Fogolin, sócio do Siqueira Castro Advogados.

Outro especialista do setor, o advogado Paulo Henrique Carvalho Pinto, sócio do Machado Meyer, complementa: “O trabalho de due diligence tem sido ampliado para incluir não apenas áreas do direito, mas também o mapeamento de riscos macroeconômicos e regulatórios. Isso é fundamental para uma precificação correta do ativo e para negociações mais equilibradas.”

A análise de cláusulas como MAC (Material Adverse Change) também ganhou protagonismo. “É importante prever que, se o impacto de mudanças regulatórias for desproporcional à sociedade-alvo em relação aos concorrentes, o comprador tenha uma porta de saída”, afirma Carvalho Pinto.

Oportunidades em meio à instabilidade

Embora o Brasil enfrente desafios como alta de juros, indefinições sobre a reforma tributária e desequilíbrio fiscal, o cenário global de instabilidade tem gerado uma queda no valor das empresas brasileiras — o que, paradoxalmente, atrai compradores estratégicos.

“Valuations ajustados sempre geram oportunidades — mas apenas para quem tem disciplina e leitura correta de risco e retorno”, afirma Nesello, que complementa: “A volatilidade reduz preços nominais, mas os ativos de qualidade continuam com fundamentos sólidos”.

Além disso, a realização da COP30 no Brasil e o fortalecimento da agenda ESG têm impulsionado transações em setores como energia limpa, mobilidade elétrica e saneamento. Investidores institucionais e fundos de private equity priorizam empresas com políticas claras de governança e sustentabilidade, reduzindo riscos e ampliando a competitividade de longo prazo.

Lições para investidores

Em momentos de incerteza, fusões e aquisições se consolidam como ferramentas estratégicas para:

“O M&A deixou de ser apenas uma ferramenta de crescimento não orgânico. Hoje, ele é um instrumento de transformação e reposicionamento competitivo”, conclui Nesello. “As companhias que tratam M&A como parte do seu DNA são as que saem mais fortes das crises”.

Em tempos incertos, quem se move com inteligência pode sair na frente.

E para ajudar na compreensão dos aspectos jurídicos das operações de M&A no cenário atual de incerteza extrema, a GZM conversou com dois especialistas do tema no Brasil, Sérgio Fogolin, especialista do setor e sócio do Siqueira Castro Advogados, e Paulo Henrique Carvalho Pinto, sócio da área de M&A e Private Equity do escritório Machado Meyer. Trechos da conversa estão citados na matéria e a seguir confira as entrevistas na íntegra:

GZM: As práticas de due diligence e gestão de risco estão sendo adaptadas para lidar com os novos desafios regulatórios, cambiais e geopolíticos?

Sérgio Fogolin: Sim, sem dúvida. Essas adaptações decorrem da evolução natural diante desses desafios e novas necessidades de análise. Podemos citar a necessidade de aplicação do processo de due diligence como uma ferramenta de avaliação e controle contínuo mesmo após o fechamento da operação. Essa forma de aplicar a due diligence propicia e fortalece uma maior conformidade das atividades desenvolvidas pelas empresas e pessoas com prática, por exemplo, de ESG (Ambiental, Social e Governança), minimizando eventuais contingências jurídicas e riscos reputacionais.

Além disso, esses novos desafios trazem a necessidade de aplicação de novas tecnologias para acelerar e tornar mais assertiva a conclusão da due diligence, criando-se modelos de análise do risco financeiro e cambial com base nos possíveis cenários geopolíticos, especialmente os de crise. Tudo isso se traduz em uma abordagem estratégia preventiva multidisciplinar atualizada constantemente com o uso de tecnologia de ponta.

Paulo Henrique: Sim, sem dúvidas, o trabalho de due diligence tem sido ampliado para incluir não apenas “áreas do direito”, mas também o mapeamento e avaliação de riscos potenciais ao negócio da sociedade alvo. Por exemplo, mudanças de zoneamento de uma região em que está localizado o ativo, discussões relacionadas à terceirização em curso no STF, são temas que impactam determinados setores de atuação e, portanto, precisam estar no radar do advogado para que possa ser reportado ao cliente como um potencial risco ao negócio e possa ser mensurado para negociação com a contraparte. 

No cenário atual, é fundamental que a due diligence cubra também esse tipo de discussão no judiciário e temas macroeconômicos, de forma que a parte possa tomar uma decisão de forma embasada e estruturada, inclusive para precificação correta do ativo e discussões relacionadas à indenização.

