
O mercado global de fusões e aquisições em tecnologia registrou crescimento superior a 70% no valor das transações neste ano, somando US$ 478 bilhões, segundo levantamento da consultoria Bain & Company.
O avanço acompanha o movimento de consolidação do setor após operações como a compra da chinesa Manus pelo grupo Meta, controlador de WhatsApp, Instagram e Facebook.
Conforme o estudo, quase metade do valor estratégico de negócios acima de US$ 500 milhões envolveu empresas nativas de inteligência artificial ou citou benefícios ligados à tecnologia. Para analistas, o caso da Meta está longe de ser isolado e reflete tendência mais ampla de consolidação estratégica no setor.
| Indicador | Número em 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| Valor total de M&A global | US$ 4,8 trilhões | +36% |
| Valor de M&A em tecnologia | US$ 478 bilhões | +76% |
| Negócios acima de US$ 500 milhões ligados a IA | Quase metade do valor estratégico | Maior índice já registrado |
| Transações acima de US$ 1 bilhão classificadas como scope deals | 60% | Maior índice já registrado |
| M&A em infraestrutura de IA (data centers) | US$ 69 bilhões em 113 transações | Recorde histórico em 2025 |
Segundo o administrador Leonardo Grisotto, cofundador e sócio-diretor da Zaxo, boutique de M&A, o movimento de fusões e aquisições no mercado de tecnologia funciona como estratégia para alavancar negócios. Para ele, empresas compradoras buscam algoritmos, talentos e competências, ativos que aceleram departamentos de inovação sem a necessidade de desenvolvimento interno.
Grisotto afirma que esse comportamento se intensificou com a difusão de tecnologias de inteligência artificial, que passaram a ocupar papel central nas teses de aquisição em todo o mundo.
O levantamento da Bain & Company aponta ainda mudança relevante no perfil das transações. No último ano, houve avanço dos chamados scope deals, voltados à expansão em novos mercados e segmentos de clientes, em detrimento dos scale deals, focados apenas em ampliar operações já existentes.
Cerca de 60% das transações acima de US$ 1 bilhão foram classificadas como de escopo, o maior índice já registrado pelo estudo. O resultado reflete o foco das empresas em crescimento de receita e aquisição de novas capacidades tecnológicas.
De acordo com Grisotto, a estratégia não se limita a grandes corporações. Embora a maioria dos negócios envolva valores acima de US$ 5 bilhões, o especialista observa exemplos semelhantes também no Brasil, em operações de menor porte.
No país, as fusões e aquisições no setor de tecnologia abrangem principalmente desenvolvedoras de softwares como serviço, plataformas de gestão empresarial, soluções de inteligência artificial e empresas de cibersegurança.
Para Grisotto, organizações que precisam acelerar a digitalização tendem a optar por adquirir soluções já consolidadas, em vez de desenvolvê-las internamente.
Grisotto destaca que parte das operações tem motivação defensiva, voltada a evitar que concorrentes incorporem determinada tecnologia, equipe ou base de clientes. Segundo ele, comprar passa a ser uma forma de proteger posicionamento de mercado e bloquear movimentos de rivais.
Para o especialista, esse comportamento torna o ambiente competitivo mais dinâmico. Empresas que não acompanham o ritmo de consolidação tendem a perder espaço, enquanto grupos mais capitalizados ampliam capacidade de entrega e de escala no mercado global de tecnologia.