
M&A no Brasil em 2026: além dos números, entender pessoas e cultura faz a diferença
O fator humano segue decisivo em fusões bilionárias no Brasil, onde alinhar culturas e expectativas é tão estratégico quanto os números da transação.
O mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil em 2026 destaca-se não apenas pelos valores financeiros envolvidos, mas pela importância do fator humano nas negociações bilionárias. Embora análises financeiras, valuation e due diligence sejam essenciais, a experiência revela que o sucesso das operações depende profundamente do alinhamento cultural e da confiança entre as equipes.
Negócios não se fundem, pessoas é que se unem. Por trás de cada número existe uma cultura, uma história e uma forma de pensar que precisam convergir para que a fusão ou aquisição funcione na prática. Casos em que tudo parecia perfeito no papel falharam porque faltou confiança entre os times, um detalhe que planilhas não captam, mas que define o êxito da operação.
O processo de M&A não começa apenas quando uma empresa decide vender. Ele se inicia muito antes, na estruturação interna do negócio, que deve apresentar governança sólida, processos claros e propósito bem definido. Empresas preparadas são vistas como oportunidades estratégicas, enquanto aquelas sem esse preparo figuram apenas como ativos para venda.
Segundo dados do primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 827 operações de M&A, movimentando US$ 25,6 bilhões. Nos quatro primeiros meses do ano, mesmo sob juros elevados e incertezas, foram negociados R$ 56,5 bilhões em 537 transações. Os setores que lideram refletem uma mudança para negócios resilientes e sustentáveis, como tecnologia, fintechs, varejo digital, energia limpa e infraestrutura. Na América Latina, até agosto de 2025, foram 1.855 transações com US$ 33 bilhões mobilizados, sendo o Brasil responsável por 1.142 dessas operações, destacando sua posição estratégica regional.
O próximo ano promete crescimento das transações cross-border, entrada de novos investidores institucionais e maior rigor regulatório. As empresas precisarão reforçar sua governança, transparência e visão estratégica para acompanhar essas mudanças. A sensibilidade humana, coragem para negociar valores e vulnerabilidades, e a capacidade de decidir não seguir com fusões desalinhadas serão cada vez mais valorizadas.
Mais do que uma transação comercial, M&A é uma arte de integrar culturas e transformar sinergias em resultados concretos sem perder a essência única de cada empresa. O verdadeiro conhecimento de M&A está em enxergar além dos contratos e números, compreendendo a complexidade das relações humanas envolvidas.
Leonardo Grisotto é sócio da Zaxo M&A Partners e compartilha sua visão sobre a importância do fator humano nas operações de fusões e aquisições no Brasil.
Fonte: brazileconomy.com.br