GZM: Como os riscos regulatórios e geopolíticos atuais — como mudanças de governo, sanções internacionais ou conflitos armados — afetam a condução da due diligence jurídica em operações de M&A?

Sérgio FogolinTais riscos têm impactado a condução e definição de limites da realização da due diligence. Especialmente em termos de limites da aplicação da due diligence em operações internacionais se faz necessário uma avaliação de todo o compliance regulatório que as partes da operação se submetem, a existência de embargos e restrições comerciais que possam afetar a empresa-alvo e/ou seus fornecedores, solidez jurídica no que se refere à manutenção das regras aplicáveis ao negócio e empresas envolvidos, e histórico de alterações significativas de políticas econômicas que possam afetar, de alguma forma, a empresa-alvo. Com isso, o custo da realização da due diligence tende a aumentar em face da necessidade de contratação de novos estudos e análises demandadas pela operação.

Paulo Henrique: É preciso compreender o setor de atuação da sociedade alvo e como ele pode ser impactado por questões regulatórias e pelo cenário de volatilidade atual. Há setores que, pela sua natureza, têm uma maior suscetibilidade a riscos regulatórios e geopolíticos, de forma que se torna fundamental que a due diligence envolva, por exemplo, avaliação de mudanças de lei ou precedentes sob discussão no judiciário e que possam impactar o negócio da sociedade alvo. 

Isso torna fundamental a revisão de aspectos na due diligence que, anteriormente, estavam fora do radar; por exemplo, revisão de hipóteses de vencimento antecipado ou aceleração de dívidas costumavam ser focadas em temas relacionados à operação, mas hoje em dia analisamos temas macroeconômicos e regulatórios que estejam relacionados ao negócio da sociedade alvo. 

À época da eclosão da guerra Rússia-Ucrânia, em decorrência das sanções impostas por outros países à Rússia, operações envolvendo setores com forte ligação ao país passaram a ter um maior escrutínio de investidores, de forma a melhor mensurar o impacto que pode haver no negócio da sociedade alvo. Por essa razão, o escopo do trabalho de due diligence se ampliou para cobrir também o impacto decorrente de temas não jurídicos, mas que de alguma forma possam ter impactar o negócio da sociedade alvo, seja em decorrência da rescisão de relacionamentos comerciais, restrições de atuação que possam ser impostas, dentre outras.

Fundamental também entender o perfil do cliente. Investidores locais ou estrangeiros com uma forte presença no país, e que, portanto, já conhecem o ambiente regulatório, volatilidade cambial, entre outros aspectos da nossa economia, na maior parte das vezes, costumam ser mais tolerantes ao “risco Brasil”. 

Investidores institucionais, que têm políticas mais restritivas de investimento, precisam “prestar contas”/justificar o investimento e, portanto, tomam o trabalho de due diligence como fundamental para entender riscos ao negócio, o que exige um trabalho de convencimento/esclarecimento de que os potenciais riscos ao negócio foram integralmente mapeados (sejam eles jurídicos, regulatórios ou geopolíticos).  

Paulo Henrique Carvalho Pinto, sócio da área de M&A e Private Equity do escritório Machado Meyer: ““O trabalho de due diligence tem sido ampliado para incluir não apenas áreas do direito, mas também o mapeamento de riscos macroeconômicos e regulatórios“.

GZM: Quais cuidados adicionais devem ser tomados na análise de contratos, passivos contingentes e litígios em andamento, especialmente em setores mais expostos à volatilidade econômica ou à regulação intensa?

Sérgio FogolinInicialmente, ter acesso a todos as informações e instrumentos necessários de forma transparente deve ser a primeira premissa. A verificação detalhada de todos os instrumentos relevantes, passivos e litígios com contingências específicas ou com capacidade de gerar tais contingências, com o consequente e adequado enquadramento de possibilidade de perda (em provável, possível ou remoto) trará mais conforto para a tomada de decisão, pois a situação da empresa-alvo será conhecida de forma mais abrangente, com uma maior acuracidade das provisões contábeis e respectivos impactos financeiro e reputacional.

Paulo Henrique: Importante mapear temas sob discussão que possam ter um impacto relevante na companhia e, eventualmente, quão sustentável é o negócio em caso de uma mudança regulatória. Por exemplo, discussões envolvendo a terceirização para determinados setores têm impacto direto em como o negócio é operado, mas também em como o judiciário vai interpretar eventuais litígios já em curso e o impacto financeiro que isso terá na sociedade alvo no dia seguinte. 

