
São mais de 200 empreendimentos do tipo no Brasil, que lidera, na América Latina, a concentração de operações
Praticamente metade da capacidade instalada para operações de data centers na América Latina está concentrada em um único país, o Brasil, segundo levantamento da JLL Latin America Data Center Report. Em território brasileiro está ainda 71% da capacidade em construção, de acordo com o mesmo estudo. Dados do Data Center Map indicam 206 empreendimentos do tipo no país, em 35 localidades nas cinco regiões geográficas.
Esse mercado em ascensão revela outro potencial: o de investimentos em fusões e aquisições no setor. “Investimento de alto valor agregado, como demanda um data center, nunca vem isolado, ou seja, nunca está concentrado em um único player, seja no quesito construção, O&M, ou fornecimento de insumos”, explica o especialista Gustavo Lorenci, sócio da Zaxo, boutique brasileira de M&A (fusões e aquisições, em inglês).
De acordo com ele, o fato de esse mercado ter desenvolvimento relativamente recente, e em franca expansão em todo o mundo, há a falta de capacidade produtiva dos fornecedores locais. “Isso, que é um problema, torna-se também uma oportunidade para empresas grandes atuarem no buy side [adquirindo] e para pequeno fornecedor local atuar no sell side, ou seja, vendendo sua operação para um grande player ampliar sua atuação geográfica”, descreve.
O aumento no número de data centers, recorrente em todo o planeta, atende demanda gerada pelo uso de inteligência artificial, nas mais diferentes atividades da vida humana. “O crescimento no número de usuários de IA é exponencial. Data centers são a espinha neural dos sistemas de IA, portanto é clara a necessidade de expansão de toda infraestrutura”, afirma Lorenci.
Para o especialista, há um entrave: o altíssimo custo de implantação e a complexidade. Além disso, datas centers consomem muita energia elétrica e água, para funcionamento, operação, manutenção e controle térmico de suas estruturas. Abundante em recursos naturais e em fontes renováveis de energia, o Brasil sai na frente nessa competição.
A avaliação do sócio da Zaxo converge com constatações do estudo “Oportunidades no setor de data centers no Brasil”, feito pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. “Os competidores de colocation [espaço físico para data centers] mais capitalizados e fundos de investimento também vêm estudando oportunidades de fusões e aquisições no mercado brasileiro”, informa o estudo.
Segundo a ABDI, “um dos principais ativos-alvo foram empresas de telecomunicações, que têm vendido seus data centers para focar em outros serviços”. Outro movimento verificado pela agência está em provedores de nuvem optando por alugar espaço, energia e conectividade de provedores terceirizados (provedores de colocation).
Lorenci, da Zaxo, ressalta que o investimento específico em data center tende, ainda, a ser concentrado em poucos players, de capital estrangeiro. Entretanto, há toda uma cadeia, que pode e está sendo atendida por capital local, como os segmentos de energia elétrica, controle térmico e controle sócio ambiental nas adjacências das instalações.
Regiões do país dotadas de melhor infraestrutura de energia e telecomunicações está na frente na atração de negócios. Hoje, ainda há uma concentração em São Paulo, observa o Lorenci. Entretanto, localidades que instituem benefícios fiscais com intuito de receber investimentos nesse mercado podem atrair players.
MAIS INFORMAÇÕES
Sobre a Zaxo: https://www.zaxogroup.com/
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referências:
https://www.datacentermap.com/brazil/
https://datacenters.abdi.com.br/#section-4
https://forbes.com.br/forbes-money/forbes-real-estate/2026/03/brasil-lidera-expansao-data-centers-america-latina-ia/