
Jefferson Nesello, Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners
A governança corporativa, ou seja, a forma como a empresa é organizada e administrada, está se tornando essencial para empresas de médio porte que querem crescer, atrair investidores ou até mesmo vender o negócio. Este artigo explica como ter uma boa gestão, com conselhos e controles claros, pode aumentar o valor da empresa e facilitar negociações, transformando o negócio em um ativo mais seguro e desejado pelo mercado.
Recentemente, em uma reportagem sobre o avanço das fusões e aquisições no Brasil, destaquei que o movimento de M&A no mercado de médias empresas é, em grande parte, uma forma de "comprar tempo e deixar de ser solitário". Essa frase resume uma realidade que tenho acompanhado de perto: o empresário brasileiro constrói muito sozinho, mas cresce de forma exponencial quando estrutura sua empresa para atrair parceiros, investidores ou compradores estratégicos. E expande, mais ainda, quando percebe que as ferramentas de M&A, no lado da compra por exemplo, são formas extremamente relevantes de ganhar espaço e acelerar a execução da estratégia qualquer que ela seja por parte de quem compra.
E é justamente nesse ponto que a Governança Corporativa passa a ser prática.
O tripé formado por inovação, governança e resiliência tem se mostrado essencial para médias empresas que desejam atrair capital e crescer com consistência. Na prática, vejo esse tripé como um sistema interdependente, mas com um detalhe importante: a governança é a engrenagem que organiza e viabiliza os demais pilares.
No mercado de médias empresas, companhias com faturamento relevante e grande potencial de expansão, a governança ainda é, frequentemente, subestimada. Porém, quando analisamos os negócios que avançam versus aqueles que travam na auditoria por exemplo, a diferença quase sempre está na qualidade da estrutura de gestão, nos controles, nos acordos societários pré-existentes (e não aqueles celebrados "na calada da noite", simplesmente pra tentar viabilizar a transação), clareza estratégica e capacidade de reporte.
Governança não é burocracia, é previsibilidade. E previsibilidade reduz risco, e risco é o principal fator que impacta o valor da empresa.
Atuando há anos com assessoria em M&A para empresas do mercado de médias empresas, tenho observado um padrão muito claro: empresas que estruturam governança antes de ir ao mercado capturam mais valor, financeiro e estratégico. E, por vezes, não apenas aumentam o seu valor, mas claramente a governança - muitas vezes - simplesmente viabiliza que a transação aconteça.
Quando falamos em governança prática, estamos falando de colegiados ativos e realmente operantes no apoio à gestão: conselho consultivo ou de administração; comitês temáticos de acordo com o momento e a estratégia do negócio; acordo de sócios bem estruturado; separação clara entre patrimônio pessoal e empresarial; indicadores financeiros consistentes e auditáveis; planejamento estratégico formalizado; política clara de distribuição de resultados e reinvestimento, entre outros temas.