Ter clareza sobre esses aspectos é fundamental para que comprador e vendedor possam negociar alocação de risco; quem assumirá a conta em caso de uma mudança de lei que cause uma série de perdas no âmbito das ações em curso? Apesar de não haver regra, é comum, em operações regidas por lei brasileira, que os vendedores assumam o risco pelo período em que foram sócios na sociedade. 

A negociação em torno do pacote de indenização e garantia costuma ser intensa e, em um cenário em que perdas causadas por mudanças fora do controle das partes possam ser mais comuns, como é o caso de setores mais expostos à volatilidade econômica ou à regulação intensa, torna-se fundamental que as partes tenham clareza e mapeamento de todos os riscos envolvidos para que conscientemente possam avaliar aquilo lhe é aceitável.

GZM: De que forma cláusulas contratuais como MAC (Material Adverse Change) e garantias legais podem ser adaptadas para proteger compradores diante de cenários imprevisíveis e mudanças abruptas no ambiente jurídico?

Sérgio FogolinVemos como extremamente necessário estabelecer critérios objetivos e redação clara das cláusulas que venham a definir a ocorrência da MAC. Podemos citar como fundamentais condições, a delimitação do tempo de ocorrência da MAC, a definição da materialidade, como, p.ex., mudanças legislativas que afetem a operação e/ou a equação financeira desenhada para a aquisição pretendida, perda de receita em determinado patamar, perda de clientes-chaves, aplicação de sanção internacionais e instabilidade econômica e/ou política que efetivamente gerem efeitos adversos para as premissas da operação. 

Dessa forma, prever condições contratuais específicas, estabelecer e alocar responsabilidades para as partes de forma a atender as condições comerciais/financeiras estabelecidas para a operação e contar com mecanismos de compensação objetivos e sólidos são condições fundamentais para que uma cláusula MAC tenha solidez jurídica e comercial, possa gerar conforto, aceitação pelas partes envolvidas e, assim, ser aplicada de forma adequada somente quando necessária.

Paulo Henrique: Costumeiramente, as cláusulas de MAC preveem que itens fora do controle das partes não devem ser considerados para fins de verificação de um evento, como, por exemplo, mudanças regulatórias ou de lei. Além disso, desde eventos mais recentes, como a pandemia do COVID-19, a guerra Rússia-Ucrânia, as partes têm tomado mais cuidado para se expurgar da definição de MAC fatos/eventos extraordinários, que estejam fora do controle das partes. 

Mesmo assim, como proteção ao comprador, é importante prever que que se o impacto de tais mudanças na sociedade alvo for desproporcional aos seus concorrentes, o MAC deve ser uma porta de saída. Em outras palavras, o comprador aceita correr riscos gerais do negócio, desde que o impacto na sociedade alvo não seja desproporcional quando comparado aos seus concorrentes. A mudança deve impactar todo o setor de forma proporcional, e não a sociedade alvo apenas.

Sérgio Fogolin, especialista do setor e sócio do Siqueira Castro Advogados: “A due diligence hoje é uma ferramenta estratégica de controle e conformidade, especialmente em práticas de ESG”.

Pela primeira vez, o setor de Agtech entrou no ranking das dez principais verticais de tecnologia que mais atraíram investimentos na América Latina, ocupando a oitava posição

O mercado de Fusões e Aquisições (M&A) é uma engrenagem que movimenta trilhões de dólares e redefine setores inteiros. Contudo, sua dinâmica financeira não é uniforme, sendo profundamente influenciada por fatores como a incerteza sobre a condução da política econômica (EPU), que tem propensão a influenciar decisões de investidores e das empresas.

A instabilidade econômica, longe de ser impeditiva, pode trazer oportunidades estratégicas, especialmente no setor de M&A voltado ao agronegócio. Um estudo conduzido por Ronaldo Rodrigues, senior associate da Zaxo Group, analisou mais de 20 mil transações entre 1990 e 2023 em 18 países, revelando que períodos de incerteza macroeconômica (medida pelo índice EPU) não apenas afastam investidores cautelosos, mas também abrem brechas para movimentos assertivos.

O levantamento mostra que a incerteza sobre a condução da política econômica reduz, em média, o valor das aquisições em 6,7%. No entanto, quando o ativo apresenta alto potencial de crescimento, essa perda cai para menos de 1%, criando espaço para negociações mais competitivas.

“No Brasil, o agro tem uma característica muito própria: a produção não para e a demanda global se mantém constante. Assim, os investidores conseguem entrar em operações com valuations atrativos e colher resultados robustos no médio e longo prazo”, explica Ronaldo Rodrigues, senior associate da Zaxo Group.

Dados da GlobalData reforçam essa tendência. Em 2024, as transações globais de M&A no setor agropecuário atingiram US$ 76 bilhões, com 977 operações registradas em todo o mundo. Além disso, segundo a Capstone Partners, o rendimento bruto da agricultura mundial deverá chegar a US$ 4,8 trilhões em 2025, com os EUA respondendo por US$ 587 bilhões desse total.

No Brasil, o agronegócio segue como uma âncora econômica e continua atraindo capital nacional e estrangeiro para operações de consolidação, verticalização e inovação tecnológica. Entre janeiro e maio de 2025, o país registrou 596 operações de M&A, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a PwC Brasil.

No entanto, ao observar especificamente o setor agropecuário, o panorama é diferente. Em 2024, o segmento registrou 12 transações, o melhor desempenho dos últimos cinco anos e um crescimento de 140% em relação a 2023, conforme a KPMG. Já no primeiro semestre de 2025, o ritmo diminuiu e cinco operações foram registradas, uma queda de 28,6% em comparação com o mesmo período de 2024.

“Esse contraste evidencia a resiliência do setor agro a longo prazo, mas também mostra a sensibilidade do mercado a fatores conjunturais, reforçando a importância de estratégias cuidadosas e de visão de médio e longo prazo para operações de M&A no país”, destaca Rodrigues.

O segmento de fertilizantes foi destaque, com nove transações em 2024. Do total de operações no agro, cinco foram nacionais (entre empresas brasileiras), três de estrangeiros adquirindo companhias no Brasil, três de brasileiros comprando ativos de estrangeiros e uma transação entre dois grupos estrangeiros com operação no país.

Entre as negociações mais relevantes está a compra de 50% da Mantiqueira Brasil, uma das maiores produtoras de ovos do mundo, pela JBS, em negócio avaliado em R$ 1,9 bilhão (janeiro de 2025). Em julho do mesmo ano, o Grupo Safras, especializado em grãos e etanol, passou a ser controlado por um fundo da AM Agro.

Mas 2024 também trouxe um movimento importante para o agro além das grandes aquisições. Pela primeira vez, o setor de Agtech entrou no ranking das dez principais verticais de tecnologia que mais atraíram investimentos na América Latina, ocupando a oitava posição. De acordo com a LAVCA, o segmento movimentou US$ 119 milhões no ano, equivalente a 2,6% do total de recursos investidos na região, com 37 rodadas de aporte, superando áreas como logística, CRM e cleantech.

Esse crescimento reforça o papel do campo não apenas como motor econômico, mas também como vetor de inovação tecnológica. Startups ligadas à agricultura de precisão, IoT no campo, inteligência artificial para manejo de safras e automação de processos estão no centro dessa transformação. Para especialistas, a entrada do Agtech no “top 10” é reflexo direto da busca por produtividade, sustentabilidade e eficiência na produção de alimentos, fatores que também atraem o olhar de investidores estratégicos em operações de M&A.

Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, vê um paralelo direto entre o ciclo produtivo da terra e o de M&A. “Assim como no campo, há momentos de plantar e de colher. A instabilidade econômica pode ser o momento certo de preparar o solo para aquisições estratégicas, garantindo colheitas mais ricas no futuro”.

Leonardo Grisotto, também sócio-fundador, reforça que o apetite por ativos de alto potencial no agro tende a aumentar em períodos de volatilidade. “A terra é um ativo que se valoriza de forma consistente, e empresas do setor têm capacidade de gerar caixa mesmo em cenários adversos. Isso cria um ambiente perfeito para negociações inteligentes”.

O estudo revela que, para cada 1% adicional nas oportunidades de crescimento (“growth options”) em momentos de instabilidade, o valor do negócio pode aumentar até 16%, chegando a 19% em mercados altamente competitivos.

Segundo Rodrigues, isso significa que a volatilidade, em vez de ser apenas um risco, pode ser transformada em vantagem estratégica para players do agronegócio. “O investidor que conhece o ciclo, entende o valor da terra e sabe o momento de entrar no negócio consegue transformar a instabilidade em um trator que abre novas fronteiras.”

A pesquisa integra a tese de doutoramento de Rodrigues na Universidade Federal do Paraná.

O mercado global de fusões e aquisições no agronegócio movimentou US$ 76 bilhões em 2024, e o Brasil registrou crescimento de 140% nas transações, impulsionado por investimentos em fertilizantes e tecnologia agrícola.

O agronegócio tornou-se um dos protagonistas do mercado de Fusões e Aquisições (M&A), segmento que movimenta trilhões de dólares e redefine setores estratégicos em todo o mundo. Em 2024, as transações globais no setor agropecuário somaram US$ 76 bilhões, segundo a GlobalData, em 977 operações. No Brasil, o movimento ganhou força, com aumento de 140% nas transações em relação ao ano anterior, conforme levantamento da KPMG.

A dinâmica do mercado de M&A, contudo, é sensível ao ambiente econômico. O estudo conduzido por Ronaldo Rodrigues, senior associate da Zaxo Group, analisou mais de 20 mil operações realizadas entre 1990 e 2023 em 18 países. O trabalho identificou que períodos de incerteza sobre a condução da política econômica — medidos pelo índice EPU — reduzem o valor das aquisições em média 6,7%. “No entanto, quando o ativo apresenta alto potencial de crescimento, essa perda cai para menos de 1%, criando espaço para negociações mais competitivas”, explicou Rodrigues.

No caso brasileiro, o especialista destaca que o agronegócio apresenta uma característica singular: a produção não se interrompe, e a demanda global mantém-se estável. “Os investidores conseguem entrar em operações com valuations atrativos e colher resultados robustos no médio e longo prazo”, afirmou.

Entre janeiro e maio de 2025, o Brasil registrou 596 operações de M&A em diversos setores, alta de 15% em comparação ao mesmo período de 2024, segundo dados da PwC Brasil. Embora o número de transações no agro tenha diminuído no primeiro semestre de 2025 — com cinco operações, ante sete no mesmo período do ano anterior —, o desempenho de 2024 foi o melhor dos últimos cinco anos. “Esse contraste mostra a resiliência do setor a longo prazo, mas também a sensibilidade do mercado a fatores conjunturais”, avaliou Rodrigues.

O segmento de fertilizantes se destacou, com nove transações em 2024. Do total, cinco foram entre empresas brasileiras, três envolveram estrangeiros adquirindo ativos no país, três de brasileiros comprando companhias internacionais e uma entre grupos estrangeiros com operação no Brasil.

Entre as operações de maior impacto, estão a compra de 50% da Mantiqueira Brasil, uma das maiores produtoras de ovos do mundo, pela JBS, em negócio de R$ 1,9 bilhão em janeiro de 2025, e a aquisição do Grupo Safras, especializado em grãos e etanol, por um fundo da AM Agro em julho do mesmo ano.

Outro dado que chama atenção é o avanço das Agtechs no radar dos investidores. Pela primeira vez, o setor entrou no ranking das dez verticais de tecnologia que mais atraíram capital na América Latina, alcançando a oitava posição, segundo a LAVCA. Em 2024, o segmento movimentou US$ 119 milhões — 2,6% do total investido na região —, em 37 rodadas de aportes, superando áreas como logística, CRM e cleantech.

O crescimento das Agtechs reflete o avanço da agricultura digital e a busca por eficiência, sustentabilidade e produtividade. Startups voltadas à agricultura de precisão, Internet das Coisas (IoT) no campo, inteligência artificial para manejo de safras e automação de processos vêm ganhando relevância. Para especialistas, esse movimento reforça a transformação do agro em vetor de inovação e tecnologia aplicada.

Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, traça um paralelo entre o ciclo agrícola e as estratégias de M&A. “Assim como no campo, há momentos de plantar e de colher. A instabilidade econômica pode ser o momento certo de preparar o solo para aquisições estratégicas, garantindo colheitas mais ricas no futuro”, afirmou.

Já Leonardo Grisotto, também sócio-fundador da empresa, considera que períodos de volatilidade aumentam o apetite por ativos de alto potencial. “A terra é um ativo que se valoriza de forma consistente, e empresas do setor têm capacidade de gerar caixa mesmo em cenários adversos. Isso cria um ambiente favorável para negociações inteligentes”, destacou.

O estudo conduzido por Rodrigues indica que, para cada 1% adicional nas oportunidades de crescimento em momentos de instabilidade, o valor de mercado das operações pode aumentar até 16%, chegando a 19% em setores altamente competitivos. “A volatilidade, em vez de ser apenas um risco, pode se transformar em vantagem estratégica para o investidor que conhece o ciclo do agro e entende o valor da terra”, completou o pesquisador.

A pesquisa integra a tese de doutorado de Rodrigues na Universidade Federal do Paraná, sob orientação do professor Cláudio Marcelo Edwards, e reforça a tese de que decisões baseadas em dados e visão de longo prazo podem transformar incertezas macroeconômicas em oportunidades de expansão no agronegócio.


O mercado global de Fusões e Aquisições (M&A) cresceu 15% no primeiro semestre de 2025, movimentando US$ 1,5 trilhão, segundo levantamento da PwC. O número de operações, no entanto, caiu 9%, atingindo o menor nível em mais de uma década — um sinal de que o momento é das megatransações, com valores acima de US$ 1 bilhão, que aumentaram 17% no período.

Os setores de tecnologia, mídia e telecomunicações (TMT) concentraram 83% do volume e 75% do valor das operações, impulsionados por inteligência artificial, computação em nuvem e cibersegurança, conforme análises da PwC e KPMG.

“A incerteza não freia o mercado de tecnologia, ela o reorganiza”, afirma Ronaldo Rodrigues, senior associate da Zaxo, boutique especializada em M&A no middle market.

Segundo Rodrigues, um estudo da Zaxo que analisou 20 mil transações globais em três décadas mostra que a incerteza econômica reduz, em média, 6,7% o valor das aquisições, mas o impacto é bem menor entre empresas com alto potencial de crescimento — como as de tecnologia.

“Empresas que atuam em IA, soluções SaaS e digitalização de processos atraem investidores que enxergam valor além do curto prazo, transformando volatilidade em oportunidade”, completa.

Megadeals e crescimento do setor tech

No Brasil, o segmento de tecnologia é o protagonista do M&A em 2025. Entre janeiro e maio, foram 126 transações mapeadas em Internet, Software e IT Services, movimentando entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões, segundo dados do TTRPwC e KPMG.

Entre os exemplos recentes estão a aquisição da Experimentaí pela UAUBox, concluída em junho, e a compra da Site Blindado pela Conviso, especializada em segurança de aplicações (AppSec). A operação fortaleceu a presença da Conviso no e-commerce e deve impulsionar o faturamento da empresa para R$ 50 milhões até o fim do ano.

“É quando os valuations se tornam mais razoáveis que investidores estratégicos conseguem entrar em negócios promissores, garantindo retorno de longo prazo”, observa Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo.

Growth options e o apelo estratégico do tech

O interesse no setor tecnológico se explica pela presença das chamadas growth options — ou opções de crescimento — embutidas no modelo de negócios.

“Growth options representam a capacidade de uma empresa crescer além do seu core atual, o que aumenta seu valor estratégico para investidores”, explica Rodrigues.

Essas opções incluem lançar novos produtos, entrar em mercados inexplorados, expandir a capacidade produtiva ou desenvolver tecnologias internas — elementos que mantêm o apetite dos investidores mesmo em cenários de incerteza.

“Resiliência e adaptabilidade são os maiores ativos em M&A, principalmente em tecnologia. No Brasil, quem entende a dinâmica de mercado consegue transformar riscos em vantagem competitiva”, conclui Rodrigues.

Investidores estratégicos transformam incerteza em oportunidade, com foco redobrado no setor de tecnologia e seu potencial de crescimento

O mercado global de Fusões e Aquisições cresceu 15% no primeiro semestre de 2025, movimentando US$ 1,5 trilhão, segundo levantamento da PwC. Apesar do aumento no valor total das transações, o número de operações caiu 9%, atingindo o menor patamar em mais de uma década — o que indica que o momento é das megatransações. Foram justamente essas, com valores acima de US$ 1 bilhão, que cresceram 17% no período, puxando a retomada do mercado. Tecnologia, mídia e telecomunicações concentraram 83% do volume e 75% do valor das transações, tendência que se mantém firme em 2025, puxada por soluções em inteligência artificial, computação em nuvem e cibersegurança, conforme análises da PwC e da KPMG.

Muitos desses resultados expressivos são ocasionados pelas incertezas econômicas, apontam os especialistas. Acontece que, em momentos de instabilidade, investidores atentos transformam a volatilidade em oportunidade, especialmente no Brasil, onde a digitalização avança em ritmo acelerado e se torna cada vez mais atrativa para o capital estratégico.

Um exemplo é o da Conviso, especializada em segurança de aplicações (AppSec), que adquiriu o Site Blindado, uma unidade da Americanas S.A. voltada à proteção de lojas virtuais. Essa transação fortaleceu a presença da Conviso no mercado de e-commerce, ampliando seu portfólio com soluções de blindagem de sites, certificação digital e testes de penetração. A aquisição foi estratégica, considerando o crescimento do mercado de segurança digital e a crescente demanda por soluções que garantam a confiança dos consumidores em transações online. Com essa movimentação, a Conviso projeta um faturamento de R$ 50 milhões até o final de 2025, embora o valor exato da transação não tenha sido revelado.

"A incerteza não freia o mercado de tecnologia, ela o reorganiza", afirma Ronaldo Rodrigues, senior associate da Zaxo, boutique especializada em M&A no middle market. Ele conduziu um estudo analisando mais de 20 mil transações globais em três décadas, mostrando que a incerteza econômica reduz, em média, 6,7% o valor das aquisições, mas o efeito é muito menor quando se trata de empresas com alto potencial de crescimento, caso típico do setor de tecnologia. Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, destaca que, em momentos de instabilidade, empresas bem preparadas conseguem negociar prêmios interessantes. "É quando os valuations se tornam mais razoáveis que os investidores estratégicos conseguem entrar em negócios promissores, garantindo retorno de longo prazo", afirma.

O mercado global de Fusões e Aquisições cresceu 15% no primeiro semestre de 2025, movimentando US$ 1,5 trilhão, segundo levantamento da PwC. Apesar do aumento no valor total das transações, o número de operações caiu 9%, atingindo o menor patamar em mais de uma década — o que indica que o momento é das mega transações.

Foram justamente essas, com valores acima de US$ 1 bilhão (megadeals), que cresceram 17% no período, puxando a retomada do mercado.

Tecnologia, mídia e telecomunicações concentraram 83% do volume e 75% do valor das transações, tendência que se mantém firme em 2025, puxada por soluções em inteligência artificial, computação em nuvem e cibersegurança, conforme análises da PwC e da KPMG.

Muitos desses resultados expressivos são ocasionados — pasmem — pelas incertezas econômicas, apontam os especialistas. Acontece que, em momentos de instabilidade, investidores atentos transformam a volatilidade em oportunidade — especialmente no Brasil, onde a digitalização avança em ritmo acelerado e se torna cada vez mais atrativa para o capital estratégico.

“A incerteza não freia o mercado de tecnologia, ela o reorganiza”, afirma Ronaldo Rodrigues, senior associate da Zaxo, boutique especializada em M&A no middle market.

Ele conduziu um estudo analisando mais de 20 mil transações globais em três décadas, mostrando que a incerteza econômica reduz, em média, 6,7% o valor das aquisições, mas o efeito é muito menor quando se trata de empresas com alto potencial de crescimento, caso típico do setor de tecnologia.

“Empresas que atuam em IA, soluções SaaS e digitalização de processos têm atraído investidores que enxergam valor além do curto prazo, transformando volatilidade em oportunidade”, explica Rodrigues.

Segundo o especialista da Zaxo, o segmento tech é o protagonista do mercado de fusões e aquisições (M&A) em 2025. E não é pouca coisa: conforme levantamentos do TTR, complementados por análises da PwC KPMG, de janeiro a maio foram 126 transações mapeadas no segmento de Internet, Software e IT Services, movimentando entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões.

Um exemplo recente de fusão e aquisição (M&A) no setor de tecnologia no Brasil em 2025 é a aquisição da Experimentaí pela UAUBox. A transação foi concluída em 3 de junho de 2025, embora o valor não tenha sido divulgado publicamente.

Outro exemplo é o da Conviso, especializada em segurança de aplicações (AppSec), que adquiriu o Site Blindado, uma unidade da Americanas S.A. voltada à proteção de lojas virtuais.

Essa transação fortaleceu a presença da Conviso no mercado de e-commerce, ampliando seu portfólio com soluções de blindagem de sites, certificação digital e testes de penetração (Pentests).

A aquisição foi estratégica, considerando o crescimento do mercado de segurança digital e a crescente demanda por soluções que garantam a confiança dos consumidores em transações online. Com essa movimentação, a Conviso projeta um faturamento de R$ 50 milhões até o final de 2025, embora o valor exato da transação não tenha sido revelado.

Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo, destaca que, em momentos de instabilidade, empresas bem preparadas conseguem negociar prêmios interessantes.

“É quando os valuations se tornam mais razoáveis que os investidores estratégicos conseguem entrar em negócios promissores, garantindo retorno de longo prazo”, afirma.

O setor de tecnologia tem se mostrado mais suscetível a M&As porque carrega growth options embutidas.

“Isso atrai players que olham para a inovação como forma de crescer em um mercado cada vez mais digital”, complementa Leonardo Grisotto, sócio-fundador da Zaxo.

Growth options (ou “opções de crescimento”) são oportunidades futuras de expansão que um negócio possui e que podem aumentar seu valor ao longo do tempo. Exemplos incluem: lançar novos produtos ou serviços; entrar em novos mercados; expandir a capacidade produtiva; e desenvolver tecnologias internas para novos segmentos.

No contexto de M&A (fusões e aquisições), empresas com growth options são vistas como ativos valiosos mesmo em cenários de incerteza, porque têm potencial de gerar mais receita e lucro no futuro, compensando riscos de curto prazo.

Como explica Ronaldo Rodrigues, da Zaxo:

“Quando falamos em growth options, falamos da capacidade de uma empresa crescer além do seu core atual, o que aumenta seu valor estratégico para investidores.”

Na prática, setores como fintechs, healthtechs, soluções de IA e plataformas de digitalização seguem atraindo rodadas relevantes, inclusive de fundos internacionais, enquanto grupos locais de tecnologia exploram aquisições como estratégia de expansão em um mercado cada vez mais competitivo.

“Resiliência e adaptabilidade são os maiores ativos em M&A, principalmente no setor de tecnologia. E no Brasil, quem entende a dinâmica de mercado consegue transformar riscos em vantagem competitiva”, conclui Rodrigues.

Com um portfólio de mais de 140 projetos e mais de R$ 7,5 bilhões em transações concluídas, a Zaxo se posiciona para expandir ainda mais sua atuação em tecnologia em 2025, alinhada ao movimento de consolidação e digitalização que avança em todos os setores no Brasil.

Setor mantém ritmo de consolidação, atrai capital estratégico e leva Agtech ao ranking das 10 verticais mais promissoras da América Latina

O mercado de Fusões e Aquisições (M&A) no agronegócio atravessa um ciclo de expansão global. Em 2024, as operações no setor somaram US$ 76 bilhões em 977 transações, segundo dados da GlobalData, refletindo um movimento de consolidação e inovação que também se intensifica no Brasil.

De acordo com levantamento da Zaxo Group, conduzido por Ronaldo Rodrigues, o agronegócio brasileiro registrou crescimento de 140% nas transações de M&A em 2024, com 12 operações, o melhor desempenho em cinco anos. O avanço contrasta com a leve desaceleração no primeiro semestre de 2025, que contabilizou cinco negócios, uma queda de 28,6% frente ao mesmo período do ano anterior.

Apesar da oscilação, o especialista aponta que a volatilidade pode ser uma oportunidade. “O agro tem uma característica única: a produção não para, e a demanda global se mantém constante. Isso permite que investidores encontrem valuations atrativos e retornos sólidos no médio e longo prazo”, afirma Rodrigues.

O estudo analisou mais de 20 mil transações realizadas entre 1990 e 2023 em 18 países e concluiu que, embora a incerteza econômica reduza o valor médio das aquisições em 6,7%, esse impacto cai para menos de 1% quando o ativo tem alto potencial de crescimento.

Fertilizantes e alimentos lideram movimentações

segmento de fertilizantes foi destaque em 2024, com nove transações. Entre as operações mais relevantes estão a compra de 50% da Mantiqueira Brasil pela JBS, avaliada em R$ 1,9 bilhão, e a aquisição do Grupo Safras por um fundo da AM Agro.

Os negócios envolveram diferentes perfis: cinco transações nacionaistrês de estrangeiros comprando ativos brasileirostrês de brasileiros adquirindo empresas fora do país e uma entre grupos internacionais com presença no Brasil.

Agtech entra no top 10 latino-americano

Um marco adicional foi a entrada do setor de Agtech entre as dez verticais de tecnologia mais atrativas da América Latina, ocupando a oitava posição no ranking da LAVCA. O segmento movimentou US$ 119 milhões em 2024, distribuídos em 37 rodadas de investimento, e superou áreas como logística, CRM e cleantech.

Startups de agricultura de precisão, IoT, inteligência artificial e automação de processos estão no centro dessa transformação, reforçando o papel do campo como vetor de inovação tecnológica.

“O momento de instabilidade pode ser o solo ideal para preparar novas aquisições. Assim como na terra, há o tempo de plantar e de colher”, compara Jefferson Nesello, sócio-fundador da Zaxo.

Para Leonardo Grisotto, também sócio da empresa, o apetite por ativos de alto potencial tende a aumentar em períodos de volatilidade. “A terra é um ativo que se valoriza de forma consistente. Mesmo em cenários adversos, o agro gera caixa e cria espaço para negociações inteligentes.”

Oportunidade em meio à incerteza

Segundo Rodrigues, cada 1% adicional em oportunidades de crescimento pode elevar o valor de um negócio em até 16%, chegando a 19% em mercados competitivos. “A volatilidade, quando bem compreendida, pode se transformar em vantagem estratégica para quem conhece o ciclo e sabe o momento de agir”, afirma.